Recovery ensina como calcular o custo e o preço de produtos e serviços

Ana Silva
Ana Silva
8 min. para leitura
Recovery ensina como calcular o custo e o preço de produtos e serviços
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No Brasil, muitas pessoas tiram seu sustento da prestação de serviços ou venda de produtos na vizinhança, em grupos de WhatsApp, no Instagram, Facebook ou em suas redes de relacionamentos. Outras, complementam a renda com essas atividades, realizadas de forma autônoma ou como microempreendedores individuais. Uma dificuldade bastante comum entre quem faz isso é entender todos os custos envolvidos, calcular o preço certo para ter lucro e, ao mesmo tempo, fisgar a clientela. Para ajudar, a Recovery, empresa do Grupo Itaú e pioneira na cessão de carteiras de crédito no Brasil reuniu algumas dicas simples, mas importantes de como calcular o custo e o preço de produtos e serviços.

Para começar: qual é a diferença entre custo e preço? 

Um jeito simples de explicar: custo é aquela quantidade de dinheiro que você precisa tirar do bolso para ofertar o seu produto ou serviço. Se a sua área é a de confeitaria, o custo do bolo de leite em pó com morangos é a soma do que você pagou pelos ingredientes, mais o gás usado para assar, a energia usada durante o preparo, a embalagem que protege o bolo e o que é gasto para levar o produto até a casa do cliente, por exemplo.

Já o preço é o valor que você cobra do cliente pelo produto e que deve ser superior ao do custo. A diferença entre o custo e o preço forma o lucro – aquele dinheiro que permite que você continue trabalhando, ganhando o necessário para viver ou realizar seus planos. Resumindo, o preço menos o custo é igual ao lucro.

Como calcular custo e preço de um produto 

Para calcular o custo do produto é necessário fazer uma lista de tudo o que foi usado na produção daquele item, seja uma peça de roupa, uma colcha, um vaso ou alimento. Vamos usar como exemplo o mesmo bolo de leite em pó sobre o qual falamos acima. A seguir, listamos como ficaria o custo direto da preparação, considerando o preço dos ingredientes no mercado e a quantidade usada na receita. Além do custo direto, vamos considerar também aluguel, água, luz, gás, WiFi e o salário de uma funcionária. Vamos imaginar que o resultado dessa soma deu R$ 2.500,00 por mês. Dividindo esse valor pelo número de bolos que você costuma vender por mês; digamos que sejam 200 bolos, você vai ter o custo fixo por unidade: R$ 12,50.

Portanto, o custo de um bolo de leite em pó será a soma do valor gasto nos ingredientes (R$ 38,37) mais gastos fixos (R$ 12,50), ou seja, R$ 44,62.

Qual deve ser, então, o preço de venda e o lucro de um bolo? 

Antes de definir o preço, a dica é fazer uma boa pesquisa básica para descobrir quanto o produto custa em outras confeitarias, quanto você gostaria de lucrar com a venda e, também, ouvir potenciais compradores para saber quanto eles estariam dispostos a pagar por um bolo de leite em pó com morango de um quilo. Vamos imaginar que, depois dessa sondagem, você chegou à conclusão que pode cobrar R$ 65,00 pelo bolo inteiro (ou R$ 6,50 por fatia de 100 gramas). O seu lucro, será, então, de R$ 20,38 por bolo.

Como calcular custo e preço de um serviço 

Se você trabalha como cabeleireira, manicure, cuida de jardins ou é eletricista, por exemplo, o cálculo do custo do serviço é um pouco mais simples. Digamos que você quer se tornar um eletricista. É preciso considerar um investimento inicial médio de R$ 800 em um curso técnico e mais R$ 500 para adquirir as ferramentas necessárias. Ou seja, você vai desembolsar R$ 1.300,00 para entrar nesse mercado.

Você pode estimar que, no decorrer do ano, conseguirá fazer 50 visitas em casas ou escritórios que precisam do seu serviço. No primeiro ano, é possível diluir os R$ 1.300,00 nestas 50 visitas, resultando em um custo de R$ 26,00 por visita. É preciso considerar, ainda, o custo de seu deslocamento, seja transporte público ou gasolina. Digamos que esse gasto seja de R$ 15. Isso significa que o custo total de cada visita, pelo menos no primeiro ano de atuação, é de R$ 41. Considere isso na hora de definir seu preço. A dica para produtos serve aqui também: busque fazer uma pesquisa na sua região, entre os concorrentes e futuros clientes.

Como calcular o preço por hora

Muitos autônomos que atuam na área de serviços cobram por hora. Se, por exemplo, você tem uma formação em marketing digital e consegue seu primeiro cliente – uma loja de autopeças para a qual irá trabalhar duas horas ao dia. Quanto cobrar? Pense no seu momento de carreira, formação, experiência e quanto gostaria de ganhar no mês. Para facilitar, imagine qual seria seu salário se estivesse trabalhando em uma empresa nessa mesma atividade. Se chegar à conclusão que ganharia R$ 4.000 por mês, faça as contas:

R$ 4.000 divididos por 22 dias úteis, divididos por 8 horas ao dia é igual a R$ 22,72 por hora. Ou seja, como irá trabalhar duas horas por dia para este cliente, poderia cobrar R$ 181,81 por semana ou R$ 727,27 por mês. Esse é apenas um valor de referência. O ideal é incluir na conta o valor equivalente a um mês de férias e o décimo terceiro salário. Aos poucos, vá fazendo os ajustes necessários.

Qual é o meu valor?

Nesse exercício de descobrir o custo e definir o preço do seu produto ou serviço, existe um terceiro fator que precisa ser pensado: o valor. Esse conceito, muito pessoal e subjetivo, diz respeito ao quanto achamos que merecemos ganhar e como as pessoas percebem o valor de nosso trabalho. A noção de valor explica por que um cabeleireiro que domina as mesmas técnicas, tem a mesma formação e trabalha no mesmo bairro que um outro colega, às vezes, cobra até 50% a mais pelo corte de cabelo. Para pensar sobre seu valor, pergunta-se:

  • Quanto eu mereço ganhar? Quanto investi em estudos e dedicação?
  • Quais são os meus esforços para que meu trabalho tenha diferenciais? O que tenho de inovador? As pessoas percebem isso?
  • O que eu ofereço de especial (incluindo habilidades e conhecimentos), que meus concorrentes não têm e nem oferecem?

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