SUS Brasil 360 fortalece a saúde pública em Presidente Prudente
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Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon

A região de Presidente Prudente tem uma cidade polo que atende muita gente de fora, dezenas de municípios pequenos, áreas rurais, assentamentos e divisa com outros estados. Uma realidade tão variada pede um sistema de saúde organizado a partir do posto de saúde do bairro. É o que o Ministério da Saúde propõe com o Brasil360.

O Brasil360 é o novo modelo de financiamento federal da atenção primária. O repasse tem três partes. A fixa considera a vulnerabilidade social e o tamanho do município, por meio de um índice de equidade que divide as cidades em quatro grupos. A do vínculo reconhece as equipes que cadastram e acompanham a população. A da qualidade mede resultados, como o cuidado com gestantes, crianças, pressão alta e diabetes.

A força do programa aparece nos números nacionais. São mais de 103 mil equipes financiadas pelo Ministério, em quase 45 mil unidades básicas. O valor mensal repassado às equipes de Saúde da Família subiu de R$ 1,02 bilhão para R$ 1,31 bilhão entre abril e maio de 2024. Em 2025, o orçamento federal da atenção primária chegou a R$ 60,4 bilhões.

Na prática, o modelo reduz a carga de cada equipe. Nas cidades pequenas, a referência é de 2 mil pessoas por equipe de Saúde da Família, e nas maiores, 3 mil, contra 4 mil no modelo anterior. Isso dá ao profissional mais tempo para cada paciente e facilita as visitas domiciliares em áreas rurais e assentamentos.

Como Presidente Prudente é polo de atendimento, a ligação entre o posto e o especialista é importante. As regras federais orientam que os serviços especializados trabalhem junto com a atenção primária, compartilhem informações e definam protocolos de encaminhamento. Com o Agora Tem Especialistas, a ideia é reduzir filas, acompanhar faltas às consultas e garantir retorno organizado.

O Novo PAC Saúde financia unidades novas, com consultórios odontológicos e sala de amamentação, e unidades odontológicas móveis que levam o dentista a quem mora longe. Os conjuntos de equipamentos incluem o aparelho para exame de vista de pessoas com diabetes, o ultrassom de bolso e o eletrocardiógrafo, que permitem resolver mais casos no posto.

O Ministério também mantém o Mais Médicos, com mais de 26 mil profissionais ativos, e financia mais de 6 mil equipes multiprofissionais. Cada trabalhador pode ter até 16 horas mensais liberadas para formação. Para a população da região, o que se busca é um atendimento mais próximo, com equipe completa, equipamento no posto e um caminho definido até o especialista.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC)

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