Humberto Tobé, Fátima Christine
Pequeno município da região de Bauru está entre os primeiros do estado credenciados no Padi Brasil e mostra o alcance do programa federal no interior
Balbinos é uma cidade pequena da região de Bauru, com menos de 4 mil habitantes segundo o Censo 2022. Ainda assim, em junho de 2026, ela figurou na primeira lista de municípios paulistas credenciados no Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, o Padi Brasil. A Portaria GM/MS nº 11.609, do Ministério da Saúde, garantiu ao município o incentivo federal para uma equipe multiprofissional (eMulti) na modalidade Estratégica.
São R$ 5 mil mensais adicionais repassados pelo Governo Federal para o atendimento domiciliar de idosos, mais uma parcela única de igual valor para a implantação. Em uma cidade desse porte, o recurso tem peso considerável e torna possível algo que, sem cofinanciamento, seria muito difícil de sustentar: uma equipe dedicada a visitar idosos em casa de forma regular e planejada.
Nas cidades pequenas do interior, o envelhecimento da população costuma ser mais acentuado. Muitos jovens se mudam para estudar e trabalhar em centros maiores, e os idosos permanecem, muitas vezes sozinhos ou cuidando de um cônjuge também idoso. Quando a saúde se fragiliza e a locomoção fica difícil, o acesso aos serviços se complica.
Hospitais e especialistas costumam estar nas cidades-polo. Uma simples ida ao médico pode exigir transporte, acompanhante e um dia inteiro de deslocamento. Para o idoso acamado, isso é praticamente inviável. Sem uma equipe que vá até ele, o acompanhamento se interrompe.
O Padi Brasil foi pensado justamente para esse cenário. A equipe realiza uma avaliação multidimensional da pessoa idosa: verifica doenças e medicamentos, mas também a capacidade de realizar tarefas do dia a dia, a memória, o humor, a alimentação, as condições da moradia e a rede de apoio. Com essas informações, constrói um plano de cuidados individual e orienta familiares e cuidadores.
Quando o caso exige atendimento especializado, a equipe articula o encaminhamento com a rede regional do SUS. O idoso deixa de depender de iniciativas isoladas da família e passa a ter um acompanhamento organizado, com responsáveis definidos e reavaliações periódicas.
O programa também exige que o município mantenha um veículo próprio para as visitas, cadastrado no sistema nacional, e registre todos os atendimentos. Se esses requisitos não forem cumpridos, o repasse é suspenso, o que garante que o dinheiro público se traduza em cuidado efetivo.
A região de Bauru reúne municípios de portes muito diferentes, de cidades médias a pequenas localidades como Balbinos. A experiência do município mostra aos vizinhos que o Padi Brasil não é um programa reservado aos grandes centros. Com planejamento e adesão ao incentivo federal, qualquer prefeitura pode estruturar o cuidado domiciliar ao idoso.
Também evidencia o papel do Governo Federal em reduzir desigualdades regionais. O repasse do Ministério da Saúde permite que uma cidade pequena ofereça aos seus idosos um nível de cuidado que, de outra forma, estaria restrito às cidades com mais recursos.
No Brasil, 80% dos idosos dependem exclusivamente do SUS. Em municípios pequenos, onde a oferta privada de saúde é mínima, essa dependência é ainda mais concreta. Para o idoso acamado de Balbinos, não existe plano de saúde que mande uma equipe até a sua casa. Existe o SUS.
Se programas como o Padi Brasil não existissem, esse idoso ficaria à mercê das complicações e das ambulâncias. Com o programa, ele passa a ser visto, acompanhado e cuidado onde vive.