Humberto Tobé, Fátima Christine
Na Semana D do Outubro Rosa, a rede de Saúde da Família do município estendeu o horário para coleta de Papanicolau e encaminhamento à mamografia pelo SUS
Muitas mulheres sabem que precisam fazer o preventivo, mas o horário comercial das unidades de saúde bate com o horário de trabalho. Em Palmital, na região de Assis, a resposta foi abrir as portas mais tarde. De 19 a 23 de outubro de 2026, durante a Semana D do Outubro Rosa, as unidades de Estratégia Saúde da Família atenderam em rodízio das 17h às 19h, e o Centro de Saúde Dr. Nelson da Cunha Bastos manteve atendimento da campanha no fim da tarde.
O rodízio passou pelos bairros Paraná, São Francisco, Montreal e São José. Nas unidades, as mulheres podiam colher o Papanicolau e sair com o encaminhamento para a mamografia. Quando algum exame indicasse alteração, o caminho seguinte já estava traçado: acompanhamento médico e exames complementares pela rede do SUS.
A iniciativa mostra a força da atenção primária, o primeiro nível do SUS. É na unidade de Saúde da Família, perto de casa, que a mulher é conhecida pela equipe, recebe orientação e é encaminhada para o que precisa. Em cidades de pequeno e médio porte, como as da região de Assis, essa rede de proximidade é a principal porta de entrada para a prevenção do câncer.
O preventivo do colo do útero está passando por uma mudança importante no país. Desde 2025, o Ministério da Saúde vem implantando no SUS o teste molecular de DNA-HPV, que identifica 14 tipos do vírus antes mesmo de surgirem lesões. São Paulo está entre os estados da primeira etapa. O exame é colhido de forma parecida com o Papanicolau, mas é mais preciso. Quando o resultado é negativo, o intervalo até o próximo exame pode chegar a cinco anos. A substituição completa está prevista até dezembro de 2026, e o Papanicolau passa a ser usado como exame complementar.
A mudança segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde, que trata o teste de HPV como padrão-ouro no rastreamento e tem como meta eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública. No Brasil, são cerca de 17 mil casos novos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer. É um dos poucos cânceres que podem ser quase totalmente evitados com vacinação e exame em dia.
Na mama, o SUS também ampliou o acesso. Desde setembro de 2025, mulheres de 40 a 49 anos podem fazer mamografia mesmo sem sintomas, em decisão conjunta com o profissional de saúde, e o rastreamento de rotina vai até os 74 anos.
Sem uma rede pública organizada, a prevenção depende da disponibilidade e do bolso de cada mulher, e quem trabalha o dia todo costuma ser a primeira a ficar para trás. O exemplo de Palmital mostra que pequenos ajustes, como um horário estendido, fazem o SUS chegar a quem mais precisa. Para a região de Assis, a lição é que a prevenção funciona quando o serviço se adapta à vida das mulheres, e não o contrário.