Humberto Tobé, Fátima Christine
Unidade móvel do Ministério da Saúde atende até 60 mulheres por dia com mamografias, ultrassons, biópsias e consultas especializadas
A região de Ribeirão Preto tem fama de ser uma das mais bem servidas em saúde no interior paulista, com hospitais universitários e centros de referência em câncer. Mas a estrutura nem sempre chega com a mesma facilidade às cidades pequenas da divisa com Minas Gerais. Para encurtar essa distância, o Ministério da Saúde instalou em Franca, em agosto de 2026, uma carreta de saúde da mulher que atende moradoras de 13 municípios.
Além de Franca, podem ser encaminhadas pacientes de Sales Oliveira, Itirapuã, Cristais Paulista, Rifaina, Orlândia, Igarapava, Ribeirão Corrente, Jeriquara, São José da Bela Vista, Ituverava, Pedregulho e Miguelópolis. A lista mistura cidades médias e municípios com poucos milhares de habitantes, onde manter um mamógrafo e uma equipe especializada seria inviável. Com a unidade móvel, essas mulheres passam a ter o exame na cidade-polo da região.
A carreta funciona de segunda a sexta, com capacidade para até 60 atendimentos por dia. Faz mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, biópsias e consultas com especialistas. O detalhe que faz diferença está no fim do atendimento: o próprio especialista interpreta os exames e já direciona a paciente para a fase seguinte do cuidado. A mulher não sai da carreta apenas com um laudo na mão, mas com o próximo passo definido.
O acesso é organizado pelo SUS. As vagas são para pacientes pré-agendadas e encaminhadas pelas secretarias municipais de saúde. Quem já espera por um exame pode pedir o encaminhamento na Unidade Básica de Saúde da sua cidade.
A continuidade é o ponto crítico na luta contra o câncer. Um exame alterado que demora a ser investigado, ou uma biópsia que leva meses para acontecer, pode significar a diferença entre um tratamento simples e um tratamento agressivo. No câncer de mama, que matou 20.165 brasileiras em 2023, e no de colo do útero, com cerca de 17 mil casos novos por ano, o tempo entre a suspeita e o diagnóstico pesa diretamente no resultado.
Para diminuir esse tempo, o Ministério da Saúde vem combinando várias frentes. A mamografia pelo SUS passou a ser garantida a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas, e o rastreamento de rotina vai até os 74. O teste de DNA-HPV vem substituindo o Papanicolau no rastreamento do colo do útero. E o Agora Tem Especialistas, instituído pela Lei 15.233, de 2025, leva as unidades móveis para onde as filas são maiores. Em setembro de 2026, o programa já somava 63 carretas de saúde da mulher em funcionamento no país.
A região de Ribeirão Preto tem tradição em oncologia, com serviços de referência que atendem pelo SUS pacientes de todo o país. A carreta de Franca complementa essa rede na ponta, onde o problema começa a ser identificado. Sem esse primeiro passo, os grandes centros de tratamento recebem casos mais avançados. Com ele, mais mulheres chegam a tempo.