Lucas Cruz

Carlos Martí mostra
em seu livro de estreia, Nevoeiro, a culminação de um processo de anos de
estudo entre música, literatura e poesia

O lançamento pelo
Selo Demônio Negro
terá
leitura cênica de
poemas do
ator
Ricardo Bittencourt, figura-chave do Teatro Oficina
.

Lançamento na sexta,
22 de maio, às

19h no Major Bar e Pista – R. Major
Sertório, 347, Vila Buarque – SP

Seguir, seguir a estrada — eis o ópio dos errantes —

Seguir até tombar o corpo
aberto em chagas,

Despojado de si, na gruta do deserto,

Despido do luar, da relva,
lira, canto;

Beber
da seiva amarga, erguer o indefinido

Espírito
liberto,

E dissolver-se, enfim, no
vaporoso manto:

Outros
continuarão a trilha onde hei caído.

No livro, editado pelo Selo Demônio Negro,
conceituada editora de poesia do mercado editorial brasileiro, com nomes de
Pound a Augusto de Campos, Carlos Martí guia o leitor pelas diversas formas da poesia ao
longo do último milênio, das canções dos trovadores, formas renascentistas,
cantigas folclóricas do Brasil antigo, até as implosões da métrica com o
Futurismo Russo e Maiakóvski. O lançamento na sexta-feira, dia 22 de
maio, a partir das 19h, no Major Bar e Pista, terá uma leitura cênica feita pelo ator Ricardo Bittencourt,
figura-chave do Teatro Oficina. A escolha do local, o Major Bar e Pista, é um convite
a explorar essas relações inesperadas entre formas antigas e ideias novas, com
uma arquitetura brutalista, imersa no techno, ecoando versos com métricas do
passado, presente e futuro em uma performance poética.

Ricardo Bittencourt, ator baiano que tem em seu portfólio o monumental Os
Sertões,
Cartas para Stálin, contando o exílio do escritor e
dramaturgo russo Mikhail Bulgákov, e também Boca a Boca, um solo para
Gregório
, espetáculo que conta a vida do poeta Gregório de Matos, consagrou-se
como um mestre da declamação poética, dando ao público a oportunidade de ouvir
um grande ator declamando na nossa língua, não guiado pela métrica, nem pelo
som, mas pelo sentido. Bittencourt insere os poemas de Nevoeiro em uma
escola de declamação contemporânea, visceral, atrai o leitor. Negando-se a
colocar o poeta num patamar elevado e artificial, sua elocução quebra a
barreira entre poesia e público, trazendo-a para perto. Na performance de
lançamento, a sugestão do ator foi, justamente por isso, declamar entre a
plateia.

Por trás do encontro entre Martí, Bittencourt e Mendonça está Caio
Duarte, escritor, intelectual e produtor cultural, também formado pelas
Arcadas, onde aprendeu que a arte maior não é a jurídica, mas a de reunir
pessoas. É ele quem assina com Mendonça a edição de Nevoeiro e quem, com
Martí e Mendonça, prepara o Bateau Ivre, o veleiro que hospederá os
debates e lançamentos de 20 anos do Selo Demônio Negro na FLIP de 2026, uma
consequência natural de anos cultivando amizades entre poetas, atores e
pensadores.

Carlos Martí

Carlos Martí é o nome de pena de Carlos Eduardo Marte de Arruda Sampaio,
paulistano, formado, como tantos poetas, pela Faculdade de Direito do Largo de
São Francisco. Neto de Plínio de Arruda Sampaio, abraçou, em lugar da política,
o espírito antigo das serras, morros e verdes da Mantiqueira de seus
antepassados. De um diálogo com o fugere urbem, surge um conflito do
poeta com o idílio, explorado em Nevoeiro como uma caminhada entre a
beleza e a angústia, em que o pano de fundo da natureza mostra as raízes arraigadas
na história da poesia nos seus versos. Sua poesia é mística sem ser hermética,
talvez uma herança do lado catalão, o Martí, indevidamente aportuguesado pelas
alfândegas e aduanas do Brasil. Tendo realizado turnês na Europa e estudado
canto lírico, Martí chegou a compor para a trilha sonora de Duetto (2022),
estrelado por Giancarlo Giannini e Marieta Severo. Continuando esse processo,
imergiu-se no estudo das letras e da lírica, abandonando a carreira musical
para se dedicar exclusivamente à poesia. Em seus versos, a experimentação com
formas como a terza rima italiana surgiu desse estudo, dialogando
com os tratados antigos e esquecidos sobre a poesia, que instigaram um desafio
no poeta ao reinventá-los e reproduzi-los.

Sinopse
Nevoeiro é um Bildungslyrik (o
termo deriva do conceito
alemão Bildung (formação, educação e cultura), um livro em que o poeta
Carlos Martí convida o leitor a um percurso místico, e vivo, sobre as formas
quase não mais praticadas da poesia. Num jogo polissêmico que conjuga palavra,
pensamento e música — em composições que vão do zéjel da poesia Andaluza, dos
alexandrinos iâmbicos/trocaicos à terza rima italiana, em inspirações no
pergaminho de Vindel e nas cantigas dos trovadores — o poeta se coloca em contraposição
à subjetividade confessional da poesia contemporânea. Inseridos na tradição, os
poemas de Nevoeiro nos convidam a meditar sobre o fazer poético e a utópica
função da arte.

Serviço:

Lançamento e
performance de Nevoeiro, de Carlos Martí
Editora Selo Demônio Negro
Major Bar e Pista – R. Major Sertório, 347, Vila Buarque – SP
22 de maio, a partir das 19h00


Entrada gratuita

Ficha técnica: Livro e Lançamento

Livro

Nevoeiro
Autor: Carlos Martí
Selo Demônio Negro, 2026
ISBN 978-65-995479-9-7
Formato: 18 x 26,5 cm – 72 págs
Impressão limitada: 100 exemplares
assinados pelo autor
Acabamento manual
Capa: Canson Mi-Teintes 180 g
Pré-venda!
www.vanderbooks.com.br
R$49,90

Lançamento

Poemas: Carlos Martí

Intérprete: Ricardo Bitencourt

Roteiro e direção: Ricardo Bittencourt, Carlos Martí, Caio Duarte

Edição: Vanderley Mendonça e Caio Duarte – Selo Demônio Negro

Design Gráfico: Vanderley Mendonça

Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro

Fotografia: Lucas Cruz

Produção: Alexandre Carvalho

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