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Impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, endereço digital de Anguilla deixou de ser apenas uma extensão geográfica e passou a comunicar posicionamento tecnológico

A expansão global de produtos baseados em inteligência artificial transformou o domínio .ai em um ativo de posicionamento e proteção de marca. Em janeiro de 2026, o número de endereços registrados no mundo com essa extensão já havia ultrapassado 1 milhão, ante aproximadamente 354 mil em 2023. O crescimento acompanha a corrida de startups, empresas de tecnologia e grandes marcas para associarem seus negócios diretamente ao mercado de IA.

A extensão é, originalmente, o domínio de nível superior com código de país, ou ccTLD, de Anguilla, território britânico localizado no Caribe. A atribuição foi registrada em 1995 e permanece sob responsabilidade do governo local, segundo a Internet Assigned Numbers Authority, organização responsável pela coordenação global do sistema de nomes da internet.

Na prática, porém, o significado de “AI” como abreviação de artificial intelligence ampliou o uso da extensão para além de sua função geográfica. Endereços terminados em .ai passaram a ser utilizados para sinalizar que determinada empresa, ferramenta ou produto atua com inteligência artificial.

De endereço digital a ativo de posicionamento

Dados divulgados em 2025 indicavam que o volume de domínios .ai havia passado de aproximadamente 40 mil em 2020 para 859 mil em agosto daquele ano. A trajetória revela que a escolha do endereço digital deixou de ser apenas uma decisão técnica e passou a integrar a estratégia de comunicação das empresas.

Para a KingHost, empresa brasileira especializada em soluções digitais, hospedagem e infraestrutura para negócios, a extensão pode funcionar como uma sinalização imediata sobre a área de atuação de uma marca.

Quando uma empresa utiliza o domínio .ai, ela consegue comunicar rapidamente ao mercado que aquele produto ou serviço está relacionado à inteligência artificial. Isso não substitui a construção de reputação, mas pode ajudar a tornar o posicionamento mais claro desde o primeiro contato com a marca”, afirma Patrice Ramos, Diretor de Produtos e Engenharia da KingHost.

O movimento também gerou impacto econômico para Anguilla. Em 2023, as receitas provenientes dos domínios .ai alcançaram cerca de US$ 32 milhões, o equivalente a pouco mais de 20% da arrecadação governamental do território naquele ano. Antes da popularização da inteligência artificial, essa participação ficava próxima de 5%, segundo o Fundo Monetário Internacional.

Corrida pelo .ai amplia risco de conflitos

O crescimento da procura também aumenta a possibilidade de que nomes relacionados a empresas, produtos e projetos sejam registrados por terceiros. A prática pode envolver especulação comercial, tentativa de revenda por valores elevados ou uso indevido de marcas reconhecidas, fenômeno conhecido como cybersquatting.

Em 2025, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual administrou mais de 6.200 processos relacionados a disputas por nomes de domínio, o maior volume anual já registrado pela entidade. Desde a criação de seu sistema de resolução de controvérsias, a organização já analisou mais de 80 mil casos.

Embora os dados envolvam diferentes extensões, decisões recentes da própria organização mostram disputas específicas relacionadas a endereços .ai registrados com marcas conhecidas e posteriormente oferecidos por preços elevados.

Nesse cenário, avaliar antecipadamente o registro de domínio com a extensão .ai pode fazer parte da estratégia de proteção digital, especialmente para empresas que desenvolvem soluções de inteligência artificial ou planejam lançar produtos nesse mercado.

O custo de registrar preventivamente uma extensão relevante costuma ser menor do que o esforço jurídico, financeiro e reputacional necessário para recuperar um endereço usado de maneira indevida. A análise precisa considerar a marca principal, os nomes dos produtos e os mercados em que a empresa pretende atuar”, explica Patrice Ramos, Diretor de Produtos e Engenharia da KingHost.

Empresas brasileiras precisam avaliar prioridade

Nem toda empresa precisa migrar completamente seu site principal para um domínio .ai. Mas a extensão também pode ser utilizada como endereço complementar, página de produto, ambiente de demonstração ou redirecionamento para o domínio institucional.

A decisão deve considerar a relevância da inteligência artificial para o negócio, a possibilidade de expansão internacional e o risco de terceiros se apropriarem da mesma identidade digital. Com a redução dos nomes curtos disponíveis e a valorização da extensão, empresas que adiarem essa análise poderão encontrar seus endereços já registrados.

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