Mais de 2 milhões de brasileiros vivem no silêncio da exclusão comunicacional. No Espírito Santo, uma iniciativa pioneira via QR Code já garantiu mais de 10 mil atendimentos humanos, gratuitos e 24h para a comunidade surda em hospitais, delegacias e órgãos públicos
Imagine a dor e o desespero de ir a uma consulta médica, a um atendimento policial ou dar à luz a um filho sem conseguir entender uma única palavra do que estão lhe dizendo. Para mais de 2 milhões de brasileiros surdos, essa não é uma suposição: é a realidade diária de quem vive como “estrangeiro” dentro do próprio país, privado do direito básico de se comunicar em sua língua materna, a Libras.
Enquanto debates sobre diversidade e inclusão crescem no ambiente corporativo, a comunidade surda enfrenta uma barreira invisível que restringe a autonomia mais elementar. A maioria dos surdos sinalizados não é fluente em português escrito, o que transforma tarefas simples do cotidiano em verdadeiras sagas de dependência.
É no combate a essa invisibilidade histórica que o Governo do Estado do Espírito Santo, em parceria com o ICOM, socialtech brasileira líder em serviços de inclusão e comunicação acessível para a comunidade surda, vem consolidando um marco de cidadania. Por meio da Central de Intermediação de Libras (CIL-ES), cidadãos surdos do estado têm acesso a intérpretes em tempo real, 24 horas por dia, 7 dias por semana, em hospitais públicos, delegacias, fóruns e unidades do SAMU.
A iniciativa já ultrapassou a marca de 10 mil atendimentos humanizados no estado. Para garantir que ninguém fique para trás por falta de recursos digitais, a conexão utiliza internet patrocinada: o cidadão surdo navega na plataforma sem consumir o seu pacote de dados móveis.
“Atendimento público não é sobre burocracia, é sobre vidas. Quando uma pessoa surda chega a um hospital ou delegacia, ela não pode esperar. A tecnologia existe para devolver a dignidade e a autonomia que foram tiradas dessa população por décadas. O Espírito Santo enxergou essa urgência e mostra que a inclusão real se faz na prática, garantindo que o cidadão seja ouvido e compreendido em seu próprio idioma”, disse Monica Lupatin, Diretora de Negócios do ICOM.
Cidadania na prática: como funciona a conexão
A porta de entrada para o serviço nos órgãos públicos capixabas é simples e imediata, eliminando a necessidade de agendamentos prévios:
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Acesso sem custos: nos locais de atendimento do Governo do ES, o cidadão aponta a câmera do celular para o QR Code disponível ou acessa o aplicativo do ICOM, selecionando a aba do Espírito Santo.
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Conexão imediata: com internet gratuita garantida pela plataforma, o usuário clica em “Iniciar videochamada”. O tempo médio de espera para ser conectado a um intérprete de Libras é de apenas 32 segundos.
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Tradução em tempo real: o usuário posiciona o celular entre ele e o atendente. O intérprete do ICOM traduz a conversa em tempo real; o que o servidor fala é sinalizado para o surdo, e o que o surdo sinaliza é falado para o servidor.
A parceria reafirma o protagonismo do estado em transformar a