A recente queda parcial de um casarão abandonado na Rua Álvaro Ramos, em Botafogo, na última sexta-feira (1º), reacendeu o debate sobre a situação dos imóveis abandonados na cidade do Rio de Janeiro e os riscos que representam para a população e para o patrimônio urbano. O imóvel já apresentava sinais avançados de deterioração, e a estrutura remanescente deverá ser demolida.
Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, Sydnei Menezes, o episódio evidencia a falta de medidas efetivas para enfrentar o problema e reforça a necessidade da aplicação de instrumentos como o IPTU progressivo, previsto no Estatuto da Cidade, para coibir o abandono de imóveis.
“Mais um desabamento evidencia uma situação que se repete com frequência. Trata-se de uma tragédia anunciada, prevista diante da ausência de ações efetivas, como temos reiteradamente defendido, voltadas à fiscalização, à preservação e ao cuidado dessas edificações. Reforçamos, mais uma vez, a necessidade de criação e implementação de instrumentos capazes de enfrentar essa questão, como o IPTU progressivo, que permite penalizar proprietários que não adotam as providências necessárias para a adequada manutenção e conservação de seus imóveis”, afirma Sydnei Menezes.
Casos como este não são isolados. Ao longo de 2025, diversos episódios de desabamento envolvendo casarões abandonados foram registrados na cidade do Rio de Janeiro. Um dos mais graves ocorreu em 20 de março, na Rua Senador Pompeu, no Centro, deixando um homem morto e outro ferido. As ocorrências reforçam a recorrência do problema e evidenciam a urgência de políticas públicas estruturadas voltadas à recuperação, ao uso e à conservação dessas edificações.
Segundo o presidente do CAU/RJ, apesar de algumas iniciativas anunciadas pela Prefeitura do Rio, os avanços ainda são insuficientes diante da gravidade do cenário.
“A Prefeitura do Rio de Janeiro tem anunciado e iniciado algumas iniciativas; no entanto, muitas ainda se encontram em fase de implementação e não produziram, até o momento, resultados concretos. Do ponto de vista legislativo, permanece pendente a efetiva aplicação do IPTU progressivo”, ressalta Sydnei Menezes.