Por Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon
A região de Guarulhos, que reúne municípios de grande porte no entorno da capital paulista e abriga o maior aeroporto internacional do país, passa a contar com o Brasil 360, novo modelo de cofinanciamento federal da atenção primária à saúde lançado pelo Ministério da Saúde. A mudança substitui o repasse fixo e uniforme por um sistema que reconhece o desempenho de cada equipe, dividido em três componentes: um valor fixo por equipe, um componente de vínculo com a população cadastrada e um terceiro relacionado ao acompanhamento territorial e à qualidade do cuidado.
Guarulhos está entre as regiões mais populosas do estado, com muita gente circulando todos os dias. Em locais assim, o posto de saúde costuma ter um número enorme de pessoas para atender. Foi esse ponto que o Ministério da Saúde enfrentou de frente com o Brasil360, o novo modelo de financiamento federal da atenção primária.
A principal mudança é o tamanho das equipes. Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, cada equipe de Saúde da Família passa a ter como referência 3 mil pessoas, e não mais 4 mil, como no modelo anterior. O limite máximo para pagamento é de 4.500 pessoas. Com menos gente para cuidar, o profissional tem mais tempo para escutar o paciente, a agenda fica mais organizada e o agente comunitário consegue visitar mais as casas.
O dinheiro federal agora tem três partes. A primeira é fixa e considera a realidade do município. A segunda é o vínculo, que reconhece a equipe que cadastra e acompanha a população: 30% dessa nota vem do cadastro e 70% do acompanhamento. A terceira é a qualidade, medida por indicadores. Em resumo, a equipe que conhece melhor sua população e cuida melhor dela recebe mais.
Os indicadores são bem práticos. Na gestação, avaliam se a mulher fez a primeira consulta de pré-natal até 12 semanas, se teve pelo menos 7 consultas e se fez os testes de sífilis, HIV e hepatites. Na infância, olham se o bebê foi consultado até o 30º dia de vida e se está com todas as vacinas. Para quem tem diabetes ou pressão alta, checam consulta a cada 6 meses e visitas em casa.
Na estrutura, o Novo PAC Saúde prevê 2.600 novas unidades básicas no país, com sala de amamentação, Sala Lilás para acolher mulheres em situação de violência, consultórios odontológicos e espaço para atividades em grupo. Também prevê 10 mil conjuntos de equipamentos, com 180 mil aparelhos ao todo, como eletrocardiógrafo digital, ultrassom de bolso e desfibrilador externo. O posto passa a resolver mais casos sem mandar o paciente para outro lugar.
Para o paciente que precisa de especialista, o Ministério articula a atenção primária com o Agora Tem Especialistas. As regras federais pedem que o serviço especializado troque informações com o posto, acompanhe o tempo de espera e devolva o paciente com orientação. Além disso, as equipes multiprofissionais, com fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, foram retomadas e já são 6.288 no país.
O que isso significa para quem mora na região de Guarulhos é bem direto. O posto de saúde tem equipe com menos sobrecarga, o que reduz a correria e melhora a consulta. O cadastro atualizado garante que a pessoa seja lembrada quando estiver na hora do exame ou da vacina. Os equipamentos no posto evitam deslocamentos para exames simples. E o financiamento vinculado ao resultado dá à equipe um motivo concreto para cuidar melhor de quem mora no bairro, no dia a dia.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).