Durante sete dias, a Praia de Itaúna recebeu muito mais do que baterias de surfe. O WSL REMA 2026, apresentado pela Prefeitura de Saquarema, encerrou neste domingo (20) uma edição que combinou competição internacional, skate, cinema, música, sustentabilidade, conhecimento, atividades físicas e experiências ligadas à cultura do oceano.
O surfe permaneceu no centro do festival com a realização do QS 6.000 International da World Surf League (WSL), mas a programação ocupou diferentes espaços de Itaúna e aproximou atletas, moradores, crianças da rede pública, profissionais ligados ao mar e o público que passou pelo evento ao longo da semana.
Dentro d’água, a competição avançou rodada a rodada até as semifinais e finais realizadas no domingo. Jackson Bunch (HAW) conquistou o título masculino ao superar Luke Tema (HAW), enquanto Alyssa Spencer (USA) venceu Ariane Ochoa (ESP) na decisão feminina.
Sete dias de surfe internacional em Itaúna
A competição conduziu o ritmo da semana na praia. As primeiras rodadas começaram na segunda-feira (14) e foram reduzindo as chaves até o fim de semana decisivo, quando oitavas, quartas, semifinais e finais definiram os campeões da etapa.
Mais do que receber atletas de diferentes nacionalidades, a edição marcou a entrada do REMA no calendário como um QS 6.000 International, ampliando a importância esportiva do festival e colocando em disputa pontos relevantes para as trajetórias dos surfistas nos circuitos da WSL.
As decisões encerraram uma semana de diferentes condições de mar e confrontos cada vez mais equilibrados em Itaúna, até que Bunch e Spencer deixassem Saquarema com os principais títulos da edição e alavancassem suas respectivas posições no ranking da WSL.
Skate, cinema e música levaram o festival para além das ondas
Fora do mar, o skate ganhou espaço próprio durante o fim de semana. No sábado, 14 skatistas participaram de uma disputa por equipes que reuniu Eiki Martello, Pedro Vita, Caíque Silva, Miguel Oliveira, Pit, Hugo “Shampoo” Montezuma, Waldeckson, Lucas Xaparral, Gustavo Prates, Rayan Bonato, Dexter, Vi Kakinho, Nilo Peçanha e Lucas Cofrinho. No domingo, a modalidade voltou à programação com o Best Trick, colocando a melhor manobra no centro da disputa.
O audiovisual também encontrou espaço à beira-mar com o Cine REMA by Flamboiar. A sessão reuniu produções ligadas ao surfe, ao oceano, à preservação ambiental, a viagens e a personagens que ajudam a construir a cultura da modalidade, acompanhadas por conversas que aproximaram realizadores e público.
A música completou a programação do fim de semana com apresentações de Indio e a Tribo do Reggae, Fuze, Banda Trios, O Coro, em tributo a Charlie Brown Jr., e Los Maresias, transformando o encerramento dos dias de competição em mais um ponto de encontro na Praia de Itaúna.
Oceano virou conhecimento, educação ambiental e matéria-prima
A relação com o mar também foi trabalhada longe das baterias por meio da programação de workshops do REMA. Em uma das atividades realizadas pela OceanPact, o público conheceu de maneira prática como ondas e ventos são observados e previstos, entendendo alguns dos fatores utilizados para avaliar as condições do oceano e identificar quando o mar apresenta características mais favoráveis para o surfe.
Em outra frente, OceanPact e Casa Plástica uniram sustentabilidade e educação ambiental em uma programação que impactou diretamente mais de 570 pessoas ao longo de três dias. Nos workshops da Estação de Reciclagem, realizados nos dias 17 e 18, participaram 200 alunos e 10 professores, distribuídos em quatro turmas da escola parceira, aproximando crianças da rede de ensino de Saquarema de temas como resíduos plásticos, reciclagem e preservação dos oceanos.
No sábado (19), a experiência saiu da tenda e chegou à própria areia de Itaúna com a Caça ao Tesouro Reverso. A atividade mobilizou 62 participantes, que percorreram um trecho da praia em busca de resíduos, transformando a coleta em uma ação prática de conscientização ambiental. Entre uma atividade e outra, mais de 300 visitantes também foram abordados ou demonstraram interesse pelas ações realizadas no espaço.
O reaproveitamento do plástico também ganhou forma concreta. Na preparação das ações, 4 kg de resíduos plásticos dos tipos PP e HDPE foram triados, reciclados e reutilizados para a produção de 220 raspadores de parafina e 180 chaveiros, mostrando como materiais descartados podem retornar para a cadeia em novos usos ligados ao próprio universo do surfe.
A programação ambiental ainda incluiu o plantio de 25 mudas na restinga, realizado com a participação de 25 pessoas, reforçando o cuidado com o ecossistema que cerca a Praia de Itaúna.
Praia Para Todos ampliou a experiência na areia
A programação também contou com a ação Praia Para Todos, voltada a pessoas com deficiência (PCDs). Durante o evento, o serviço esteve disponível ao público, ampliando o acesso às experiências realizadas na Praia de Itaúna e incorporando a acessibilidade à proposta do festival.
A iniciativa reforçou a intenção do REMA de construir uma programação aberta a diferentes públicos, fazendo com que a vivência da praia também pudesse ser compartilhada por pessoas que encontram barreiras de acesso a esse ambiente.
Da ideia à prancha: conhecimento compartilhado em Itaúna
A construção de uma prancha também virou ferramenta de aprendizado. Léo Neves Jr., Valentin Neves e o shaper Braz Barros participaram de uma atividade dedicada ao processo de desenvolver uma prancha do zero, aproximando o público das escolhas e etapas existentes por trás de um dos principais símbolos da cultura do surfe.
“O mais importante, para a minha concepção, é que o workshop dá um espaço para a gente mostrar para os locais o trabalho que tem sido feito aqui, na areia de Itaúna. A ação traz um pouco de representatividade, de ter gente que cresceu aqui falando sobre, traz uma originalidade no conteúdo. Eu acho que é muito importante, em todo evento de esporte, você trazer, no final do dia, as pessoas para aprenderem. Acho que workshops são uma ótima ferramenta para você ensinar as pessoas de uma forma mais lúdica e amigável. Principalmente no esporte, a criação de pranchas mostra um tópico com um pouco mais de técnica, diferente da parte legal do surfe. Então, trazer um workshop com atletas, locais, entrosando com a comunidade, eu acho que é muito importante para os eventos. Que você crie um ambiente mais amigável e convidativo para as pessoas se sentirem parte do evento. Eu acho que todo mundo aqui hoje está se sentindo parte da dinâmica, porque a gente faz um ambiente como se fossem todos amigos”, declarou Léo Neves Jr.
Movimento também fez parte da experiência
O corpo e a preparação física tiveram espaço durante a semana com atividades realizadas na própria praia. Sessões de crossfit convidaram o público a participar da programação de maneira ativa, enquanto a Monster Energy promoveu treinos funcionais inspirados em movimentos importantes para o surfe.
A marca também esteve presente com outras experiências ao longo do festival, incluindo sessões de massagem na praia e uma tenda de distribuição de Monster Energy para o público. No sábado, durante o REMA Sounds, a ativação continuou com distribuição de energético ao longo da programação musical.
Equilíbrio, mobilidade, estabilidade, explosão e condicionamento apareceram em exercícios que aproximaram o treinamento feito fora d’água das exigências encontradas sobre a prancha, enquanto as demais ações ampliaram os pontos de contato do público com a programação do festival.
As iniciativas ajudaram a tornar a experiência no REMA mais completa, permitindo que a relação com o esporte e com o lifestyle do evento acontecesse também por meio da prática, do bem-estar e da convivência na Praia de Itaúna.
Itaúna se reuniu para celebrar o legado de Léo Neves
Entre tantas atividades, um dos momentos mais simbólicos da edição aconteceu no próprio mar. Familiares, amigos, atletas e integrantes da comunidade do surfe participaram de um Paddle Out em homenagem a Léo Neves, reunindo-se em Itaúna para celebrar a trajetória e o legado do surfista.
Com a presença dos filhos Valentin Neves e Léo Neves Jr., a homenagem reforçou uma relação que permanece profundamente ligada a Saquarema. Mais do que recordar sua carreira competitiva, o momento colocou em evidência a contribuição de Léo para a formação de novas gerações e sua conexão com uma comunidade que continua encontrando no surfe um ponto de identidade.
A memória do surfista atravessou diferentes momentos desta edição do REMA, em uma homenagem construída a partir do lugar onde Léo viveu boa parte de sua história: o mar de Saquarema.
Uma semana construída junto com Saquarema
Ao reunir competições de alto nível e experiências que passaram por educação ambiental, audiovisual, música, skate e bem-estar, o REMA encerrou sua edição de 2026 reforçando a proposta de tratar o surfe não apenas como modalidade esportiva, mas como parte de uma cultura que se manifesta de diferentes formas.
Durante uma semana, Itaúna recebeu atletas internacionais ao mesmo tempo em que abriu espaço para crianças da cidade, artistas, profissionais ligados ao oceano, skatistas, moradores e visitantes.
“Essa edição mostrou muito do que queremos construir com o REMA. Tivemos uma competição internacional muito forte dentro d’água, mas também conseguimos criar experiências que falam sobre o oceano, sobre sustentabilidade, música, cinema, skate, saúde e, principalmente, sobre a relação de tudo isso com Saquarema. Ver diferentes públicos vivendo Itaúna ao longo desses sete dias reforça que o REMA pode crescer sem perder a conexão com a cultura e com a comunidade que dão sentido ao festival”, disse Gabriel Naccarato, Head de Marca do REMA.
Com o encerramento das finais neste domingo, o WSL REMA 2026 se despediu da Praia de Itaúna deixando como registro uma semana em que o esporte foi o ponto de partida, mas não o limite da experiência.