_Crédito das fotos: Samara Bastos_

Gavetas ecológicas, controle ambiental e novas tecnologias reduzem impactos em cemitérios urbanos

_Crédito das fotos: Samara Bastos_

A busca por soluções sustentáveis, cada vez mais presente em diferentes setores da economia, também começa a provocar mudanças no segmento funerário brasileiro. Em cidades densamente urbanizadas, cemitérios têm adotado tecnologias e estruturas voltadas à redução de impactos ambientais, ao melhor aproveitamento dos espaços e ao controle mais rigoroso dos resíduos gerados naturalmente nos processos de sepultamento.

Em Salvador, iniciativas desse tipo já fazem parte da realidade de cemitérios tradicionais, a exemplo do Cemitério Campo Santo, localizado no bairro da Federação. O espaço conta com soluções ecológicas e sistemas de controle ambiental voltados à preservação do solo e à gestão adequada dos processos funerários.

Tecnologia e controle ambiental – Entre as alternativas que vêm ganhando espaço no setor estão as chamadas gavetas ecológicas, desenvolvidas para reduzir riscos de contaminação ambiental e otimizar áreas cemiteriais, especialmente em grandes centros urbanos. A estrutura utiliza sistemas de vedação e controle capazes de minimizar impactos ao meio ambiente durante o processo de decomposição.

Segundo Eduardo Fernandes, gestor de projetos do Campo Santo Familiar, a sustentabilidade passou a ocupar papel estratégico no planejamento funerário moderno. “Existe hoje uma preocupação crescente com práticas ambientalmente responsáveis dentro do setor. Isso envolve desde o uso mais racional dos espaços até tecnologias voltadas à proteção ambiental e ao cumprimento de normas técnicas cada vez mais rigorosas”, afirma.

Mudança de comportamento – De acordo com Fernandes, além das exigências ambientais, a mudança também acompanha um novo perfil das famílias brasileiras. “As pessoas estão mais conscientes sobre sustentabilidade em diversas áreas da vida, e isso naturalmente chega ao momento da despedida. Há uma procura maior por informações e por alternativas que conciliam acolhimento, respeito e menor impacto ambiental”, explica.

A tendência acompanha discussões internacionais sobre sustentabilidade urbana e uso inteligente do solo em cemitérios, principalmente em cidades onde áreas disponíveis se tornam cada vez mais limitadas.

Debate deixa de ser tabu – Para Samara Bastos, gerente de marketing do Campo Santo Familiar, o tema ainda é delicado para muitas famílias, mas vem deixando de ser um tabu, sobretudo entre as gerações mais jovens. “Hoje existe uma abertura maior para conversar sobre planejamento funerário, e isso inclui questões ambientais. Muitas pessoas querem compreender como funcionam os processos e quais alternativas existem para escolhas mais conscientes”, observa.

Ela destaca que a sustentabilidade no setor funerário também envolve uma mudança cultural. “O planejamento passou a ser visto de forma mais ampla, não apenas financeira ou emocionalmente, mas também sob a ótica da responsabilidade ambiental e do cuidado com as próximas gerações”, completa.

Especialistas apontam que a adoção de soluções sustentáveis deve crescer nos próximos anos, impulsionada tanto pela demanda social quanto pelo avanço das regulamentações ambientais. Em Salvador, a presença de cemitérios históricos convivendo com desafios urbanos contemporâneos reforça a necessidade de modernização gradual do setor sem abrir mão da tradição e da memória afetiva das famílias.

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