Divulgação Hilda Medeiros

Excesso de desempenho pode
mascarar desequilíbrios internos, comprometer resultados e afetar profissionais
e empresas, segundo especialista

A
ideia de que produzir mais é sinônimo de sucesso ainda domina o mercado de
trabalho. Mas especialistas alertam que o excesso pode ter efeito contrário e
comprometer a saúde emocional e até o desempenho profissional.

Esse
fenômeno, conhecido como produtividade tóxica, não surge de forma repentina.
Ele se instala aos poucos, muitas vezes de forma silenciosa, sendo normalizado
pela rotina e até valorizado em ambientes corporativos.

Para
a terapeuta e escritora Hilda Medeiros, o problema começa na forma como as
pessoas se relacionam com o trabalho. “Vivemos um tempo em que produzir mais
ainda é confundido com produzir melhor. Mas existe uma linha sutil em que o
desempenho deixa de ser força e passa a ser risco”, afirma.

Sinais
que passam despercebidos

Segundo
a especialista, o primeiro alerta não está necessariamente no volume de
trabalho, mas na forma como ele é sentido no dia a dia.

“A
maneira como acordamos para iniciar a jornada diz mais sobre nossa saúde
emocional do que qualquer indicador de performance”, diz.

De
acordo com ela, o cansaço ocasional é natural. O problema surge quando ele se
torna constante e começa a afetar tarefas que antes eram simples.

“Quando
o entusiasmo dá lugar ao automatismo e até o descanso não recupera mais, é
sinal de que algo não está bem”, explica.

O
erro mais comum

Um
dos pontos centrais da produtividade tóxica, segundo Medeiros, é a reação
equivocada diante do desconforto.

“Muitas
pessoas, ao perceberem que algo não vai bem, não reduzem o ritmo e aumentam.
Trabalham mais, assumem mais responsabilidades e tentam compensar o que já
perdeu sustentação interna”, afirma.

Para
ela, esse comportamento mascara o problema em vez de resolvê-lo.

“É
um estado em que algo não está bem e, em vez de ser olhado, é encoberto por
mais esforço”, diz.

Cansaço
não é sinal de mérito

A
especialista também chama atenção para uma crença cultural ainda presente no
mercado: a valorização do esgotamento como prova de dedicação.

“Durante
décadas, estar exausto foi interpretado como comprometimento. Mas essa lógica
não se sustenta”, afirma.

Segundo
Medeiros, o excesso compromete funções cognitivas importantes.

“Um
cérebro cansado perde foco, reduz a qualidade das decisões, aumenta a
impulsividade e diminui a consistência dos resultados”, explica.

Impactos
dentro e fora das empresas

Os
efeitos da produtividade tóxica não atingem apenas os profissionais. Empresas
também sofrem as consequências.

Entre
os impactos estão queda de desempenho, aumento de erros, desgaste nas relações
e perda de talentos.

“Organizações
que operam nesse modelo acumulam custos invisíveis e tomam decisões menos
estratégicas”, afirma.

O
desalinhamento invisível

Para
a terapeuta, há um fator mais profundo por trás do problema: a desconexão entre
propósito, identidade e realidade.

“O
que fazia sentido no início da carreira pode não sustentar mais o momento
atual. O problema não está na mudança, mas na ausência de revisão”, diz.

Segundo
ela, quando essa atualização não acontece, surge uma ruptura interna.

“Cria-se
uma desconexão entre o que se faz, o que se sente e o que se deseja construir”,
explica.

Esse
desalinhamento pode se manifestar de diferentes formas, como cansaço constante,
ansiedade, sobrecarga e até perda de sentido, mesmo em cenários de sucesso.

“Emoções
como tristeza, medo e angústia, quando persistentes, não são fraquezas. São
sinais de que algo precisa ser revisto”, afirma.

É
possível ter sucesso sem adoecer

Diante
desse cenário, a discussão sobre produtividade ganha novos contornos. Para
Medeiros, o caminho não está em reduzir ambição, mas em integrar diferentes
dimensões da vida profissional.

“Existe
o mundo externo, feito de metas e prazos, e o mundo interno, composto por
emoções, valores e limites. Quando esses dois mundos não conversam, o desgaste
é inevitável”, diz.

Segundo
ela, carreiras sustentáveis dependem de coerência.

“Não
é o excesso que sustenta uma trajetória profissional. É o alinhamento”, afirma.

Produtividade
com equilíbrio

Para
a especialista, a alta performance não deve ser construída no limite constante.

“Alta
performance se constrói na capacidade de sustentar o próprio equilíbrio
enquanto se entrega resultado”, diz.

Ela
reforça que, quando há alinhamento, a produtividade deixa de ser um esforço
contínuo e passa a ser consequência.

“Quando
não existe, o custo aparece no tempo, nas relações, nas decisões e,
principalmente, na saúde emocional. E esse custo é alto”, conclui.

Sobre a entrevistada: Hilda Medeiros é educadora
executiva, escritora best-seller e criadora do Método L.E.G.A.D.O. Atua com
liderança, educação emocional e desenvolvimento de líderes em ambientes
educacionais e corporativos.

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