ONGs podem acessar até US$ 120 mil por ano em publicidade digital, mas benefício exige estratégia
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Organizações sem fins lucrativos podem ter acesso a até US$ 10 mil por mês em publicidade na Pesquisa Google por meio do Google Ad Grants. Mantido o benefício ao longo de 12 meses, o valor disponível pode chegar a US$ 120 mil em créditos de mídia por ano — um recurso relevante para entidades que, muitas vezes, operam com orçamentos limitados para comunicação.

O programa é oficial do Google e permite que organizações elegíveis anunciem gratuitamente na ferramenta de busca para divulgar suas causas, alcançar potenciais doadores e atrair voluntários. O próprio Google, porém, ressalta que os US$ 10 mil mensais representam um limite de orçamento e não uma garantia de utilização integral: o desempenho depende de fatores como palavras-chave, qualidade dos anúncios, segmentação e volume de pesquisas.

O tamanho do terceiro setor brasileiro ajuda a dimensionar o potencial desse tipo de iniciativa.

O Mapa das Organizações da Sociedade Civil, plataforma mantida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), reúne mais de 940 mil OSCs no país. Isso não significa que todas estejam automaticamente aptas ao Ad Grants, já que o programa possui critérios próprios de elegibilidade e verificação.

Para Nicolás Franz, fundador da Agência Whooo e especialista em marketing, um dos desafios está justamente em transformar a possibilidade de anunciar em resultado efetivo.

Segundo ele, a lógica de marketing de uma organização social não pode simplesmente reproduzir a estratégia utilizada por uma empresa tradicional.

Enquanto uma companhia normalmente mede conversão por vendas, o terceiro setor pode buscar resultados completamente diferentes, como receber uma doação, conquistar um novo voluntário, aumentar a adesão a uma causa ou ampliar a presença de determinado projeto em uma comunidade.

“É preciso entender qual é a conversão que aquela organização realmente procura.

Muitas vezes não existe uma venda. O resultado pode ser uma doação, voluntários ou simplesmente fazer com que determinada causa chegue às pessoas certas”, explica Nicolás.

Crédito não significa dinheiro na conta

Outro ponto importante é que o benefício não corresponde a um repasse financeiro para a instituição. O recurso é destinado à veiculação de anúncios dentro das ferramentas previstas pelo programa.

Além disso, existem regras para participação. O Google exige que a instituição seja reconhecida como organização sem fins lucrativos e passe pelo processo de verificação.

No Brasil, associações, fundações privadas e outras organizações da sociedade civil estão entre as categorias que podem se enquadrar, desde que cumpram as exigências do programa. Entidades governamentais, hospitais e instituições de ensino, por exemplo, possuem restrições específicas, embora braços filantrópicos de algumas dessas organizações possam ser elegíveis.

Também não basta obter a aprovação e criar anúncios. O programa estabelece requisitos para os sites das instituições e determina que as campanhas estejam diretamente relacionadas à missão da organização. O site precisa ser funcional, possuir conteúdo de qualidade e pertencer à própria entidade.

Na avaliação de Nicolás, é justamente nesse ponto que conhecimento técnico passa a fazer diferença.

A organização precisa definir o público que deseja alcançar, estruturar suas páginas, escolher buscas relevantes e, principalmente, estabelecer o que espera que a pessoa faça depois de encontrar a instituição.

“Ter acesso à ferramenta é uma oportunidade. Mas é necessário pensar em estratégia. Visibilidade pela visibilidade não necessariamente gera impacto. Para o terceiro setor, o mais importante é conectar essa presença digital aos objetivos da organização”, afirma.

Disputa por atenção também mudou

O cenário se torna ainda mais complexo com a expansão das ferramentas de inteligência artificial.

Para ele, organizações sociais e empresas começam a enfrentar um ambiente em que ser encontrado apenas em buscadores tradicionais já não é suficiente.

A Whooo trabalha com marketing e tecnologia e tem entre suas áreas de atuação o posicionamento orgânico de marcas em ferramentas de inteligência artificial, além do desenvolvimento de estratégias digitais, automações e arquitetura multiagêntica..

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