Levantamento da Macfor registra crescimento de 131% nas menções a nostalgia e alta de 48,9% nas buscas por ovos de Páscoa
Em 2025, a nostalgia foi apresentada como uma aposta das marcas. Em 2026, ela deixou de ser aposta e virou padrão. Depois de anos apostando em inovação de sabores, as marcas decidiram olhar para o passado e transformaram a memória afetiva em estratégia de marketing. Um levantamento realizado pela Macfor, agência de marketing digital full service, mostra que o interesse digital por produtos com apelo afetivo cresceu mais nesta temporada, e que o consumidor chegou à Páscoa de 2026 já sabendo o que queria encontrar.
Uma bela vitrine e a decoração interna caprichada das lojas são atrativos inegáveis para os consumidores no período pascal, mas, cada vez mais as decisões de compra de presentes são feitas com base nas buscas na internet. O volume de buscas por “ovos de Páscoa” em 2026 subiu 48,9% em relação a 2025.
Nas redes sociais, a mudança é perceptível. Em 2025, as menções a “nostalgia” e “anos 90” associadas à Páscoa cresceram 18,2%, e o alcance disparou 850,5%. Em 2026, as menções cresceram 131%, e o alcance subiu 82%. A diferença entre os dois anos indica que mais pessoas publicaram sobre o tema neste ano, com desempenho mais uniforme entre as publicações.
O comportamento de busca por produto específico confirma que o consumidor já tem referências estabelecidas em mente. O Ovo Harry Potter e o Ovo Ursinhos Carinhosos da Cacau Show lideram as buscas nostálgicas em comparação direta com produtos sem apelo afetivo, como o Ovo Bis da Lacta. Os Ursinhos Carinhosos esgotaram rapidamente em 2025 e voltaram ao catálogo em 2026. Já o Ovo Harry Potter foi descontinuado pela Cacau Show, que passou a comercializar o tema apenas em formato de tablete. Mesmo assim, os consumidores continuam buscando pelo termo “ovo Harry Potter”, o que indica que a demanda pelo produto existe independentemente do que a marca decidiu oferecer.
A nostalgia também passou a funcionar como terreno de disputa entre marcas. Desde abril de 2025, após decisão judicial em processo movido pela Cacau Show, o nome “Língua de Gato” pode ser usado por qualquer fabricante. Kopenhagen, Brasil Cacau com o produto Gato Mia e a marca Miau passaram a ocupar o mesmo espaço nas prateleiras e no digital. As buscas pelo termo, no entanto, ainda direcionam o consumidor majoritariamente à Kopenhagen, que mantém a referência no imaginário popular mesmo sem exclusividade sobre o nome.
Entre as sete marcas monitoradas, que incluem Lacta, Kopenhagen, Cacau Show, Brasil Cacau, Ofner, Garoto e Nestlé, a Cacau Show registrou o maior crescimento de buscas em 2026. Do início de sua campanha, com a primeira menção identificada em 9 de janeiro, até 17 de março, o volume cresceu 60,16%. A marca começou a aquecer a temporada ainda no período pós-Natal, antes do Carnaval, consolidando um ciclo de lançamentos que já começa a operar com lógica própria, descolada da sazonalidade convencional.
“Em 2025, a nostalgia surpreendeu. Em 2026, o consumidor já chegou esperando encontrar esses produtos. Um crescimento de 131% em menções espontâneas nas redes mostra que o tema saiu da campanha e entrou no repertório da Páscoa. Quando uma estratégia chega a esse ponto, ela deixou de ser diferencial e virou piso mínimo de expectativa”, avalia Fabricio Macias, cofundador e VP de Marketing da Macfor.
O levantamento utilizou dados do Google Trends, com volumes de busca semanais, agregados por ano, de 2023 até 17 de março de 2026, e dados de redes sociais coletados pela plataforma Brandmentions.