Montanha, estratégia e tradição do Tour de France marcam etapa de Campos do Jordão neste domingo
Street Films | On Board 360

A relação histórica entre o Tour de France e as grandes escaladas estará presente em mais uma etapa brasileira do L’Étape Brasil by Tour de France presented by Nubank. Neste domingo (27), Campos do Jordão (SP) receberá mais de 3.500 atletas para uma programação que inclui dois percursos e uma disputa exclusiva de montanha no trajeto longo.

O desafio pelo título de Rei e Rainha da Montanha será realizado em uma subida de aproximadamente 12 quilômetros, com 653 metros de ganho de altitude. O segmento apresenta inclinação média próxima dos 5,5% em alguns setores e integra a parte final do percurso de 107 km, que reúne 2.300 metros de altimetria acumulada.

Os ciclistas só chegam à escalada depois de percorrerem cerca de 87 quilômetros. A subida termina em uma região próxima dos 1.650 metros de altitude e concentra suas maiores dificuldades nos quilômetros finais.

Na primeira metade, a inclinação média fica em torno de 5%. Nos seis quilômetros seguintes, sobe para aproximadamente 6%, com setores que chegam a médias de 7,8% e 7,7%. A variação do terreno torna o gerenciamento da energia um fator importante para quem busca o melhor tempo na montanha.

Fernando Cheles, diretor técnico do L’Étape Brasil, explica que o resultado depende da maneira como o participante administra o percurso desde o início.

“A disputa de Rei e Rainha da Montanha ocorre no percurso longo e está posicionada em um momento em que o ciclista já acumulou boa parte dos 107 quilômetros. São aproximadamente 12 quilômetros de subida, 653 metros de ganho de altitude e uma inclinação que aumenta em setores importantes na parte final. Isso exige estratégia. Quem quiser buscar o melhor tempo na montanha terá de chegar a esse trecho ainda com capacidade para aumentar o ritmo”, analisa Fernando Cheles.

Somente os atletas inscritos nos 107 km poderão concorrer à classificação de Rei e Rainha da Montanha. O tempo da escalada, porém, será registrado para todos os participantes.

Uma camisa que nasceu nas montanhas

No Tour de France, a classificação de Rei da Montanha surgiu em 1933 como forma de reconhecer o desempenho dos ciclistas nas subidas. A pontuação é distribuída de acordo com a categoria das montanhas e a ordem em que os atletas alcançam determinados pontos das escaladas.

A identificação do líder passou a ser feita pela camisa branca com bolinhas vermelhas, o maillot à pois rouges, em 1975. A escolha do desenho teve relação com a marca de chocolates Poulain, que patrocinava a competição de montanha e utilizava uma embalagem branca com bolinhas vermelhas em um de seus produtos.

A estampa tornou-se, posteriormente, uma referência visual do Tour de France e dos especialistas em escaladas. A classificação também evidencia a diversidade de características do ciclismo de estrada: o atleta mais eficiente nas montanhas não é necessariamente aquele que lidera a classificação geral por tempo, representada pela camisa amarela.

O caminho até a escalada decisiva

O percurso longo começa às 6h, em Campos do Jordão, a uma altitude próxima dos 1.600 metros. Logo no início, os participantes enfrentam a região do Pico de Itapeva, no km 13, onde o trajeto se aproxima dos 1.900 metros.

O cenário muda depois dessa passagem. Uma descida prolongada leva os ciclistas pelo Portal da Entrada de Campos do Jordão e por Santo Antônio do Pinhal. O trajeto segue até o Trevo da Estrada do Machadinho x Serra Velha e chega ao retorno no Lajeado, no km 73,7.

Na volta, os atletas passam novamente pelo Trevo Machadinho x Serra Velha e alcançam uma das áreas mais baixas do circuito. A recuperação de altitude começa nesse setor e prepara o caminho para a subida que definirá os vencedores da classificação de montanha.

Por isso, o desempenho no trecho final está relacionado ao que acontece durante quase todo o percurso. A escolha do momento de se alimentar, manter a hidratação e distribuir o esforço pode fazer diferença quando a estrada volta a ganhar elevação.

Bruno Prada, CEO do L’Étape Brasil, associa a disputa à experiência de aproximar o público amador de um dos elementos tradicionais do Tour de France.

“Rei e Rainha da Montanha traduzem muito bem o que significa trazer a experiência do Tour de France para o ciclista amador. A montanha tem uma simbologia muito forte no Tour, com a camisa de bolinhas e grandes histórias construídas nas subidas. Quando levamos esse conceito para o L’Étape, aproximamos o participante dessa tradição. Ele pode disputar uma classificação de montanha dentro do seu próprio desafio e sentir um pouco do que torna o Tour de France uma referência mundial no ciclismo”, afirma Bruno Prada.

Serra Velha também estará no percurso de 66 km

A etapa de Campos do Jordão terá ainda uma opção de 66 quilômetros, com 1.300 metros de altimetria acumulada e largada prevista para as 7h20. O trajeto curto também inclui uma montanha de categoria 1, embora não ofereça a disputa específica de Rei e Rainha da Montanha.

Após sair de Campos do Jordão, o percurso passa por Santo Antônio do Pinhal (SP), por volta do km 21, e leva os atletas até uma região próxima dos 900 metros de altitude. A subida principal começa aproximadamente no km 45.

O trecho de escalada tem cerca de 12 quilômetros e termina no Topo da Serra Velha, no km 57. A montanha de categoria 1 conduz os participantes de volta a uma altitude superior aos 1.600 metros. Os nove quilômetros finais, aproximadamente, serão percorridos até a chegada em Campos do Jordão.

A programação, portanto, reúne dois desafios com montanha: o percurso longo, de 107 km e 2.300 metros de altimetria, terá a classificação de Rei e Rainha da Montanha; o curto, de 66 km e 1.300 metros de altimetria, contará com a escalada de categoria 1 da Serra Velha, sem a classificação destinada aos escaladores.

Criado no Brasil em 2015, em Cunha (SP), o L’Étape Brasil passou por Cunha e Serra Negra (SP) em 2026, antes de chegar a Campos do Jordão. Serra Negra substituiu o Rio de Janeiro (RJ) na programação do ano. O Tour de France é uma marca da A.S.O. (Amaury Sport Organisation).

As atividades do Village serão realizadas no Campos Hall, antigo Campos do Jordão Convention Center, em Capivari.

Apresentado pelo Nubank por meio da Lei de Incentivo ao Esporte e do Ministério do Esporte, o L’Étape Campos do Jordão by Tour de France 2026 tem Mitsubishi Motors, Specialized e Yopp como patrocinadores oficiais. A Tissot é o relógio oficial, a Shimano oferece o suporte oficial de bicicletas e o Hotel Toriba é o hotel oficial.

A relação de marcas oficiais inclui Açaí Conexão Amazônia, Diklatex, Frescca, La Maglia, Liquidz, Pink Cheeks, Probiótica e Tachão, além de Gregario Cycling e Fotop.

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