Depois de oito meses na volta ao mundo, dupla do Barco Brasil retorna à REFENO em barcos diferentes
Flávio Perez / On Board 360

A 37ª REFENO marca um novo momento para José Guilherme Caldas e Luiz Bolina. Poucos meses depois de concluírem uma volta ao mundo de mais de 30 mil milhas e conquistarem a categoria Sharp da Globe40 2025/2026, os dois velejadores estarão novamente juntos em uma mesma regata, mas desta vez no comando de embarcações diferentes.

A largada da prova está programada para este sábado (19), às 12h, no Marco Zero do Recife. A travessia reúne quase 100 veleiros em um percurso de aproximadamente 300 milhas náuticas, ou cerca de 560 quilômetros, até Fernando de Noronha.

José Guilherme estará no Mussulo III – Barco Brasil, enquanto Luiz Bolina comandará o Tutatis. A saída, além da disputa esportiva, contará com acompanhamento do público e programação cultural no Marco Zero.

“Voltar à REFENO depois de uma volta ao mundo tem um significado enorme para nós. Foi uma das regatas em que construímos nossa parceria, aprendemos muito sobre navegação oceânica e vivemos grandes conquistas. Agora voltamos depois da Globe40, com dois barcos do projeto e duas tripulações diferentes. É uma forma muito especial de abrir um novo capítulo do Barco Brasil”, afirma José Guilherme Caldas.

Uma regata que faz parte da história dos velejadores

A REFENO já estava presente na trajetória de José Guilherme e Bolina antes da campanha internacional. José Guilherme soma oito títulos na travessia. Bolina foi campeão com ele em 2015, 2018 e 2024, além de ter sido vice-campeão em 2022 e terceiro colocado em 2023.

Na edição de 2024, José Guilherme levou o Barco Brasil Mussulo à vitória na categoria Bra-RGS A e também terminou em segundo na classificação geral da Bra-RGS.

Em 2026, a dupla retorna com uma configuração inédita após a Globe40: cada um estará no comando de um barco do mesmo projeto, com propostas de tripulação diferentes e a experiência acumulada durante a volta ao mundo.

Experiência internacional a bordo do Mussulo III

José Guilherme terá no Mussulo III parte da equipe que participou da campanha da Globe40. Carlos Eduardo Campos Maia, Paul Peggs, Pip Hare, Marcelo Malagutti, Renato, Debora e Rodrigo integram a tripulação.

Pip Hare traz no currículo duas participações na Vendée Globe. Na edição 2020/2021, a britânica terminou a volta ao mundo em solitário, sem escalas e sem assistência, na 19ª posição. Ela também disputou a Route du Rhum, a Transat Jacques Vabre e a Rolex Fastnet Race.

Paul Peggs participou da equipe vice-campeã da Global Ocean Race 2011/2012, competição de 31.800 milhas náuticas para Class40. Também competiu na Round Britain and Ireland Race e na Rolex Fastnet Race.

O Mussulo III, um Bavaria Cruiser de 55 pés, também tem uma trajetória marcada pela REFENO. O barco já esteve em cinco edições e alcançou o pódio de sua classe em todas, além de ter participado de outras competições e travessias oceânicas.

Tutatis terá uma tripulação familiar

No outro barco do Barco Brasil, a proposta será diferente. Luiz Bolina estará no Tutatis ao lado das filhas durante o percurso de 300 milhas até Fernando de Noronha. Será sua oitava participação na REFENO.

O Tutatis é um RO 400 de 40 pés e disputará pela quarta vez a tradicional travessia. Para Bolina, a prova ocorre pouco tempo depois da experiência compartilhada com José Guilherme na Globe40.

“Depois de tudo o que vivemos na Globe40, voltar para a REFENO já seria especial. Mas desta vez vou estar com as minhas filhas a bordo, no Tutatis, enquanto o Zé estará no Mussulo. É outra forma de viver o mar e uma experiência que eu queria muito dividir com elas. A REFENO sempre trouxe momentos marcantes para mim e esta será diferente de todas as outras”, destaca Luiz Bolina.

Globe40 foi tema de encontro antes da largada

O retorno à REFENO também começou em terra. Na quarta-feira (16), José Guilherme e Luiz Bolina participaram da apresentação “Cada minuto conta: a experiência do Barco Brasil na Globe40”, no Cabanga Iate Clube de Pernambuco.

O encontro reuniu um auditório lotado e teve como temas a preparação para a volta ao mundo, a rotina a bordo e as dificuldades enfrentadas durante a competição. Os velejadores também falaram sobre planejamento, resistência, tomada de decisões e os aprendizados obtidos ao longo de milhares de milhas.

A campanha da Globe40 2025/2026 terminou com três vitórias de etapas, três segundos lugares e o título da categoria Sharp para José Guilherme e Bolina. Na classificação geral, a dupla ficou em terceiro lugar. Eles também fizeram parte do grupo reduzido de competidores que completou toda a volta ao mundo sem revezamento de velejadores.

37ª REFENO

Largada da regata: sábado (19 de setembro), às 12h
Local: Marco Zero, Recife (PE)
Chegada: Fernando de Noronha (PE)
Percurso: 300 milhas náuticas
Barco Brasil: Barco Brasil Mussulo III – Bavaria 55, comandado por José Guilherme Caldas; e Barco Brasil Tutatis – RO 400, comandado por Luiz Bolina

O projeto Barco Brasil

O Barco Brasil conquistou o título inédito da Globe40 na edição 2025/2026. A regata de volta ao mundo é apontada como o mais duro desafio em duplas do esporte mundial. A campanha será retratada no book fotográfico “Cada Minuto Conta” e em um documentário de mesmo nome, ainda a ser lançado.

O projeto tem como missão fortalecer a cultura náutica brasileira e ampliar a visibilidade da campanha de prevenção e tratamento do AVC, segunda maior causa de incapacitação física no mundo.

José Guilherme Caldas e Luiz Bolina formam o Barco Brasil. José Guilherme é Professor Livre-Docente do Departamento de Radiologia da Univesrsidade de São Paulo (USP), Chefe do Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e Coordenador Médico do Hospital Sirio Libanês. Bolina é Professor de Wingfoil e Vela Oceânica e Day Charter.

A estrutura do projeto inclui, além do Class40 151 que disputou a Globe40, o Mussulo 50, o Tutatis e um HPE25.

A próxima etapa será a formação de velejadores e velejadoras brasileiros em barcos Class40, com foco na terceira edição da Globe40, em 2028/2029. Até a próxima volta ao mundo, a intenção é ampliar a experiência dos tripulantes brasileiros em diferentes barcos e competições.

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