“Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga
Marinha”, da CompanhiaDaNãoFicção,
faz apresentações, de
15 a 18 de outubro,
no Teatro Arthur Azevedo
Com atuação de Beatriz Belintani e direção
de Fabiana Monsalú, o espetáculo coloca no foco da cena o corpo da
lésbica na sociedade
Conversa aberta ao
público com a atriz Luaa Gabanini após a apresentação.
Fotos: https://drive.google.com/drive/folders/14pdPqgP2Saj5JhN9o7Q_2_v1gQF9Hhml
Vídeos: https://drive.google.com/drive/folders/1JJR17N19eKxlAWFpo3iCmV9QHZfG2wC8?usp=sharing
Em
uma investigação sobre a proposição de uma estética
lésbica no teatro contemporâneo, a atriz e dramaturga Beatriz Belintani e a
diretora e dramaturgista Fabiana Monsalú, da CompanhiaDaNaoFicção criaram Meu
Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha.
O
solo parte da a afirmação da pensadora Monique Witing “lésbicas não
são mulheres” e convida o público para uma imersão sensível e poética,
um exercício radical de uma contra-imaginação acerca das perspectivas de
“(con)vivência”, afeto e liberdade e conceitos do feminismo e da teoria queer.
A
direção propõe um jogo cênico entre o corpo da lésbica na sociedade e a luta
pela sobrevivência das tartarugas marinhas como metáfora desse corpo e sua
maneira de sobreviver, já que esses animais nascem na terra e imediatamente correm
para o mar para viver sua liberdade.
“O
trabalho nasce do desejo e da necessidade de existirmos livres de qualquer
forma de controle social, cultural ou político. E, mais do que isso, de
vivermos em uma espécie de alegria anárquica. Por isso, escolhemos esse ser que
vive em alto-mar, zonas marítimas que não se encontram sob jurisdição de nenhum
Estado”, explica a atriz e autora Beatriz Belintani.
A
escritura cênica é alinhavada com fatos reais da história, depoimentos em
verbatim e textos de autoras latino-americanas, europeias e norte-americanas,
criando um espaço de diálogo entre o perigo iminente e a aspiração por um
futuro utópico. Entre essas pensadoras, estão Monique Wittig, Audre Lorde,
Gayle Rubin, Jota Mombaça, Simone de Beauvoir, Verónica Gago e Judith Butler.
Mais
do que nunca, em tempos que correm, é necessário encontrar o coração das
pessoas para fazer ecoar “uma visão de mundo pela qual as pessoas
desejem viver em igualdade, liberdade e justiça”, como defende a
norte-americana Judith Butler. Por isso, a dramaturgia da imagem propõe ao
espectador a experiência de uma contra imaginação.
“A
visibilidade lésbica ainda está à margem das discussões identitárias e de
diversidade, mesmo no campo das artes, por isso, a discussão é urgente e
pungente na atualidade e pede constante atualização através do pensamento e da
sensibilização poética, produzindo outros imaginarios”,
acrescenta a diretora Fabiana Monsalú.
Em
cena, o corpo da atriz, a dramaturgia da luz e do som, o vídeo mapping e a
câmera ao vivo compõem uma dramaturgia para além da palavra. Por meio da
performatividade e de uma ética da alegria, a cena amplia a discussão e
desperta os sentidos para descobrir que o que está sendo levantado diz respeito
a toda a humanidade.
Sobre
Beatriz Belintani – atriz e dramaturga
Artista
da cena e pesquisadora, transita entre as áreas de atuação e dramaturgia e
dedica-se à criação, pesquisa e prática do teatro contemporâneo com foco na
performatividade. Entre seus trabalhos mais recentes recentes estão a
peça-palestra “Meu Corpo em Terra corre para o Mar como Tartaruga Marinha” da
CompanhiaDaNãoFicção, como atriz e dramaturga, que segue em circulação; “Eu Amo
Chris – Uma pequena coleção de fracassos” (2023), como atriz-criadora junto ao
coletivo Coletivo Teatro Dodecafônico, que segue em circulação; a criação e
apresentação do podcast “Dramaturgia Expandida” (2023) no spotify; a curadoria
do Amoreiras Amoreiras – Festival LGBTQIA+ do Vale do Paraíba (1ª edição em
2022 e 2ª edição em 2025); a experiência auditiva binaural “Fim de Festa: Um
mergulho para remixar a realidade” (2021) da CompanhiaDaNãoFicção, como
assistente de direção e de dramaturgia, que segue em circulação; a peça “SÓS:
Ao cair de mim morrerei vivendo” (2021), trabalho híbrido concebido entre
teatro e vídeo é apresentado online e ao vivo, que além de atuar, também
dirigiu e escreveu com apoio da lei Aldir Blanc, e cuja dramaturgia publicou em
2022 pela editora la lettre como uma experiência de leitura-escuta.
Sobre
Fabiana Monsalú – diretora e encenadora
Diretora,
pesquisadora, atriz, curadora, formadora e fundadora da CompanhiaDaNãoFicçção.
Doutora em Estudos Artísticos Teatrais e Performativos pela Universidade de
Coimbra – Portugal, onde defendeu a tese “O Teatro Como Acontecimento
Performativo e Arte Relacional: Estratégias para Decolonizar a Criação”.
Mestre em Artes Cênicas Cênicas pela Escola de Comunicação e Artes da USP, onde
defendeu a pesquisa “O Corpo Híbrido do Ator”. Licenciada em Teatro
pela Universidade Federal da Bahia. É criadora do Método TCH no Brasil e autora
dos livros “Arte Relacional no Brasil: O que se faz-O que se come” (editora
multifoco/2022) em parceria com a artista e pesquisadora Tania Alice, “O
Corpo Híbrido do Ator: do treinamento à organicidade para outras possibilidades
da cena” (Ed. Giostri/1o edição 2014 e 2o edição 2018), e colaboradora nos
livros “Grotowski: Estados Alterados de Consciência” – org. de Joice Aglae (Ed.
Giostri) e “Poéticas do Cuidado”- org. Tania Alice (Editora
Multifoco/RJ/2025). Integrou o Núcleo de Pesquisas Teatrais, dirigido por
Cibele Forjaz por sete anos, no qual atuou nos espetáculos premiados “Álbum de
Família” e “Galileu Galilei”, ao lado de Renato Borgh, Abraão Faark e
Nilda Maria. Atuou e dirigiu mais de 30 espetáculos. Em 2021, recebeu o Prêmio
por Trajetória Artística em Direção Aldir Blanc com o espetáculo “Fim de Festa:
Um mergulho para remixar a realidade” (indicado como Melhor Espetáculo em
Espaço Alternativo pelo canal de crítica “Deus Ateu”).
Ficha Técnica
Direção e Encenação: Fabiana
Monsalú (@fabianamonsalu)
Atuação e Dramaturgia: Beatriz
Belintani (@beatrizbelintani)
Direção Vocal: Gabriela
Flores
Direção de Movimento: Fabiana
Monsalú
Cenografia e Vestuário: Fabiana
Monsalú e Marcela Mattos
Videografia: Vic von
Poser
Assistente de Videografia: Ricardo
Kenji
Desenho de Luz: Gabriela
Ciancio
Dramaturgia Sonora: Camila
Couto
Operação de Vídeo: Vic von
Poser e Ricardo Kenji
Operação de Luz: Gabriela
Ciancio e Geovanna Moreira
Operação de Som: Lana
Scott
Audiodescrição: Anderson
Nepomuceno e Vanessa Oliveira
LIBRAS: Maré
Dissidente
Assessoria de Imprensa: Adriana
Monteiro (Ofício das Letras)
Produção: Corpo
Rastreado – Letícia Alves
Realização: CompanhiaDaNãoFicção
(@companhiadanaoficcao)
Sinopse
A partir das provocações que a
performance vem fazendo ao teatro ao longo dos anos, esta peça-palestra constrói
um campo auto ficcional, a partir de documentos, relatos autobiográficos,
teoria queer e feminismos para investigar o corpo lésbica na sociedade. Tendo a
travessia das tartarugas marinhas como metáfora de sobrevivência e resistência,
a obra propõe uma experiência poética que imagina futuros possíveis marcados
pelo afeto, pela igualdade e pela liberdade.
Serviço
MEU
CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA
TEATRO ARTHUR
AZEVEDO
Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca
– São Paulo/SP
DATAS:
15 a 18 de
outubro de 2026
HORÁRIOS:
Quinta a
sábado às 20h | domingo às 19h
ACESSIBILIDADE
(AUDIODESCRIÇÃO E LIBRAS):
17 e 18 de
outubro (sábado e domingo)
VALOR DO
INGRESSO:
Gratuito –
Presencial – Distribuição 1 hora antes
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 467 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a
cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Ingressos
distribuídos gratuitamente 1 hora antes do início de cada apresentação