A edição de 2026 da campanha Setembro Dourado, mês dedicado ao diagnóstico precoce do câncer em crianças e adolescentes, foi guiada pelo tema oficial “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura. Atenção aos sinais”. A mobilização realizada a partir de uma aliança estratégica entre o Instituto Desiderata, a Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (CONIACC) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), visa fortalecer a rede de oncologia pediátrica no Brasil por meio de ações de articulação de políticas públicas, qualificação de profissionais e difusão de evidências científicas para garantir o direito à saúde e ao tratamento adequado. Ao longo do mês, a campanha nacional alcançou a adesão de mais de 100 instituições em 24 estados.
No dia 29 de Setembro, as três entidades promoveram uma aula online transmitida pelo canal do Instituto Desiderata no YouTube. Voltado a profissionais de saúde, estudantes, residentes e demais interessados no tema, o encontro contou com depoimentos de pessoas que enfrentaram o câncer na infância e adolescência e foram curadas, e compartilharam a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado. Nas falas das especialistas, foram abordados temas como o contexto epidemiológico, as especificidades da doença, seus sinais, sintomas e principais tipos de câncer da infância. O objetivo é ampliar a capacidade de suspeição clínica e capacitar os participantes a multiplicarem o aprendizado em seus espaços de atuação.
Durante o encontro, as especialistas ressaltaram que, embora a confirmação do diagnóstico exija a estrutura de um hospital especializado, a suspeição inicial pode ser feita na atenção básica por meio de exames simples e acessíveis na rotina médica, como hemograma, raio-X e ultrassom. A detecção nos estágios iniciais é muito importante quando consideramos que o câncer infantojuvenil não conta com prevenção primária. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença atinge cerca de 7.560 crianças e adolescentes por ano no Brasil e figura como a principal causa de morte por enfermidade na faixa dos 1 aos 19 anos.
Sobre o tema deste ano: ‘O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura. Fique atento aos sinais’, Carolina Mota, gerente de oncologia do Desiderata, destacou a união de esforços e os objetivos da ação, que já iluminou de dourado o Congresso Nacional e o Cristo Redentor.
“Esse tema foi pensado para fortalecer a comunicação, ampliar uma informação qualificada sobre a doença e orientar ações de conscientização para todo o país. Juntas, somamos forças e construímos uma campanha nacional baseada em evidências, em acolhimento, em esperança. Que esse movimento continue crescendo e alcançando mais pessoas.”
Presidente da CONIACC, Dra. Teresa Fonseca, aborda o desafio da desinformação entre profissionais de saúde e a importância de alertar a sociedade para agilizar o diagnóstico.
“O câncer é uma doença rara mas é a que mais mata a população de 1 a 19 anos. Aquele profissional que hoje está na linha de frente na atenção básica, possivelmente no seu curso de graduação, não teve informação sobre o câncer infantojuvenil. A arma é a prevenção secundária: diante dos primeiros sinais e sintomas, desconfiar e fazer o diagnóstico precoce.”
A oncologista pediátrica Dra. Mariana Bohns Michalowski alerta que a criança não é um adulto em miniatura e ressalta a importância de questionar queixas recorrentes.
“O sinal insiste e a gente precisa tratar o que é recorrente com uma pergunta clínica melhor. A criança não precisa ‘parecer oncológica’ na chegada para que ela mereça uma reavaliação. São três perguntas a se fazer: os sintomas são persistentes, progressivos ou peculiares? Quando as perguntas são sim a gente tem que pensar em outras opções. ”
Alerta Permanente aos Sinais da Doença
Mesmo com o encerramento das atividades do mês, as entidades reforçam que a atenção aos sinais deve ser contínua em postos de saúde, escolas e nos lares. O câncer é um conjunto de mais de 100 tipos de doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos. Manifestações clínicas como o reflexo esbranquiçado na pupila, estrabismo recente, dores de cabeça matinais acompanhadas de vômitos, aumento persistente de gânglios indolores e dores ósseas noturnas recorrentes exigem investigação clínica imediata e encaminhamento para a rede especializada.
SERVIÇO
Aula on line: https://www.youtube.com/watch?v=5n36NNogrLg
Site oficial: campanhasetembrodourado.com.br
Redes Sociais: @institutodesiderata