ESG incorpora proteção contra os efeitos do calor extremo
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O avanço das ondas de calor tem ampliado o debate sobre sustentabilidade para além da redução de impactos ambientais. À medida que temperaturas elevadas passam a representar riscos para a saúde, para a produtividade e para a infraestrutura, medidas de adaptação climática também ganham espaço na agenda social das empresas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, entre 2000 e 2019, cerca de 489 mil pessoas tenham morrido por ano em decorrência do calor no mundo. Em 2025, um relatório do Lancet Countdown divulgado em parceria com a organização apontou uma média ainda maior, de 546 mil mortes anuais relacionadas ao calor.

No Brasil, o problema também tem sua notoriedade. Nota Técnica publicada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em 2026 mostrou aumento contínuo da frequência das ondas de calor nas últimas quatro décadas, com intensificação do fenômeno em todos os Estados desde o início dos anos 2000. O órgão também aponta que os eventos tendem a se agravar em anos de El Niño, cenário que ganha importância diante da previsão de persistência do fenômeno entre 2026 e 2027.

É nesse contexto que o conforto térmico deixa de ser tratado apenas como uma questão de bem-estar e passa a ser considerado uma dimensão da proteção social. Para empresas que atuam com engenharia e isolamento térmico, a discussão envolve democratizar o acesso a soluções capazes de reduzir a exposição das pessoas ao calor, sobretudo em ambientes residenciais, comerciais e industriais. A lógica aproxima a agenda ambiental da dimensão social do ESG, ao relacionar eficiência energética, adaptação climática e proteção da população.

“Combater os impactos do calor e democratizar o acesso ao conforto térmico é parte da nossa missão. Quando falamos de isolamento térmico, não estamos tratando apenas de eficiência ou de redução do consumo de energia. Estamos falando também de proteger pessoas dos efeitos do calor extremo e preparar os ambientes para uma realidade climática que já está acontecendo”, afirma Ricardo Valentini, empresário e CEO do Grupo 3TC, engenheiro especialista em soluções contra o calor.

A dimensão social também aparece em iniciativas voltadas a comunidades expostas a temperaturas elevadas. Um exemplo é a ação realizada em João Pessoa, que levou soluções de engenharia térmica para um espaço comunitário e reforçou a discussão sobre a desigualdade no acesso a ambientes termicamente adequados. O tema ganha importância porque os efeitos do calor não são distribuídos de maneira uniforme. Idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao calor estão entre os grupos mais vulneráveis, segundo a OMS.

“Conforto térmico não pode ser visto como luxo. Em um cenário de temperaturas cada vez mais elevadas, ter um ambiente capaz de reduzir a exposição ao calor é uma questão de saúde, segurança e qualidade de vida. O nosso papel é ajudar a levar conhecimento e tecnologia para que essa adaptação também seja acessível a quem mais precisa”, afirma Valentini.

Para o setor empresarial, a discussão abre uma frente adicional dentro do ESG. A sustentabilidade passa pela redução de resíduos, pela eficiência energética e pelo desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental, mas também pela capacidade de preparar edifícios, fábricas, centros de distribuição e outros espaços para condições climáticas mais severas. No caso do isolamento térmico, a mesma solução pode contribuir para reduzir a carga térmica no ambiente, diminuir a necessidade e consumo de energia de sistemas de climatização e tornar os ambientes mais resilientes aos impactos do calor.

“O ESG precisa acompanhar os problemas que a sociedade está enfrentando. O calor extremo já deixou de ser uma preocupação exclusivamente ambiental. Ele afeta a saúde, o trabalho, a produção e a vida cotidiana. Quando uma solução de engenharia ajuda a reduzir esses impactos, ela atua simultaneamente na sustentabilidade e na dimensão social”, completa Valentini.

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