Não são todas as pessoas dependentes químicas que de fato procuram ajuda ou realizam o tratamento ideal para esse quadro. Como um exemplo dessa afirmação, segundo o estudo recente realizado pelo LENAD, 32,05% dos indivíduos que atenderam os critérios para dependência de cocaína e/ou crack disseram já ter pensado ou planejado buscar tratamento, mas apenas 11,7% chegou a receber algum tipo de atendimento ou cuidado especializado.
- Dados sobre o uso de cocaína e crack no Brasil
- Quais são os efeitos de diferentes drogas no organismo?
- Efeito da cocaína no organismo
- Efeito da metanfetamina e outras anfetaminas
- Efeito de opioides
- O papel da clínica de recuperação de drogas
- Quais são os fatores motivadores mais comuns de quem busca ajuda?
Dados sobre o uso de cocaína e crack no Brasil
Segundo o último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, publicado pelo LENAD, cerca de 9,3 milhões de brasileiros já fizeram uso de cocaína pelo menos uma vez na vida, e 1,4% da população brasileira (2,32 milhões), de crack. Esse estudo é realizado em todo o território nacional (áreas urbanas e rurais), com cidadãos de idade igual ou superior a 14 anos.
O levantamento também mostrou que o consumo da cocaína aumentou tanto no público masculino, que já representa a maior parte dos consumidores, quanto no feminino, que teve um aumento mais significativo. Nas duas últimas edições do caderno, notou-se que o início do consumo costuma começar entre os 15 e 20 anos, com destaque para a idade de 18
anos como a mais frequente.
Quase metade das pessoas que consomem essa droga relataram uso frequente (consumo diário ou mais de duas vezes por semana), o que evidencia um padrão de maior risco de complicações agudas e problemas relacionados ao uso.
Em relação ao crack, o consumo realizado por homens é majoritário, assim como a faixa etária dos usuários: o uso é maior entre os adultos. Pessoas divorciadas ou separadas e viúvas apresentaram as maiores prevalências no uso.
Quais são os efeitos de diferentes drogas no organismo?
Efeito da cocaína no organismo
Entre as manifestações neurofisiológicas e autonômicas autorrelatadas pelos usuários de cocaína, estão:
-
Aceleração intensa, agitação;
-
Aceleração cardíaca, taquicardia, suor ou tremores intensos, dores de cabeça, náuseas, dificuldade respiratória;
-
Tontura, problemas de coordenação, sensação de peso nos braços e pernas, secura na boca e na garganta, vermelhidão e irritação nos olhos;
-
Desmaio ou perdas temporárias de consciência;
-
Convulsões.
E entre as alterações relacionadas à parte neuropsiquiátricos, as mais frequentes são:
-
Ideação paranoide durante o efeito da droga;
-
distúrbios do sono
-
episódios de ansiedade exacerbada
-
Alterações emocionais intensas: depressão, irritabilidade e pensamentos suicidas —
-
perda de apetite
-
episódios de delírios e alucinações durante a intoxicação
O prejuízo no cumprimento de responsabilidades pessoais ou profissionais foi amplamente citado, um quadro que indica dependência química da substância.
Efeito da metanfetamina e outras anfetaminas
Drogas como essas atuam nos neurotransmissores ligados ao estado de alerta e sensação de recompensa (dopamina/noradrenalina) – é por isso que possuem alto potencial de dependência.
A curto prazo, seus efeitos são energia, foco e euforia, mas conforme esse uso aumenta o usuário pode sentir ansiedade intensa, irritabilidade, insônia e até sintomas psicóticos (paranoia, delírios), correndo risco de desenvolver arritmias, ter AVC e outros eventos graves.
Efeito de opioides
Drogas como heroína, morfina, oxicodona e adulterantes potentes atuam em receptores opioides e possuem alto risco de overdose por depressão respiratória. Seus efeitos de curto prazo são de alívio de dor e “anestesia emocional”, até euforia em alguns, mas a tolerância desenvolvida com o tempo e a abstinência da droga causam mal-estar intenso, ansiedade, agitação, dores no corpo e insônia.
Efeito da Cannabis
O THC é a substância encontrada dentro da Cannabis, ou como é comumente conhecida, da maconha. Ela atua no sistema endocanabinoide, que influencia humor, memória, percepção e estresse. O efeito mais procurado no uso da substância é o relaxamento, mas ela também pode causar ansiedade, pânico e piora de motivação/atenção em determinados organismos.
Em pessoas vulneráveis, pode aumentar o risco de sintomas psicóticos, e a interrupção abrupta de quem faz uso recorrente da droga pode vir com abstinência (irritabilidade, ansiedade, alterações do sono).
O papel da clínica de recuperação de drogas
A clínica de recuperação de drogas é um espaço especializado no tratamento de pessoas que enfrentam a dependência química. O suporte oferecido por lugares assim, como as Clínicas Vida Nova, englobam a parte clínico, psicológica e terapêutica em um ambiente controlado e seguro, ideal para o processo de recuperação.
É de extrema importância verificar se a clínica possui acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, desintoxicação supervisionada e atividades que visam a reinserção social do paciente. As Clínicas Vida Nova atua com base em métodos reconhecidos e individualizados, proporcionando respaldo técnico e emocional para que o paciente recupere o controle da própria vida. Essa estrutura favorece a quebra do ciclo do vício e fortalece a manutenção da sobriedade a longo prazo.
Quais são os fatores motivadores mais comuns de quem busca ajuda?
As pessoas costumam procurar a clínica quando atingem um limite que, geralmente, envolve terceiros. Por exemplo:
-
Risco de perder o emprego: quando o uso começa a afetar a produtividade ou causar faltas constantes.
-
Risco de ruptura familiar: ameaça de divórcio, proibição de ver os filhos ou perda da guarda e situações de quebra de vínculos.
-
Problemas de saúde agudos: crises de pânico, overdoses leves, surtos psicóticos ou falência de órgãos (fígado/rins).
Apesar de serem fatores relevantes para buscar ajuda, em cerca de 70% a 80% dos casos não é o dependente químico que inicia a procura pela clínica, mas sim pessoas próximas, na maior parte das vezes familiares: a mãe, a esposa ou os filhos.
A dependência química é uma doença tratável, e a possibilidade de retomar o controle da própria história é uma realidade. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza e estigmas como esse devem ser quebrados, pois prejudicam quem precisa.