Caminhos da Saúde no Vale do Ribeira: seis cidades recebem veículos para o transporte de pacientes do SUS
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Por: Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon

Barra do Turvo, Cajati, Cananéia, Iguape, Jacupiranga e Registro somam, juntas, oito veículos novos do programa Caminhos da Saúde: cinco micro-ônibus e três ambulâncias tipo A. A distribuição segue os critérios técnicos definidos pela Nota Técnica Conjunta nº 153/2026, do Ministério da Saúde, que leva em conta população, distância até o serviço de referência e vulnerabilidade social de cada município.

Barra do Turvo, Cananéia e Iguape recebem um micro-ônibus cada. Com capacidade para 29 passageiros, o veículo é indicado pelo Ministério para rotas coletivas frequentes, o perfil de deslocamento dessas três cidades, que enviam pacientes regularmente para consultas e tratamentos fora do município. Cajati e Jacupiranga recebem uma ambulância tipo A cada, reservada ao transporte individualizado de pacientes com maior restrição de mobilidade. Registro, com quase 60 mil habitantes, é a única cidade da lista a receber os dois modelos, uma ambulância e um micro-ônibus, reflexo do papel que exerce como polo de saúde da região.

O transporte desses seis municípios converge, em grande parte, para dois pontos: o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, em Pariquera-Açu, habilitado como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia, e a estrutura de saúde de Registro, que reúne o Hospital Regional de Registro e o CENON, Centro de Oncologia Radioterápica do Vale. A existência do CENON muda um trecho importante dessa rota. Até pouco tempo, pacientes do Vale do Ribeira que precisavam de radioterapia viajavam até Sorocaba ou Santos, um deslocamento que se repetia diariamente ao longo de semanas de tratamento, com o serviço disponível em Registro, esse trajeto passou a ser interno à região.

O processo começa na Unidade Básica de Saúde do município, onde são solicitados os primeiros exames. Diagnosticada a necessidade de tratamento especializado, a prefeitura insere os dados no sistema estadual de regulação, responsável por localizar a vaga no serviço de referência. A lei determina início do tratamento oncológico em até 60 dias após o diagnóstico registrado em prontuário. É nesse intervalo que a nova frota entra em ação, buscando os pacientes em casa ou em pontos de encontro definidos pela prefeitura e levando-os até Pariquera-Açu ou Registro, conforme o tratamento. Ao final do procedimento, o mesmo veículo faz o trajeto de volta.

O custeio da operação segue vinculado a recursos já existentes do Tratamento Fora do Domicílio e a recursos próprios de cada prefeitura, já que essa cota se enquadra na modalidade “outros tratamentos de saúde” do programa Agora Tem Especialistas.

Sobre os autores:

Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC).

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