Falta de clareza, processos frágeis, dificuldade de execução e falta de engajamento estão entre os principais entraves enfrentados por pequenas e médias empresas no Brasil
Crescer nem sempre significa evoluir. No cotidiano de muitas empresas, especialmente as de pequeno e médio porte, o avanço financeiro pode mascarar problemas estruturais que, ao longo do tempo, comprometem resultados, cultura organizacional e perpetuidade do negócio.
Para Eunice Vitiello, estrategista, mentora empresarial e sócia-proprietária da Imprenditore Gestão Empresarial, grande parte dessas dificuldades está menos relacionada à falta de esforço e mais à ausência de método. “As empresas, em geral, sabem o que precisa ser feito. O grande desafio está em como executar, como medir e como alinhar todo o time na mesma direção”, afirma.
Entre as dores mais recorrentes, a falta de engajamento dos colaboradores aparece como um dos principais pontos de atenção. Sem clareza sobre objetivos e propósito, equipes tendem a operar no automático, sem conexão direta com os resultados do negócio. “Quando as pessoas não entendem por que fazem, para quem fazem e onde querem chegar, o trabalho perde sentido e o desempenho naturalmente cai”, explica.
Outro obstáculo frequente é a dificuldade de implementar mudanças ou novas ferramentas de gestão. Em muitos casos, a condução do negócio permanece centralizada no dono, o que limita o crescimento e torna a operação dependente de decisões individuais. “Sem um modelo estruturado, a empresa não ganha escala. Ela apenas aumenta de tamanho, mas continua frágil na execução, assim como as constantes mudanças do mercado”, diz.
O crescimento desordenado também surge como um fator crítico. A ausência de processos bem definidos e fluxos claros impede que a empresa acompanhe sua própria evolução. Sem indicadores consistentes, torna-se difícil avaliar se há, de fato, eficiência e lucratividade. “Muitas empresas faturam, mas não sabem se são realmente lucrativas ou se estão performando acima de indicadores básicos do mercado”, pontua.
A falta de transparência e os ruídos de comunicação completam o cenário. Mesmo quando há definição de tarefas, nem sempre existe clareza sobre como executá-las ou como medir os resultados. Esse desalinhamento gera retrabalho, insegurança e perda de produtividade. “Não se trata de buscar culpados, mas de construir um ambiente onde todos saibam exatamente o que fazer, como fazer e como acompanhar os resultados”, afirma.
Segundo Eunice, a adoção de metodologias ágeis e ferramentas como OKRs tem se mostrado um caminho eficaz para enfrentar esses desafios. Ao promover clareza de metas, definição de indicadores e acompanhamento contínuo, essas práticas contribuem para alinhar equipes e dar mais previsibilidade à gestão. “Além de estruturar a execução, essa metodologia permite ganhos perceptíveis em um curto espaço de tempo. Em cerca de 90 dias, já é possível observar mudanças significativas no comportamento da equipe e na evolução de projetos que antes estavam estagnados”, destaca.
“Quando todos estão na mesma página, o ambiente muda. Há mais transparência, mais colaboração e mais responsabilidade compartilhada. Isso fortalece o engajamento e melhora a qualidade das decisões”, explica.
Na metodologia ágil, errar deixa de ser um problema e passa a fazer parte do processo de aprendizagem e inovação. “O importante é errar rápido, corrigir rápido e evoluir constantemente. Testar, monitorar, ajustar e inovar faz parte de uma gestão mais madura e eficiente”, conclui.
Em um mercado cada vez mais competitivo, empresas que estruturam sua execução com método e clareza tendem a não apenas crescer, mas sustentar esse crescimento de forma consistente e se tornarem antifrágil.
Eunice Vitiello é estrategista e mentora empresarial, sócia-proprietária da Imprenditore Gestão Empresarial. Especialista em apoiar pequenas e médias empresas na transição de modelos tradicionais para uma cultura de alta performance, atua com a implementação de metodologias ágeis e OKRs, promovendo clareza de indicadores, alinhamento estratégico e engajamento de equipes.
Graduada em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela ESPM, possui especializações em Gestão Empresarial e Empreendedorismo pela mesma instituição e em Gestão do Terceiro Setor pela FGV. É certificada em OKRCP, Gestão Ágil e Mentoring, e também idealizadora do canal Gestão Ágil, voltado à educação empresarial.