Em resumo

ANETRAMS e SINAENCO propõem ao DNIT grupo de trabalho para avaliar impactos da Reforma Tributária nos contratos de engenharia e na orçamentação.

ANETRAMS e SINAENCO articulam criação de grupo de trabalho para avaliar impactos da Reforma Tributária nos contratos de engenharia
Arquivo pessoal

Iniciativa busca promover análise técnica dos efeitos da nova legislação tributária sobre contratos e serviços de engenharia.

A Associação Nacional das Empresas de Engenharia em Infraestrutura, Transporte e Meio Ambiente (ANETRAMS) e o Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (SINAENCO) propõem ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a criação de um grupo de trabalho para avaliar os impactos da Reforma Tributária sobre os contratos de engenharia consultiva e os modelos de orçamentação utilizados pelo órgão.

A iniciativa busca antecipar os efeitos das mudanças tributárias sobre os custos dos serviços, a formação de preços e o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos públicos, além de contribuir para a atualização dos referenciais técnicos utilizados nas contratações de engenharia.

A transição para o novo sistema tributário, estabelecido pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025, exige a revisão de metodologias e procedimentos adotados pela Administração Pública. Entre os pontos de atenção estão a composição do Benefício e Despesas Indiretas (BDI), os custos diretos e indiretos, o tratamento dos créditos tributários de IBS e CBS e os critérios para análise de eventuais pedidos de reequilíbrio contratual.

Revisão do BDI e dos critérios de contratação

Entre os eixos prioritários propostos pelas entidades está a revisão da composição do BDI aplicável aos contratos de consultoria, considerando a substituição de tributos e os reflexos das novas regras sobre a precificação dos serviços técnicos especializados.

O grupo também deverá avaliar os impactos da Reforma Tributária sobre os custos e as composições referenciais utilizados pelo DNIT, bem como estabelecer critérios técnicos e fluxos administrativos para a análise de pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro decorrentes de alterações tributárias que afetem contratos em execução.

A proposta contempla ainda a adequação de editais, minutas contratuais e planilhas orçamentárias, de modo que as futuras contratações considerem o regime tributário aplicável em cada etapa da transição. A medida busca reduzir divergências de interpretação e conferir maior segurança às decisões administrativas.

Atualização do SICRO Consultoria

Outro ponto central da iniciativa é a revisão dos critérios de precificação e das metodologias do SICRO Consultoria. De acordo com o documento apresentado pelas entidades, os estudos relacionados a esses referenciais estão há aproximadamente quatro anos sem atualização.

A revisão busca adequar os parâmetros de orçamentação às condições econômicas do setor e às mudanças no sistema tributário, considerando as particularidades dos serviços de engenharia consultiva, que envolvem mão de obra qualificada, suporte técnico especializado, estrutura administrativa e custos indiretos específicos.

A atualização dos referenciais é considerada importante para garantir maior aderência entre os custos efetivos dos serviços e os valores utilizados pela Administração Pública na elaboração de orçamentos e na avaliação da exequibilidade das propostas.

Cooperação técnica e segurança jurídica

As entidades propõem que o grupo de trabalho seja coordenado pelo DNIT, com participação de profissionais das áreas de orçamento, contratos, assessoria jurídica, SICRO Consultoria, contabilidade, tributação e engenharia de custos, além de representantes do setor.

Entre os resultados esperados estão a elaboração de estudos técnicos, a identificação de lacunas operacionais, a consolidação de orientações e a definição de parâmetros para subsidiar as decisões do Departamento durante o período de transição tributária, previsto para ocorrer gradualmente entre 2027 e 2033.

A iniciativa busca evitar que os efeitos das mudanças legislativas sejam tratados de maneira fragmentada, contribuindo para a uniformidade dos procedimentos, a prevenção de conflitos e a preservação do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

Com a proposta, ANETRAMS e SINAENCO reforçam a importância do diálogo entre a Administração Pública e as entidades representativas da engenharia consultiva para aprimorar os mecanismos de contratação, atualizar os referenciais de custos e assegurar maior previsibilidade na execução dos serviços de engenharia para a infraestrutura brasileira.

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