A segunda manhã da 16ª edição do Workshop de Saúde, Segurança Ocupacional
e de Processos (WSSO), promovido pela Associação Brasileira de Metalurgia,
Materiais e Mineração (ABM), reforçou um dos principais conceitos que vêm
ganhando espaço nas indústrias de alto risco: a integração entre pessoas,
processos e tecnologia como caminho para operações mais seguras, eficientes e
sustentáveis.
A programação foi aberta com o Painel 3, “Fatores humanos na abordagem da
segurança de processos”, que reuniu profissionais de empresas como Usiminas,
Aperam e ArcelorMittal para discutir como aspectos comportamentais e
organizacionais influenciam diretamente a prevenção de acidentes e a construção
de ambientes mais seguros.
A palestra principal foi conduzida por Josué Eduardo Maia França,
professor da Petrobras, que propôs uma reflexão sobre o papel das pessoas
dentro dos sistemas produtivos complexos. Utilizando exemplos da mineração e da
siderurgia, o especialista destacou que a segurança não pode ser compreendida
apenas pela ótica tecnológica.
“Transformar um pedaço de rocha em um iPhone, um carro ou uma corrente de
bicicleta envolve processos extremamente complexos e de alto risco. Nesse
contexto, os fatores humanos não vêm para trazer respostas prontas, mas para
indicar caminhos. As pessoas não são o problema; elas são a solução”, afirmou.
Segundo Josué, a abordagem de fatores humanos exige uma visão sistêmica e
multidisciplinar, capaz de conectar indivíduos, processos e organizações.
“Vivemos em sistemas sociotécnicos cada vez mais complexos. Por isso,
precisamos enxergar as pessoas como parte fundamental da construção das
soluções e não apenas como elementos sujeitos a falhas”, destacou.
Após a palestra, uma mesa-redonda reuniu Eduardo Mussi Bueno, diretor
sênior de Energia e Utilidades da Usiminas; Fabiano Harley Araújo, engenheiro
especialista de Manutenção da ArcelorMittal; e Larissa Rodrigues de Carvalho
Rocha, gerente executiva de Gusa Verde da Aperam. O debate aprofundou a
discussão sobre liderança, cultura organizacional e aprendizado contínuo como
fatores essenciais para a segurança de processos.
Sustentabilidade
e inovação na gestão ambiental
Após o intervalo, a programação seguiu com a primeira parte do Painel 4,
“Cases de sucesso na gestão ambiental”, dedicado à apresentação de iniciativas
voltadas à economia circular, reaproveitamento de resíduos e monitoramento
ambiental.
Os participantes conheceram experiências desenvolvidas por Aperam,
Cenibra, Gerdau e Usiminas, demonstrando como a sustentabilidade tem sido
incorporada às estratégias industriais não apenas como requisito regulatório,
mas também como elemento de geração de valor.
Entre os destaques esteve a apresentação do engenheiro especialista da
Aperam, Filipe Soares Pontes, sobre economia circular como estratégia
ambiental. O executivo mostrou como a companhia tem avançado na busca por
índices cada vez maiores de reciclagem e reaproveitamento de materiais,
alinhando competitividade e redução de impactos ambientais.
Na sequência, Mariana Márcia de Melo Silva, analista ambiental da
Cenibra, apresentou iniciativas voltadas à valorização de resíduos industriais
para recuperação de áreas degradadas, demonstrando o potencial de transformação
de passivos ambientais em soluções sustentáveis.
A Gerdau também compartilhou sua experiência por meio do projeto Gêmeo de
Coprodutos, apresentado por Leonardo Rocha da Fonseca, especialista em Meio
Ambiente da companhia. A solução utiliza recursos digitais para prever a
geração de resíduos da aciaria e ampliar seu reaproveitamento em processos
produtivos, fortalecendo a gestão sustentável dos coprodutos industriais.
Encerrando o bloco, Mônica Marques Caetano de Lima, gerente sênior de
Meio Ambiente da Usiminas, apresentou a Central de Monitoramento Ambiental da
empresa, estrutura que integra diferentes sistemas de monitoramento em uma
única plataforma, permitindo acompanhamento em tempo real das emissões
atmosféricas e da qualidade do ar.
Segundo a executiva, a iniciativa representa uma evolução importante na
gestão ambiental industrial. “Quando falamos de meio ambiente, também estamos
falando de pessoas. Trazer essa discussão para um evento voltado à segurança de
processos é uma oportunidade de mostrar que o cuidado com o meio ambiente
também é uma forma de cuidado com as pessoas”, afirmou.
Mônica explicou que a central integra diferentes fontes de monitoramento
que anteriormente operavam de forma isolada. “Hoje conseguimos acompanhar, em
um único ambiente, dados relacionados às emissões internas e à qualidade do ar.
Além do monitoramento em tempo real, estamos evoluindo para modelos cada vez
mais preditivos, capazes de antecipar situações e evitar eventos ambientais”,
explicou.
A executiva também destacou que iniciativas ligadas à economia circular
geram benefícios ambientais e econômicos simultaneamente. “Quando encontramos
formas de reaproveitar resíduos, evitamos a destinação para aterros, reduzimos
o consumo de áreas para disposição e criamos oportunidades de retorno ao
processo produtivo. Isso gera ganhos ambientais, operacionais e financeiros
para as empresas”, ressaltou.
A manhã foi encerrada com uma mesa-redonda moderada por Marina Pereira
Costa Magalhães, diretora sênior de Sustentabilidade, Relacionamento
Institucional e Comunidades da Mineração Usiminas, reunindo os palestrantes
para debater desafios e oportunidades relacionados à gestão ambiental na
indústria.
Ao conectar segurança, comportamento humano, inovação tecnológica e
sustentabilidade, a programação reforçou a proposta central do WSSO 2026:
promover uma visão integrada dos desafios contemporâneos da indústria,
fortalecendo a construção de ambientes cada vez mais seguros, resilientes e
sustentáveis.
O 16º WSSO teve a Usiminas como empresa anfitriã e contou também com o
patrocínio das empresas: Danny, Crea-MG, 3M, Sodexo; Ansell, MSA, Reframax;
Dräger, Industrial Scientific, Tuboart; Aperam, C4M, Cordstrap, DuPont; General
Instruments, Gerdau, Grupo Gestor Vida, MRC, Provest, Toscafer, Vita; Cenibra,
Phoenix Global, Sankyu; e apoio da FIEMG.