Volume recorde de transações digitais amplia pressão por controles internos e fortalece papel da conciliação financeira

Volume recorde de transações digitais amplia pressão por controles internos e fortalece papel da conciliação financeira

Fernanda Leite
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Crescimento dos meios eletrônicos de pagamento e maior rigor regulatório colocam governança e compliance no centro da estratégia das empresas

O avanço acelerado dos meios digitais de pagamento no Brasil, impulsionado por PIX, cartões, e-commerce e plataformas integradas, tem elevado significativamente o volume e a complexidade das transações financeiras nas empresas. Como consequência, cresce também a pressão por controles internos mais robustos, rastreabilidade de dados e mecanismos eficazes de prevenção a riscos.

Segundo dados recentes do Banco Central, o PIX já supera bilhões de transações mensais, consolidando-se como o principal meio de pagamento do país. Paralelamente, o mercado de cartões e pagamentos eletrônicos segue em expansão, ampliando o volume de operações que precisam ser conciliadas diariamente por empresas de diferentes portes e setores.

Esse cenário foi debatido na live “Governança & Compliance x Conciliação Financeira”, promovida pela Boavista Tecnologia, que reuniu especialistas para discutir como a conciliação financeira passou a ocupar uma posição estratégica dentro das estruturas de governança corporativa.

Para Daniel de Los Angeles, executivo de Novos Negócios e Parcerias da Boavista Tecnologia, o aumento do volume transacional exige uma mudança de mentalidade nas empresas.

“Quanto maior o número de transações e a diversidade de meios de pagamento, maior o risco de inconsistências. A conciliação financeira deixa de ser uma rotina operacional e passa a ser um instrumento essencial de governança e mitigação de riscos”, afirma.

Em um ambiente de crescente complexidade operacional, o avanço das transações digitais trouxe ganhos de eficiência e escala, mas também ampliou o desafio de garantir a integridade e a precisão dos dados financeiros. Empresas que operam com múltiplos adquirentes, bancos, marketplaces e sistemas de gestão precisam consolidar informações de diferentes fontes, muitas vezes em tempo real.

Falhas nesse processo podem gerar distorções contábeis, prejuízos financeiros e riscos reputacionais, além de comprometer a conformidade regulatória.

Para Danielle Pinheiro Diógenes, especialista em Governança & Compliance e participante do debate promovido pela Boavista Tecnologia, o momento é de amadurecimento das práticas corporativas. “Não basta ter um programa de compliance formal. Reguladores e investidores exigem evidências de controle efetivo. A conciliação estruturada garante rastreabilidade, transparência e fortalece a governança na prática”, destaca.

Pressão regulatória e busca por transparência

O ambiente regulatório também tem reforçado a importância de controles financeiros consistentes. No Brasil e no exterior, autoridades vêm ampliando o monitoramento sobre instituições financeiras e empresas que operam com grande volume de recursos, exigindo maior robustez na gestão de riscos.

Além disso, relatórios recentes de consultorias internacionais indicam que as empresas estão ampliando investimentos em tecnologia para automatizar processos financeiros e implementar monitoramento contínuo, reduzindo erros operacionais e aumentando a confiabilidade das informações.

“Automatizar a conciliação reduz falhas humanas e amplia a capacidade de análise preventiva. Em um cenário de alta digitalização, a governança precisa acompanhar o ritmo da inovação”, afirma Daniel de Los Angeles, destacando que a tecnologia é parte central dessa transformação.

Mais do que atender às exigências regulatórias, os especialistas defendem que controles financeiros estruturados se tornaram um diferencial competitivo. Empresas com dados organizados e conciliados de forma consistente ganham previsibilidade, aprimoram a tomada de decisão e fortalecem a confiança de investidores e parceiros.

Para 2026, com a digitalização crescente dos pagamentos e o aumento da fiscalização, a agenda de Governança, Riscos e Compliance (GRC) deve permanecer como prioridade estratégica. O consenso entre os especialistas é que as empresas que tratam a conciliação financeira como parte central da governança e não apenas como atividade operacional, estarão mais preparadas para enfrentar a volatilidade econômica, as exigências regulatórias e o avanço contínuo da transformação digital.

Para Daniel, o caminho é claro: “A conciliação financeira precisa estar integrada à estratégia da empresa. Não se trata apenas de conferir números, mas de garantir consistência, transparência e inteligência de dados para sustentar decisões. Em um ambiente cada vez mais digital e regulado, quem estrutura bem seus controles internos, ganha segurança, competitividade e visão de longo prazo”, conclui o executivo da Boavista Tecnologia.

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