Vale-transporte “gratuito”: a falsa economia que custa caro à Empresa

Vale-transporte “gratuito”: a falsa economia que custa caro à Empresa

Fernanda Leite
3 min p/ ler 87 já leram

Por Tayane Costa(*)

Por muito tempo, a gestão do vale-transporte foi tratada como um tema secundário dentro das áreas de Recursos Humanos, muitas vezes reduzida a uma simples operação burocrática ou apresentada por fornecedores de empresas de benefícios de vale refeição, alimentação e outros como um serviço “gratuito”. Essa narrativa, no entanto, não se sustenta na prática e pode expor as empresas a riscos relevantes. O vale-transporte é uma obrigação legal, prevista na legislação trabalhista, e sua gestão envolve uma cadeia de processos que exige a máxima atenção técnica e emprego de processos e tecnologias.

Para o RH, ignorar essa complexidade é abrir espaço para falhas operacionais que podem gerar passivos trabalhistas. Por outro lado, pender o processo apenas sob a ótica do cumprimento legal sem avaliar a eficiência, o controle, a governança, abriu espaço para gastos nesta rúbrica acima do que realmente é o necessário, o legal, o suficiente.

A ideia de que a gestão do vale-transporte não tem custo costuma esconder um problema estrutural, pois não existe operação sem investimento. Quando o serviço é vendido de forma gratuita, o custo tende a aparecer de outras formas, seja por meio de baixa qualidade operacional, falta de suporte, erros recorrentes ou ausência de mecanismos adequados de controle e auditoria. Nesse modelo, a economia prometida no curto prazo pode se transformar rapidamente em retrabalho, insatisfação interna e riscos jurídicos, justamente áreas que o RH busca mitigar.

Na rotina das empresas, a gestão do vale-transporte vai muito além da simples compra de créditos. Ela envolve o cálculo correto conforme jornada e local de trabalho, antecipação dentro dos prazos legais, ajustes em casos de férias, afastamentos ou mudanças de endereço, cancelamento e reemissão de cartões, atendimento a exceções e, principalmente, a capacidade de comprovar cada etapa do processo em eventuais fiscalizações ou ações trabalhistas. Sem sistemas adequados e processos bem definidos, esses controles acabam recaindo sobre o time de RH, que passa a atuar de forma reativa, consumindo tempo que poderia ser dedicado a iniciativas mais estratégicas.

Para profissionais de Recursos Humanos, é fundamental compreender que o vale-transporte não deve ser encarado apenas sob a ótica do custo, mas como parte da engrenagem que sustenta a presença, a pontualidade e o engajamento dos colaboradores. Quando o benefício falha, o impacto é imediato no clima organizacional e na produtividade. Além disso, qualquer inconsistência pode ser interpretada como descumprimento de obrigação legal, gerando exposição trabalhista desnecessária.

Nesse contexto, a chamada “gestão gratuita” perde sentido. O que realmente importa é a eficiência, a conformidade e a previsibilidade do processo. Investir em uma gestão estruturada, com tecnologia, governança e parceiros especializados, significa reduzir riscos, ganhar transparência e liberar o RH para atuar de forma mais estratégica. A economia real não está em eliminar o custo da gestão, mas sim em evitar perdas financeiras, passivos legais e desgaste operacional ao longo do tempo.

Para o RH contemporâneo, que já lida com um ambiente regulatório complexo e com expectativas crescentes dos colaboradores, tratar o vale-transporte com seriedade é uma decisão de gestão, não apenas administrativa. Afinal, benefícios obrigatórios mal geridos deixam de ser um detalhe operacional e passam a se tornar um problema estratégico.

*Tayane Costa é CRO da Otimiza.pro | Otimiza Benefícios, que oferece soluções em Mobilidade, Vale Transporte, Benefícios e Pagamentos Corporativos

Gostou? Compartilhe com amigos!

O que você achou?

Amei 19
Kkkk 6
Triste 6
Raiva 0

Espere! Não perca isso...

Antes de ir, veja o que acabou de acontecer:

Não, obrigado. Prefiro ficar desinformado.