Tendências 2026: exagero nos procedimentos estéticos será banido

Tendências 2026: exagero nos procedimentos estéticos será banido

Guilherme Vito
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A naturalidade é a nova prioridade do mercado de estética internacional a partir deste ano, deixando para trás a era das transformações radicais, focadas em harmonizações faciais padronizadas e procedimentos que priorizam o volume. Segundo a American Society for Dermatologic Surgery, cada vez mais pacientes buscam mudanças que não sejam “exageradas” ou que pareçam “artificiais”.

A mudança faz parte de um movimento mundial de retorno à autenticidade e rejeição à obsessão pela “perfeição” e simetria, especialmente os padrões de beleza impulsionados em redes sociais, como aponta a consultoria Mintel. A busca por naturalidade acontece após anos de filtros de redes sociais e estética padronizada com lábios volumosos e maxilares definidos dominarem o imaginário coletivo.

A consequência foi o surgimento de inseguranças corporais: 67% dos usuários de mídias sociais no Reino Unido acreditam que filtros e retoques criam problemas de autoimagem, segundo a Mintel. Para responder à demanda, a indústria investe em tecnologias como a pixie plus, que combinam recursos de ultrassom e radiofrequência para resultados graduais.

Procedimentos ‘imperceptíveis’ em vez de transformações explícitas

Seguindo a linha observada entre estrelas de Hollywood e celebridades internacionais, o conceito de “beleza indetectável” tem se disseminado entre as brasileiras. Assim, a prioridade passa a ser uma aparência equilibrada.

Para o rosto, os bioestimuladores de colágeno são o destaque. A preferência é por um rejuvenescimento gradual e maior durabilidade do aspecto jovem, abandonando resultados imediatos e considerados artificiais.

Até a aplicação de botox mudou de foco: em vez da paralisação muscular, o objetivo agora é preservar a mobilidade e a suavidade. A gerente de marketing do Grupo MedSystems, Luiza Santos, explica que essa mudança reflete uma evolução tecnológica no setor.

“As tecnologias estéticas vêm sendo desenvolvidas com foco em maior controle, precisão e personalização dos tratamentos, permitindo a criação de protocolos menos invasivos e totalmente adaptados às necessidades de cada paciente.”

O objetivo é promover resultados progressivos e naturais, com menor desconforto e tempo de recuperação. Segundo Santos, plataformas que combinam diferentes terapias em um único equipamento, como o Ultraformer MPT, exemplificam essa evolução. “A ponteira ultraformer, componente intercambiável desses sistemas, permite ajustar a profundidade de atuação conforme a área tratada”, explica.

Marcas prometem beleza ‘de dentro para fora’

Também entre as principais tendências identificadas pela Mintel para 2026 está a “beleza metabólica”, movimento que desloca o foco para o bem-estar mensurável. A proposta posiciona a pele como uma espécie de “painel de controle” do corpo, tratando cosméticos como instrumentos de saúde preventiva.

Na prática, o conceito se manifesta através do crescimento da chamada “beleza ingerível”, ou seja, produtos que você pode consumir, como colágeno em pó, probióticos e misturas adaptogênicas que prometem resultados “de dentro para fora” do corpo.

Tecnologias de monitoramento metabólico e testes de biomarcadores, antes restritos a nichos, estão em migração para o mercado de massa. A Mintel projeta que, até 2030, marcas de beleza competirão com provedores de saúde no campo do cuidado preventivo.

Textura e fragrância influenciam escolha de cosméticos

Outra tendência é a sinergia sensorial, que prioriza a capacidade de produtos regularem, além da aparência, as emoções provocadas nos clientes. Alguns exemplos são texturas reconfortantes, fragrâncias terapêuticas e rituais multissensoriais.

Na China, um dos maiores mercados do mundo, dados da Mintel indicam que 76% dos usuários de produtos de beleza afirmam que a sensação na pele impacta diretamente sua experiência, enquanto 75% vinculam a textura à eficácia percebida.

Medicamentos para emagrecimento criam demanda por tratamentos faciais

O uso de medicamentos para emagrecimento rápido, como as populares “canetas”, estão criando um efeito colateral estético: a flacidez e a perda de volume no rosto. O nome informal desse fenômeno entre as equipes de estética e saúde é “derretimento facial”.

O problema acontece porque a gordura do rosto diminui junto com o resto do corpo, mas de forma acelerada, o que resulta em uma pele mais flácida. Por vezes, os pacientes se queixam de ficar com uma aparência envelhecida, em outras, afirmam “não se reconhecer no espelho”.

Para evitar essas situações, a recomendação é começar tratamentos estéticos junto com o uso do remédio para emagrecer. O tratamento combina bioestimuladores, substâncias que deixam a pele mais firme, e ácido hialurônico, para repor o volume perdido.

Brasil é terceiro maior consumidor de beleza no mundo

O Brasil é um dos protagonistas do setor global de beleza, ocupando a terceira posição entre os maiores mercados consumidores de produtos de beleza e cuidados pessoais, atrás apenas de Estados Unidos e China.

O país representa 5,8% do consumo mundial, totalizando US$ 37,4 bilhões. Na América Latina, a fatia brasileira alcança 43,4% do mercado. Os dados mais recentes são Euromonitor, divulgados em 2024.

Em procedimentos estéticos, o Brasil figura como o segundo país que mais realiza intervenções no mundo, segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps). Dados da entidade apontam o crescimento global de 33,3% nas cirurgias estéticas nos últimos quatro anos, com aumento de 18,5% em procedimentos cirúrgicos e 19,9% em não cirúrgicos.

Nacionalmente, o setor movimenta 7,1 milhões de oportunidades de trabalho, um crescimento de 16% em relação a 2023, segundo o levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As exportações atingiram US$ 884 milhões em 2024, alcançando 174 países.

Luiza Santos destaca que a personalização tem sido o principal direcionador de investimentos no setor. “A crescente demanda por personalização tem direcionado as decisões de investimento para equipamentos versáteis, tecnológicos e com alto valor agregado, capazes de ampliar o portfólio de tratamentos e atender diferentes perfis de pacientes.”

A executiva ressalta, ainda, que “a capacitação contínua dos profissionais torna-se essencial, já que a personalização exige conhecimento técnico para ajustes precisos de protocolos e melhor interpretação das necessidades individuais”.

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