Profissionais protestam contra mudança de contrato promovida pela Sesa e denunciam redução salarial, insegurança profissional e precarização do trabalho na saúde pública estadual
POR FELIPE PALHANO
Uma paralisação de uma hora realizada por técnicos de enfermagem do Hospital do Coração de Messejana, em Fortaleza, marcou a manhã desta terça-feira (19) e acendeu um alerta sobre as condições de trabalho enfrentadas pela categoria na rede pública estadual de saúde. O movimento, organizado por profissionais que atuam no equipamento vinculado à Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA), teve como principal motivação a mudança de cooperativa responsável pelos contratos dos trabalhadores, decisão que, segundo os manifestantes, ameaça a estabilidade profissional e compromete a renda dos técnicos.
O protesto ocorreu após uma decisão liminar provisória da Justiça determinar o retorno do processo licitatório relacionado à contratação dos serviços de enfermagem. Atualmente, os técnicos são vinculados à cooperativa Coaph, mas, por decisão da rede estadual de saúde, o contrato deverá passar para a Coopernordeste, cooperativa que teria apresentado valores considerados inferiores para a execução dos serviços antes mesmo da conclusão definitiva do processo judicial. A categoria afirma que a alteração contratual representa um risco direto à permanência de profissionais na atividade, sobretudo diante da possibilidade de redução significativa dos rendimentos. Para os técnicos, a mudança simboliza mais um episódio de desvalorização enfrentado pelos trabalhadores que sustentam o funcionamento diário da saúde pública.
“Estamos lutando por respeito, valorização e condições dignas de trabalho. A enfermagem sustenta diariamente o funcionamento da saúde pública e não pode continuar sendo penalizada dessa forma”, afirmou um representante do movimento durante a mobilização.
Embora o ato tenha incluído a interrupção temporária das atividades, os profissionais ressaltaram que a manifestação não teve o objetivo de prejudicar pacientes ou comprometer atendimentos essenciais. Segundo eles, o propósito foi chamar atenção da sociedade e do poder público para os impactos que a redução dos valores pagos aos trabalhadores pode gerar não apenas na vida dos profissionais, mas também na qualidade da assistência oferecida à população.
Nos bastidores da mobilização, técnicos relatam preocupação crescente com a insegurança profissional, a ausência de diálogo institucional e o temor de que a diminuição dos repasses inviabilize financeiramente a permanência de muitos trabalhadores na rede pública estadual. Entre as principais reivindicações apresentadas pela categoria estão a manutenção da atual cooperativa até uma decisão judicial definitiva, garantia de remuneração considerada digna para os técnicos de enfermagem, melhoria das condições de trabalho, abertura imediata de diálogo com os profissionais e maior valorização dos trabalhadores da saúde pública estadual.
O movimento também evidencia uma discussão mais ampla sobre a precarização dos vínculos trabalhistas na saúde e os desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem no Ceará, categoria que esteve na linha de frente durante os períodos mais críticos da pandemia e que, segundo os manifestantes, segue enfrentando instabilidade e baixa valorização.
Os técnicos afirmam que permanecerão mobilizados até que seja construída uma solução que assegure remuneração justa, melhores condições de trabalho e respeito à categoria. Até o fechamento desta edição, não havia posicionamento oficial da Secretaria da Saúde do Ceará sobre as reivindicações apresentadas pelos profissionais.