Uma pesquisa recente identificou que a pressão sobre quem ocupa cargos de liderança tem ultrapassado os limites do ambiente profissional e alcançado diretamente a saúde mental. De acordo com a Conquer In Company mostra que 88% dos gestores trabalham sob pressão constante. Entre eles, 44,6% classificam esse nível de pressão como alto ou extremo.
O cenário também revela um despreparo para o exercício da função. Segundo a pesquisa, 78% dos líderes assumiram cargos de gestão sem formação suficiente para a posição. Além disso, 70% afirmam já ter considerado abandonar o cargo em razão dos impactos sobre a saúde mental, o equivalente a sete em cada dez profissionais.
Para a psicóloga e consultora especializada em desenvolvimento de lideranças Bruna Antonucci, um dos primeiros passos é deixar de considerar a sobrecarga como uma característica natural da função. “Se tudo é prioridade, se você precisa estar disponível o tempo todo e não consegue se desligar nem fora do trabalho, é preciso reorganizar a rotina, fazer uma gestão melhor do tempo e estabelecer limites”, afirma.
A especialista também recomenda que líderes não tentem concentrar todas as responsabilidades. “Não tente resolver tudo sozinho. Peça ajuda, negocie prioridades, delegue aquilo que for necessário e sinalize as demandas que ultrapassam sua capacidade de entrega”, orienta Bruna.
Outro ponto de atenção está nos sinais que indicam que a sobrecarga já está afetando o bem-estar. Irritabilidade constante, dificuldade para dormir, cansaço persistente, perda de concentração e a vontade frequente de abandonar tudo devem ser observados. “Esses sinais merecem uma atenção importante ao autocuidado e, principalmente, é preciso procurar apoio profissional quando perceber que sozinho você não está dando conta”, diz.
A discussão ganha relevância durante o Setembro Amarelo e também no contexto da atualização da NR-1, que amplia a atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Para Bruna, a proteção não pode se restringir às equipes operacionais. “Quem normalmente é chamado para sustentar os outros, quem lidera, precisa também ter espaço para pedir ajuda, estabelecer limites e ser cuidado”, afirma.