Santos-Rio ganha importância no Brasileiro de Oceano 2026 com presença de Torben Grael
Matias Capizzano

A combinação entre tradição, alto nível técnico e uma nova configuração do campeonato coloca a 76ª Santos-Rio em evidência no calendário da vela oceânica. A regata será disputada no dia 22, em Santos/SP, e fará parte da definição do Brasileiro de Oceano 2026, promovido pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano.

Entre os nomes confirmados está Torben Grael. A bordo do Magia IV, o bicampeão olímpico tentará ampliar seu recorde na prova e chegar à nona vitória no tempo corrigido.

Torben acumula cinco medalhas olímpicas e já venceu oito vezes a Santos-Rio pelo tempo corrigido desde a década de 90. A última conquista ocorreu em 2024, quando o Magia IV terminou com o título da ORC, principal classe da vela de oceano.

“Esse recorde de oito conquistas é com certeza o resultado de uma boa preparação para a regata e, acima de tudo, de uma excelente tripulação”, destaca Torben Grael.

Além das oito vitórias no tempo corrigido, o velejador é o recordista de Fitas Azuis da competição, com sete chegadas em primeiro lugar.

A ORC, por sua vez, chega ao Brasileiro com uma flotilha de 17 equipes confirmadas, número que pode chegar a 20. O grupo inclui o Crioula 52, comandado por Eduardo Plass, atual campeão brasileiro.

O barco conquistou desde 2025 o Circuito Atlântico Sur, a Búzios Sailing Week e o tetracampeonato na Semana Internacional de Vela de Ilhabela, formando uma sequência de resultados de destaque.

Para Bayard Neto, comodoro da ABVO, o equilíbrio entre quantidade e qualidade das equipes será um dos elementos da competição.

“A flotilha da ORC no Brasileiro impressiona não só pelo número mas muito também pela qualidade: teremos equipes bem preparadas, campeões das principais regatas do país e velejadores experientes, com condições de disputar o título. O rating permite que barcos de características diferentes tenham chances reais de vitória, e isso torna o Brasileiro ainda mais interessante. Como representante da ORC no Brasil, a ABVO trabalha para fortalecer a classe e ampliar a participação nas competições. Esperamos uma disputa de alto nível, equilibrada e aberta até a última regata”, afirma Bayard Neto, comodoro da ABVO.

O interesse pela edição deste ano também aparece no número de inscritos. Faltando 15 dias para o término das inscrições, 35 barcos já estão confirmados. A marca supera os números das cinco edições anteriores e aproxima a prova de sua maior flotilha desde 2020, quando 68 embarcações participaram da 70ª edição, estabelecendo o recorde.

Pontuação será crescente no 57º Circuito Rio

A Santos-Rio integra uma programação que terá continuidade no 57º Circuito Rio, entre 30 de outubro e 2 de novembro. O campeonato é realizado pela ABVO juntamente com o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro.

A edição deste ano terá uma mudança inédita: as quatro principais classes de oceano — ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos — serão reunidas.

Também haverá alteração na distribuição dos pontos. A Santos-Rio receberá peso 1, sem possibilidade de descarte. Nas regatas seguintes, os pesos serão aumentados gradualmente, até atingir 1,7 na última prova do Circuito Rio.

O formato foi desenvolvido para prolongar a definição do campeonato até o último dia e diminuir a possibilidade de que o título seja decidido antes do encerramento. A pontuação também pretende reconhecer equipes capazes de apresentar desempenho consistente em diferentes cenários de navegação.

Inscrições e Aviso de Regata: www.sailrace.com.br

Sobre a ABVO

Criada em 1955, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é a única entidade dedicada à promoção da Vela de Oceano no Brasil. Como braço oficial da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), é responsável pela organização de competições anuais e pela contribuição ao desenvolvimento de um dos esportes mais vitoriosos do país, tanto nas classes olímpicas quanto nas não olímpicas.

A direção da entidade conta com o santista Bayard Umbuzeiro Neto como Comodoro, Torben Grael como 1º Vice-Comodoro e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como 2º Vice-Comodoro.

A gestão atual tem entre seus objetivos racionalizar e otimizar o calendário nacional, aproximar clubes para fortalecer os eventos, aumentar a presença das flotilhas regionais, prestar suporte técnico às competições, aperfeiçoar os sistemas de apuração dos resultados e colaborar para a melhoria das condições de desenvolvimento da vela oceânica no Brasil.

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