Os endereços onde Machado de Assis viveu e trabalhou no Rio de Janeiro podem ganhar novos significados como espaços de memória, cultura e turismo. A proposta será discutida na próxima terça-feira, 25 de agosto, às 10h, durante o encontro gratuito “Rio – Cidade Machadiana”, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), em sua sede, no Centro.
A iniciativa pretende recuperar a história dos imóveis relacionados à trajetória do escritor carioca e chamar a atenção do poder público para a preservação desses locais. A ideia é propor intervenções que permitam restaurar ou sinalizar os espaços, atribuir a eles funções sociais, históricas e turísticas e, ao mesmo tempo, contribuir para a revitalização de seus entornos.
A conversa terá a participação do arquiteto, urbanista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Nireu Cavalcanti, responsável por uma pesquisa que recuperou os locais onde Machado viveu na cidade. O encontro será mediado pelo vice-presidente do CAU/RJ, Carlos Abreu.
O levantamento de Nireu deu origem ao livro Machado de Assis – Caminhos de suas moradias no Rio de Janeiro, lançado recentemente. A pesquisa acompanha o deslocamento do escritor por diferentes regiões da cidade e ajuda também a contar as transformações urbanas do Rio ao longo do século XIX e início do XX.
Da região do Morro do Livramento, onde nasceu, passando por São Cristóvão, Centro, Lapa, Laranjeiras e Catete, até chegar ao Cosme Velho, onde viveu durante 24 anos com a mulher, Carolina, a geografia pessoal de Machado se mistura à própria história da cidade. Alguns dos imóveis sobreviveram, ainda que modificados; outros foram demolidos e hoje permanecem apenas como referências históricas.
Entre os endereços identificados está o sobrado da Rua da Lapa, onde Machado e Carolina viveram entre 1874 e 1876 e que ainda conserva características de sua configuração original. Já a residência do Cosme Velho, associada a uma das fases mais produtivas do escritor, foi demolida. Foi ali que Machado viveu durante décadas e produziu parte importante de sua obra.
A pesquisa também recupera a relação de Machado de Assis com o Centro do Rio, onde desenvolveu boa parte de sua vida profissional, intelectual e social. Além de escritor, jornalista e fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, Machado teve uma longa carreira como servidor público. Um dos locais destacados pelo projeto é o edifício ligado ao então Ministério da Agricultura, onde trabalhou por cerca de 35 anos.
A proposta do “Rio – Cidade Machadiana” é justamente fazer com que esses endereços deixem de ser apenas referências históricas dispersas e passem a integrar de maneira mais efetiva a memória urbana. Entre as possibilidades estão restauração, sinalização e criação de espaços culturais e de visitação, formando um percurso capaz de aproximar moradores e turistas da vida e da obra de um dos maiores escritores brasileiros.
O projeto também lança um olhar de longo prazo. A expectativa de Nireu Cavalcanti é ampliar a discussão junto ao poder público e à sociedade civil tendo como horizonte 2039, quando serão comemorados os 200 anos do nascimento de Machado de Assis.
Serviço
Conexão Técnica CAU/RJ – Rio: Cidade Machadiana
Data: 25 de agosto de 2026
Horário: das 10h às 13h
Local: Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ)
Endereço: Avenida República do Chile, 230, 23º andar – Centro, Rio de Janeiro
Participação: gratuita
Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento/conexao-tecnica-cau-rj-rio-cidade-machadiana/3515545