Quando uma lâmina decide o curso da vida: da biópsia à cirurgia oncológica, a precisão que não pode falhar

Quando uma lâmina decide o curso da vida: da biópsia à cirurgia oncológica, a precisão que não pode falhar

Samantha Di Khali
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Imprensa

O vidro é pequeno, quase banal à primeira vista: um retângulo transparente de 26 mm x 76 mm. Ele cabe na palma da mão, desliza com leveza entre os dedos, e vai repousar sob a luz fria do microscópio. Para muitos, é apenas “uma lâmina”. Para um patologista cirúrgico, também chamado de anatomopatologista, aquela peça não é um objeto inanimado. É um recorte íntimo de alguém. Um fragmento de biografia.

Para Dr.Mateus Bach Santa Catarina, patologista com atuação em oncologia, “essa lâmina nunca é só vidro: é a história clínica de alguém prestes a mudar de rumo.”

“Atrás dessa lâmina tem um paciente e tem uma família.” A frase, repetida em diferentes variações nos corredores de hospitais e laboratórios, sintetiza a essência de uma especialidade pouco conhecida fora do meio médico e absolutamente decisiva para quem aguarda um diagnóstico. Ao contrário do que o imaginário popular costuma sugerir, o patologista não vive rodeado pela morte. Na verdade, o patologista cirúrgico é, fundamentalmente, o médico dos vivos.

O trabalho dele, no cotidiano, não é determinar a causa do óbito. É determinar o curso da vida. A confusão é comum: “patologista” vira sinônimo de “perito”, “necropsia”, “médico-legista”. Mas são atuações diferentes, com objetivos e rotinas muito distintas.

O patologista forense trabalha no território da morte: investiga causas de óbito, colabora com a justiça, reconstrói acontecimentos a partir do corpo já sem vida. Seu foco é responder perguntas como: do que morreu? Quando? houve violência?

O patologista cirúrgico (anatomopatologista) trabalha no território da vida: examina tecidos retirados em biópsias e cirurgias, interpreta o que a doença está fazendo agora no organismo e orienta condutas que podem mudar um destino. Ele responde perguntas como: É câncer ou inflamação? É benigno ou maligno?Precisa operar? Precisa ampliar margem? Precisa quimioterapia? Ou só acompanhamento?

Em oncologia, a diferença entre essas respostas não é “um detalhe técnico”. É a diferença entre uma cirurgia conservadora e uma mutilação desnecessária. Entre um tratamento precoce e uma chance perdida. Entre medo e clareza.

Em um Brasil onde filas, atrasos e gargalos podem transformar um exame em sofrimento prolongado, a patologia ganha um peso ainda maior: diagnóstico rápido é tratamento oportuno. E é nesse ponto na interseção entre precisão diagnóstica, oncologia e gestão eficiente que se destaca o trabalho de Mateus Bach Santa Catarina.

No microscópio, a lâmina parece quieta, mas quem sabe ler, escuta. Médico patologista e pesquisador, Dr.Mateus tem graduação pela UFPE e residência em Patologia pela Universidade de São Paulo (USP). Mas sua trajetória não se define apenas por títulos: ela se define por impacto mensurável. Sua experiência internacional inclui observerships em instituições de referência nos Estados Unidos, como a Cleveland Clinic e o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, além de passagem por University Hospitals, ampliando repertório em áreas de alta complexidade, especialmente em oncologia e subespecialidades diagnósticas.

No Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP), um dos maiores complexos hospitalares da América Latina, Dr.Mateus viveu o coração da patologia aplicada a casos difíceis: tumores agressivos, transplantes, situações em que cada decisão exige rigor absoluto. É também nesse ambiente que o patologista aprende, na prática, a responsabilidade das congelações intraoperatórias quando o laudo não é um documento, mas uma resposta urgente para orientar o ato cirúrgico.

Na iniciativa privada, como Patologista e Gestor de Processos na Pathos Diagnósticos, seu trabalho foi além do microscópio: ele organizou o ciclo completo do diagnóstico anatomopatológico e implementou recursos de medicina personalizada, como biomarcadores, alinhando o laudo às exigências da oncologia moderna e tratamentos mais direcionados, decisões mais assertivas e menos “tentativa e erro”. Na prática, isso significou impacto direto para os pacientes: liderou a análise de 60.000 exames com foco em fluxo e qualidade, reduziu em 70% o tempo de espera pelos resultados e diminuiu em 80% as queixas, traduzindo-se em menos ansiedade, menos sensação de abandono e mais previsibilidade em um momento de fragilidade.

Mas talvez o que melhor traduza a relevância do patologista cirúrgico e o modo como Mateus representa essa profissão, seja voltar ao ponto inicial: a lâmina.

Há uma conversa constante, silenciosa, disciplinada e meticulosa entre o patologista e a biologia do paciente vivo. As células não contam histórias com palavras; contam com formas, padrões, núcleos, arquiteturas, infiltrações, pequenas pistas que se somam e conduzem à pergunta central: o que está acontecendo aqui e o que devemos fazer agora.

Humanizar a lâmina não é recurso poético: é precisão ética. Porque cada campo visual observado é, na prática, uma pessoa esperando uma resposta do outro lado da porta. Às vezes, esperando em casa, tentando manter a rotina. Às vezes, deitada em um leito, com a família tentando disfarçar a angústia. A lâmina, ali, deixa de ser “material” e vira tempo: o tempo que o paciente tem, o tempo que a doença toma, o tempo que a medicina precisa ganhar.

Em cirurgias oncológicas complexas, existe um momento em que o patologista não está “nos bastidores”. Ele está no centro da decisão.

São os exames intraoperatórios, também conhecidos como biópsias de congelação (frozen section). Enquanto o cirurgião opera, um fragmento de tecido é enviado rapidamente ao patologista. O material é congelado, cortado em lâminas finíssimas, corado às pressas, e analisado ali, em tempo real.

A pergunta não pode esperar dias. Ela precisa ser respondida em minutos. E ela costuma ser brutalmente objetiva: tem tumor na margem?isso é maligno?posso preservar este órgão?Preciso ampliar a ressecção agora?

A precisão nesse instante define o sucesso do procedimento e, muitas vezes, define também o que o paciente vai carregar pelo resto da vida: uma cura com preservação funcional ou uma intervenção mais extensa do que o necessário. Na oncologia, “acertar depois” nem sempre é uma opção. É por isso que o patologista cirúrgico não é apenas alguém que “faz laudos”. Ele é parte do tratamento.

Dr.Mateus também sustenta sua atuação em ciência: é autor de publicações sobre imunologia e patologia, com pesquisas envolvendo temas como biofilmes fúngicos e criptococose, e apresentações reconhecidas em congressos nacionais. Esse lastro acadêmico importa porque a patologia de hoje não é apenas morfologia; é integração entre microscopia, marcadores, evidência científica e contexto clínico.

A lâmina não é um vidro. A lâmina é uma espera. É uma pergunta que muda planos. É um telefonema que pode trazer alívio ou confirmar um temor. E é por isso que o patologista cirúrgico é chamado, com justiça, de médico dos vivos: porque ele não procura a causa da morte; ele procura, com rigor e responsabilidade, a resposta que orienta o tratamento, reorganiza a esperança e define o próximo passo.

No fim do dia, quando o microscópio se apaga e o laboratório silencia, o que fica não é apenas um laudo assinado. É a consciência de que, do outro lado daquela lâmina de 26 mm x 76 mm, existe alguém tentando continuar e uma família tentando respirar.

E, muitas vezes, é o diagnóstico certo, no tempo certo, que permite que a vida siga.

 

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