Por muito tempo, o brinde corporativo foi utilizado principalmente como uma ferramenta de divulgação de marcas. Nos últimos anos, porém, empresas de diferentes segmentos passaram a incorporar esses itens a estratégias mais amplas de relacionamento, utilizando-os para fortalecer vínculos com colaboradores, clientes e parceiros em diferentes momentos da jornada.
O movimento acompanha mudanças na forma como as organizações investem em experiência e reconhecimento. De acordo com Levantamento global da Promotional Products Association International (PPAI) mostra que 79% dos distribuidores registram aumento na demanda por produtos premium e marcas de varejo, impulsionado por programas de reconhecimento, gifting corporativo e iniciativas voltadas à experiência do colaborador.
“As empresas perceberam que relacionamento não se constrói apenas nos grandes momentos da jornada. Pequenos pontos de contato, quando bem planejados, têm um efeito cumulativo na percepção de marca. Um presente corporativo passou a ser um desses momentos estratégicos porque materializa atributos como cuidado, reconhecimento e proximidade”, explica Alexandre Reis, cofundador da Elo Brindes.
Na prática, essa mudança faz com que o brinde deixe de ser uma ação isolada e passe a integrar estratégias de comunicação, cultura organizacional e relacionamento. Mais do que escolher um produto, as empresas avaliam o contexto da entrega, a mensagem que desejam transmitir e a experiência que pretendem gerar.
Kits de boas-vindas para novos colaboradores, ações de reconhecimento, campanhas de fidelização e experiências voltadas a clientes tornam-se parte desse planejamento, ajudando a reforçar valores da empresa e ampliar a conexão com diferentes públicos “Uma marca não se constrói apenas na publicidade. Ela também se forma nas experiências do dia a dia, e os brindes fazem parte disso”, destaca Alexandre.
Menos quantidade, mais significado
Além de mudar o objetivo das ações, a tendência também altera a forma como as empresas investem em brindes corporativos. Em vez de priorizar apenas a quantidade de itens distribuídos, cresce a busca por produtos personalizados, úteis e alinhados ao perfil de quem recebe, privilegiando experiências com maior valor percebido.
Essa transformação aproxima áreas como marketing, recursos humanos e experiência do colaborador em torno de uma mesma estratégia: criar interações capazes de fortalecer vínculos e gerar identificação com a marca. Ao mesmo tempo, iniciativas voltadas à sustentabilidade ganham espaço, com preferência por produtos mais duráveis e funcionais. Segundo a PPAI, 40% dos distribuidores observam crescimento da demanda por produtos alinhados a critérios ambientais, indicando uma preferência crescente por soluções de maior durabilidade.
“O foco não é mais simplesmente entregar um produto. As empresas querem construir uma experiência que faça sentido para quem recebe e que represente, de forma consistente, o propósito da marca”, explica Alexandre Reis.
O avanço desse modelo também se reflete no desempenho do setor. A evolução do setor também aparece nos indicadores de mercado. Segundo estimativa da Promotional Products Association International (PPAI), a indústria global de produtos promocionais movimentou US$ 27,1 bilhões em 2025, o maior volume já registrado pela entidade, resultado atribuído ao crescimento de iniciativas ligadas ao branding, ao reconhecimento e ao fortalecimento do relacionamento entre empresas e seus públicos.
O movimento evidencia uma transformação na forma como os brindes corporativos são utilizados pelas empresas. Mais do que acompanhar tendências de consumo, essas ações passam a fazer parte de estratégias voltadas ao fortalecimento do relacionamento, à valorização das pessoas e à construção de conexões mais duradouras com diferentes públicos.