Mais do que uma questão estética, a dificuldade de se reconhecer no espelho pode desencadear alterações hormonais, aumentar o estresse e comprometer a qualidade de vida, explica o médico integrativo Dr. Cleugo Porto

“O espelho não deveria ser um lugar de julgamento, mas de reconhecimento. Quando a mulher passa a enxergar apenas defeitos, estamos diante de uma situação que pode ultrapassar a estética e impactar diretamente sua saúde física e emocional. Corpo e mente funcionam de forma integrada, e um desequilíbrio em um deles inevitavelmente repercute no outro.” A afirmação é do médico integrativo Dr. Cleugo Porto, que observa em consultório um número crescente de mulheres emocionalmente fragilizadas pela relação com a própria imagem.

Embora seja comum existir algum grau de insatisfação com a aparência, quando esse sentimento se torna constante, interfere na autoestima, nas relações sociais, no trabalho e até impede a pessoa de aproveitar momentos do dia a dia, é sinal de que a situação merece atenção. Em muitos casos, a mulher entra em um ciclo de autocrítica permanente, comparações excessivas e frustração, que favorece o desenvolvimento de ansiedade, estresse e sintomas depressivos.

Segundo o Dr. Cleugo, esse sofrimento emocional também provoca respostas fisiológicas importantes. Situações de estresse crônico estimulam a produção de cortisol, hormônio que, quando permanece elevado por longos períodos, pode favorecer maior acúmulo de gordura abdominal, retenção de líquidos, alterações do sono, aumento da compulsão alimentar e maior dificuldade para emagrecer. O organismo passa a funcionar em estado constante de alerta, tornando ainda mais difícil alcançar equilíbrio metabólico.

Esse processo cria um ciclo silencioso. A mulher se sente insatisfeita com o corpo, desenvolve estresse e ansiedade, o organismo responde com alterações hormonais que dificultam o emagrecimento e favorecem processos inflamatórios, e a piora da aparência corporal reforça novamente a insatisfação. Quanto mais esse ciclo se prolonga, maiores podem ser seus impactos sobre a saúde e a qualidade de vida.

Para o médico, alguns sinais merecem atenção especial, como evitar espelhos, deixar de frequentar ambientes sociais por vergonha do próprio corpo, viver em busca de dietas extremamente restritivas, sentir culpa constante ao se alimentar e acreditar que a felicidade só será possível após uma mudança física. Esses comportamentos demonstram que a relação com a imagem corporal deixou de ser saudável.

Dentro da medicina integrativa, o tratamento vai além da estética. O objetivo é compreender cada paciente de forma global, investigando fatores hormonais, inflamatórios, metabólicos, nutricionais e emocionais que possam estar interferindo tanto na saúde quanto na percepção da própria imagem. Quando indicado, procedimentos estéticos também podem fazer parte desse processo, mas sempre como complemento de uma abordagem mais ampla e individualizada.

“Nenhum procedimento isolado é capaz de curar uma relação adoecida com o próprio corpo. O verdadeiro tratamento acontece quando cuidamos simultaneamente da saúde metabólica, do equilíbrio hormonal, da inflamação, dos hábitos de vida e do aspecto emocional. A estética pode elevar a autoestima, mas ela precisa caminhar ao lado do cuidado integral para gerar resultados consistentes e duradouros.”, conclui o Dr. Cleugo Porto.

(Fotos: Divulgação)

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