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Em fase final, cientistas já prevêem artifícios que possam preservar os ecossistemas aquáticos há longo prazo.

Poluentes invisíveis presentes na água de rios, lagoas e áreas costeiras do estado do Rio de Janeiro estão no centro de uma pesquisa inédita que pode ajudar a proteger a biodiversidade aquática, a produção pesqueira e até a saúde humana. A iniciativa, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e financiada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), investiga os chamados “contaminantes emergentes”, substâncias químicas como resíduos de medicamentos, produtos de higiene pessoal, pesticidas e outros compostos que chegam aos ecossistemas aquáticos principalmente por meio do esgoto e do descarte inadequado.

Embora esses contaminantes já tenham sido identificados em diferentes partes do mundo, ainda existem poucas informações sobre seus impactos nos ambientes aquáticos brasileiros. A pesquisa fluminense nasceu justamente da observação feita pelos cientistas da UNIRIO sobre a presença crescente dessas substâncias em ecossistemas do estado.

O estudo mapeou os níveis de poluentes em rios, lagoas e áreas costeiras e analisou como eles afetam espécies aquáticas, incluindo organismos que vivem na natureza e também aqueles criados em sistemas de aquicultura. Além disso, os pesquisadores investigam possíveis impactos na cadeia produtiva da pesca e na segurança alimentar da população.

Segundo a bióloga Raquel de Almeida, coordenadora da pesquisa, o trabalho busca entender como esses contaminantes se acumulam no ambiente e quais consequências podem trazer para os ecossistemas e para a sociedade.

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“Esses poluentes muitas vezes passam despercebidos, mas podem provocar alterações importantes na biodiversidade aquática e até chegar ao consumo humano por meio da cadeia alimentar. Nosso objetivo é gerar dados científicos que contribuam para estratégias de monitoramento, controle e preservação ambiental”, explica a pesquisadora.

A primeira etapa da pesquisa está em fase final e já apresenta resultados considerados promissores. Além do diagnóstico ambiental, o projeto aposta no desenvolvimento de soluções sustentáveis, incluindo o uso de tecnologias inovadoras, produtos naturais e microrganismos da biodiversidade brasileira para reduzir os impactos desses contaminantes nos ecossistemas aquáticos.

“A ideia é não apenas identificar o problema, mas também buscar alternativas viáveis e sustentáveis para minimizar os danos ambientais e proteger a produção pesqueira e a qualidade da água”, destaca Raquel.

O estudo segue o conceito de “Saúde Única” (One Health), que integra saúde humana, animal e ambiental, além de dialogar com metas globais de desenvolvimento sustentável relacionadas à preservação da vida marinha, acesso à água de qualidade e segurança alimentar.

A presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Caroline Alves, ressaltou a importância de investir em pesquisas voltadas à preservação ambiental e à segurança alimentar.

“Investir em ciência é fundamental para anteciparmos problemas que impactam diretamente a saúde da população, o meio ambiente e a economia. Essa pesquisa representa um avanço importante para o estado do Rio de Janeiro, ao produzir conhecimento estratégico capaz de contribuir para políticas públicas, sustentabilidade e qualidade de vida”, afirmou Caroline Alves.

Com resultados inéditos para o estado do Rio de Janeiro, a expectativa é que os dados produzidos sirvam de base para políticas públicas, ações de conservação ambiental e fortalecimento da chamada Economia Azul, modelo voltado ao uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros.

Por que isso importa?

Os chamados contaminantes emergentes podem afetar diretamente a qualidade da água e comprometer espécies aquáticas consumidas pela população, como peixes e frutos do mar. Além dos riscos ambientais, os impactos atingem pescadores, produtores da cadeia pesqueira e comunidades que dependem economicamente desses recursos.

A pesquisa também contribui para a preservação da biodiversidade aquática e para a criação de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, ao monitoramento ambiental e ao uso sustentável dos recursos hídricos. Outro ponto importante é o desenvolvimento de estratégias inovadoras e sustentáveis capazes de minimizar os danos causados por esses poluentes invisíveis nos ecossistemas do estado do Rio de Janeiro.

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