Comprar uma casa está entre os objetivos financeiros que mais exigem planejamento. Além do valor do imóvel, quem pretende realizar esse projeto precisa considerar entrada, parcelas, documentação, impostos e despesas que surgem depois da mudança.
Por isso, a decisão não deve começar apenas pela busca do imóvel ideal. Antes de visitar casas ou apartamentos, organizar as finanças e conhecer a própria capacidade de pagamento ajuda a definir quanto é possível investir sem comprometer excessivamente o orçamento.
Nesse processo, também é importante conhecer as diferentes modalidades de crédito disponíveis no mercado. Financiamento imobiliário e home equity, por exemplo, possuem características e finalidades distintas e podem fazer parte de estratégias financeiras diferentes.
Quanto é preciso ter para comprar uma casa?
Não existe um valor único, já que o orçamento depende do preço do imóvel e das condições da operação escolhida.
Um dos primeiros passos é fazer um diagnóstico financeiro. Isso significa colocar no papel quanto entra mensalmente, quais são as despesas fixas e variáveis, dívidas existentes e quanto pode ser reservado para o projeto.
A partir daí, é possível estabelecer uma meta. Se a intenção for acumular R$ 60 mil para despesas relacionadas à aquisição, por exemplo, o planejamento deve determinar quanto será reservado mensalmente e em quanto tempo o objetivo poderá ser alcançado.
Também é recomendável manter uma margem no orçamento para despesas inesperadas. Utilizar toda a renda disponível para assumir uma prestação pode tornar as finanças vulneráveis diante de imprevistos.
Entrada não é o único gasto que deve entrar no planejamento
Um erro comum é concentrar todo o planejamento financeiro no preço anunciado do imóvel.
A compra também pode envolver gastos com documentação, impostos, registros, mudança e eventuais reformas. Depois da aquisição, despesas recorrentes como condomínio, IPTU, manutenção, seguros e contas domésticas passam a fazer parte do orçamento.
Em imóveis que precisam de melhorias, os custos podem ser ainda maiores. Pintura, móveis planejados, troca de pisos, instalações elétricas e outras intervenções podem representar uma parcela relevante do projeto.
Por isso, criar uma reserva específica para essas despesas ajuda a evitar que o novo proprietário precise recorrer a crédito de forma não planejada logo após a compra.
Organizar as dívidas pode facilitar o planejamento
Outro ponto importante é observar os compromissos financeiros já existentes.
Parcelas de veículos, empréstimos, cartão de crédito e outras dívidas reduzem o espaço disponível no orçamento para assumir um novo compromisso de longo prazo.
Antes da aquisição do imóvel, pode fazer sentido priorizar a redução de dívidas e melhorar a organização financeira. Isso não significa necessariamente quitar todos os compromissos antes de comprar uma casa, mas entender quanto da renda já está comprometida e estabelecer prioridades.
O objetivo é evitar que a realização de um projeto importante provoque desequilíbrio nas demais áreas das finanças pessoais.
Financiamento imobiliário e home equity não são a mesma coisa
Conhecer as modalidades de crédito também ajuda a evitar confusões.
No financiamento imobiliário, o crédito está diretamente relacionado à aquisição do imóvel. Já o home equity, também chamado de crédito ou empréstimo com garantia de imóvel, funciona de outra maneira: o cliente utiliza um imóvel que possui como garantia para obter recursos.
Por isso, o home equity não deve ser entendido simplesmente como um substituto do financiamento para alguém que ainda não possui patrimônio imobiliário para oferecer como garantia.
Ele pode, entretanto, fazer parte de uma estratégia financeira de pessoas que já possuem um imóvel e precisam de recursos para outros projetos, inclusive relacionados ao patrimônio, como reformas, construção ou reorganização financeira.
Como funciona o home equity da CashMe?
A CashMe, fintech do Grupo Cyrela, é especializada em Crédito com Garantia de Imóvel. Na modalidade, um imóvel é apresentado como garantia da operação e passa por avaliação, enquanto o cliente também passa pelas etapas de análise necessárias para a contratação.
Segundo as condições divulgadas pela CashMe, o crédito pode variar de R$ 50 mil a R$ 25 milhões, com possibilidade de liberação de até 60% do valor do imóvel.
Na prática, considerando apenas esse limite percentual, um imóvel avaliado em R$ 1 milhão poderia permitir um crédito de até R$ 600 mil. O valor efetivamente aprovado depende da análise e das condições da operação.
Outro ponto é o prazo, que pode chegar a 240 meses, ou 20 anos. A modalidade está disponível para pessoas físicas e jurídicas.
Os recursos possuem uso livre. Assim, quem contrata não precisa necessariamente utilizar o dinheiro no imóvel oferecido como garantia.
Para que o crédito com garantia de imóvel pode ser utilizado?
Essa característica amplia as possibilidades de utilização do home equity.
Uma família que já possui um imóvel, por exemplo, pode avaliar o crédito para realizar uma reforma de maior porte, investir em outro projeto ou reorganizar compromissos financeiros.
Empreendedores também podem utilizar recursos para necessidades relacionadas ao negócio, desde que a contratação faça sentido diante de sua situação financeira e das condições oferecidas.
A CashMe informa que já originou R$ 6 bilhões em crédito, atendeu mais de 9 mil clientes e possui atuação em todo o Brasil.
A empresa atua como correspondente bancário de instituições financeiras. Conforme informado pela CashMe, as instituições financeiras parceiras que figuram como credoras nas operações são a BMP Sociedade de Crédito Direto S/A e a OXY Companhia Hipotecária.
Crédito exige planejamento de longo prazo
Ter um imóvel disponível como garantia não significa que contratar crédito seja automaticamente a melhor alternativa.
No home equity, o patrimônio está vinculado à operação. Por isso, antes da contratação, é importante analisar taxas, prazo, parcelas, custo efetivo total e capacidade de pagamento.
O mesmo princípio vale para o financiamento utilizado na aquisição de uma casa. Uma parcela que cabe no orçamento atual precisa continuar sustentável diante das demais despesas e dos possíveis imprevistos ao longo dos anos.
Comparar alternativas e fazer simulações permite visualizar diferentes cenários antes de assumir uma obrigação financeira.
Comprar uma casa começa antes da assinatura do contrato
O planejamento para comprar um imóvel começa muito antes da escolha das chaves.
Mapear receitas e despesas, criar uma reserva, definir quanto pode ser destinado mensalmente ao projeto e considerar os custos adicionais da aquisição são etapas que ajudam a tomar decisões mais conscientes.
Também é importante compreender para que serve cada modalidade de crédito. Enquanto o financiamento imobiliário está associado diretamente à aquisição, o home equity permite que quem já possui um imóvel utilize parte do valor desse patrimônio como garantia para acessar recursos.
Independentemente da alternativa escolhida, o crédito deve fazer parte de um planejamento maior. Afinal, mais importante do que simplesmente conseguir comprar ou investir em um imóvel é manter as finanças organizadas durante todo o período necessário para transformar esse patrimônio em parte sustentável da vida financeira.