Pesquisa da Wolters Kluwer aponta papel das bibliotecas na formação médica em meio à transformação digital

Pesquisa da Wolters Kluwer aponta papel das bibliotecas na formação médica em meio à transformação digital

André Lucca Módica
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  • Estudo ouviu gestores de bibliotecas de instituições de ensino superior e identificou que 98,5% das escolas médicas já utilizam pelo menos uma plataforma de suporte à decisão clínica
  • Em meio às transformações digitais que ocorrem na área da
    saúde, os cursos de medicina também acompanham essa tendência, incorporando
    cada vez mais as tecnologias que são utilizadas no dia a dia dos médicos e
    profissionais da área à rotina dos universitários. É o que revela a nova
    pesquisa “O papel das
    bibliotecas na formação médica em tempos de saúde digital
    ”, produzida pela Wolters Kluwer Health, que
    traz um panorama inédito sobre como as bibliotecas universitárias apoiam esse
    processo.

    O estudo, que ouviu gestores de bibliotecas de 66
    instituições públicas e privadas, em todo o Brasil, que contam com o curso de
    medicina, revela a relevância desses espaços na consolidação da Medicina Baseada em Evidências
    (MBE)
    e os desafios para ampliar o uso das ferramentas digitais
    disponíveis.

    A pesquisa identificou que 98,5% das escolas de medicina
    entrevistadas já utilizam pelo menos uma plataforma de conhecimento clínico
    para dar suporte às decisões, com destaque para o UpToDate®,
    apontado por 81,8% das instituições como a solução mais relevante. O acesso
    remoto se consolidou como prática majoritária em 83,3% das universidades,
    permitindo consulta integral às bases digitais fora do ambiente físico. Quanto
    aos periódicos, 81,8% das bibliotecas mantêm conteúdos digitais com acesso
    remoto e 78,8% oferecem acesso aberto, ampliando a diversidade de fontes
    disponíveis.

    Apesar desses avanços, o uso pleno ainda é limitado. Embora
    74% das instituições indiquem acesso diário às plataformas pelos estudantes,
    60,6% dos gestores avaliam que os recursos permanecem subutilizados. Questões
    como a ausência de treinamentos regulares, presente em um terço das
    instituições, e a centralização de decisões de aquisição fora das bibliotecas
    foram apontadas como barreiras recorrentes. Em 73% das universidades, os
    bibliotecários participam das decisões em conjunto com coordenações, mas apenas
    15% têm autonomia total na escolha de conteúdos.

    De acordo com a Head de Estratégia para Mercados
    Internacionais da Wolters Kluwer Health, Natália Cabrini, os resultados
    reforçam o papel estratégico desses espaços. “As bibliotecas universitárias são
    fundamentais para a formação médica baseada em evidências e precisam ser
    fortalecidas para que os estudantes tenham acesso qualificado às informações
    que vão embasar sua futura prática clínica”, afirma.

    Estrutura das bibliotecas e perfil dos estudantes

    As bibliotecas dedicadas ao curso de medicina ainda variam
    em estrutura e acervo. O levantamento mostra que 39,4% das instituições contam
    com bibliotecas exclusivas para medicina, 28,8% possuem seções específicas e
    31,8% compartilham espaços com outros cursos. Quanto ao acervo, 27,3% das
    instituições mantêm mais de 10 mil itens voltados à medicina, 28,8% possuem
    entre 5 e 10 mil, enquanto 43,9% contam com coleções de até 5 mil materiais.

    Os estudantes também apresentam perfis distintos em relação
    ao uso das tecnologias. Para 51,5% das bibliotecas, o conhecimento tecnológico
    é considerado mediano e para 47% é classificado como alto. Para proporcionar
    avanço nesse processo, treinamentos regulares são oferecidos em 67% das
    instituições.

    Para Natália, o fortalecimento da formação médica exige
    investimento contínuo em estrutura e capacitação. “Instituições que oferecem
    acesso remoto irrestrito, mantêm bibliotecas exclusivas e realizam treinamentos
    regulares alcançam índices mais consistentes de engajamento dos estudantes com
    os conteúdos digitais”, explica.

    Outro ponto destacado é a valorização dos profissionais da
    informação, responsáveis pela curadoria e atualização dos acervos. “Reconhecer
    o papel estratégico do bibliotecário e integrá-lo ao processo pedagógico é
    fundamental para garantir que o conhecimento científico esteja sempre acessível
    e atualizado”, complementa a executiva.

    A pesquisa, concluída em 2025, foi realizada por meio de
    questionário online com 22 perguntas distribuídas em sete blocos temáticos. A
    amostra contemplou instituições públicas e privadas de todas as regiões do
    país, de diferentes portes e modelos de gestão.

    A pesquisa completa pode ser acessada clicando aqui.

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