Uma nova pesquisa AtlasIntel realizada entre os dias 22 e 25 de maio, evidencia interesse eleitoreiro da proposta em aprovar a proibição da escala 6×1.
A maioria dos ouvidos na pesquisa diz esperar que o Congresso vote a proposta com estudos sobre os impactos
A nova pesquisa nacional AtlasIntel em parceria com o jornal A Tarde mostra que o apoio popular ao fim da escala 6×1 segue em queda no Brasil, mesmo com a proposta ainda mantendo ligeira maioria formal.
Os dados reforçam um movimento consistente de desgaste observado nas últimas semanas e indicam descompasso entre a pressa no Congresso e a evolução da opinião pública.
O levantamento mais recente aponta que 56,2% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1. Embora o número ainda represente a maioria, ele confirma uma trajetória clara de erosão. Em março deste ano, pesquisas registravam apoio de até 73%, na pesquisa Datafolha feita em março. Esse patamar caiu gradualmente para cerca de 64% no início de maio, no mesmo instituto de pesquisa.
A trajetória mostra que a proposta perde força à medida que o debate avança. No fim de abril, a própria AtlasIntel já havia captado esse movimento, com apoio de 59,4%, indicando que o entusiasmo inicial não se sustenta quando a discussão passa a incorporar possíveis impactos econômicos.
Os dados mais recentes ajudam a explicar essa mudança. Entre os brasileiros que hoje se declaram favoráveis ao fim da escala 6×1, apenas metade manteria essa posição caso a medida provoque aumento de preços, desemprego ou fechamento de empresas. Uma parcela relevante afirma que pode rever sua posição diante desses efeitos, revelando que a maioria atual é instável e sujeita a rápida reversão.
A percepção de custos é central nesse movimento. A população tende a associar a redução da jornada ao aumento dos custos operacionais das empresas, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio e serviços. Esse entendimento se traduz em expectativas concretas: aumento de preços, redução de horários de funcionamento e perda de empregos aparecem entre as principais consequências apontadas.
Para o presidente da Abrasel Leste Fluminense-RJ, Sandro Pietrobelli, os dados mostram que a sociedade está avançando no debate e passando a fazer perguntas mais concretas sobre a proposta. “Gradativamente as pessoas começam a compreender os impactos, deixam de olhar só para o benefício imediato e passam a se perguntar quem paga essa conta e como os serviços vão funcionar”, afirma.
Ele também destaca que há um desalinhamento entre o ritmo da política e o da opinião pública. “O Congresso acelera a votação enquanto o apoio está em retração e condicionado. Esse não é um tema que comporta decisões rápidas sem que a sociedade compreenda plenamente as consequências. Os próprios dados mostram que, quando os impactos são apresentados, o apoio diminui de forma significativa”.
Sandro Pietrobelli explica que “o governo tem plena consciência desta diminuição rápida do apoio e, de maneira irresponsável, tenta avançar com a votação sem que a população tenha amplo conhecimento dos custos envolvidos. Na prática, já está claro que, diante desses custos, parte relevante da sociedade não apoiaria a proposta. Há uma pergunta simples que ninguém favorável à medida respondeu ainda: por que a proibição de se trabalhar seis dias da semana não existe em nenhum outro país do mundo?”.
Outro fator que pesa na queda do apoio é a resistência dos próprios consumidores. A maioria dos brasileiros afirma que não está disposta a pagar mais caro por produtos e serviços em troca de jornadas menores. Na prática, isso reforça a percepção de que a conta da mudança recairá sobre o consumidor final, contribuindo para a perda de apoio automático à proposta.
A pesquisa também indica que a população prefere cautela. A maioria (53%) defende que mudanças na jornada de trabalho sejam aprovadas apenas após estudos de impacto econômico. Além disso, prevalece a visão de que, se a medida for aprovada, deve haver uma transição gradual e mecanismos de adaptação para diferentes setores.