A população da região de Perus, na zona noroeste da capital paulista, iniciou uma forte mobilização contra a possibilidade de instalação de uma usina de incineração de resíduos na área do antigo Aterro Sanitário Bandeirantes. O projeto é atribuído à empresa LOGA – Logística Ambiental de São Paulo, responsável pela coleta e gestão de parte dos resíduos sólidos da cidade.
Nos últimos dias, moradores de bairros do entorno — incluindo Perus, Jaraguá, Anhanguera e comunidades próximas ao antigo aterro — intensificaram manifestações nas redes sociais, grupos comunitários e páginas locais da internet, demonstrando grande preocupação com os possíveis impactos ambientais e de saúde que poderiam surgir com a implantação de um incinerador de lixo na região.
A proposta em análise prevê a instalação de uma Unidade de Recuperação Energética (URE) no local onde funcionou por décadas o Aterro Bandeirantes, um dos maiores da América Latina, desativado após atingir sua capacidade máxima. O empreendimento teria capacidade de processar aproximadamente 1.000 toneladas de resíduos por dia, com geração estimada de cerca de 34 megawatts de energia elétrica.
Apesar de os defensores do projeto apontarem a geração de energia e a redução do volume de resíduos destinados a aterros como benefícios, moradores afirmam que ainda existem muitas dúvidas sobre os efeitos ambientais da queima de lixo, especialmente quanto às emissões atmosféricas.
Estudos ambientais do próprio empreendimento mencionam a necessidade de monitoramento constante de substâncias como dioxinas, furanos e metais pesados, além do uso de reagentes como amônia, cal e carvão ativado no sistema de tratamento de gases. Também está prevista a geração de resíduos resultantes do processo de incineração, como cinzas de fundo e cinzas volantes, que teriam destinação final em aterros industriais licenciados.
Essas informações têm gerado apreensão entre moradores e lideranças comunitárias da região.
Mobilização crescente
Nos últimos dias, uma onda crescente de mobilização digital tem tomado conta de redes sociais, páginas comunitárias e grupos locais. Vídeos, textos e convocações circulam amplamente na internet pedindo que a população compareça em peso à audiência pública que discutirá o projeto.
Moradores afirmam que a presença popular será decisiva para demonstrar aos órgãos ambientais que existe resistência ao empreendimento.
“Não é apenas um debate técnico. É o futuro da saúde e da qualidade de vida de milhares de famílias que vivem nessa região”, afirmou um morador que participa das articulações comunitárias.
Lideranças locais dizem que a mobilização tem crescido rapidamente e que há uma expectativa de grande comparecimento da população.
Audiência pública deve ser palco de forte debate
A audiência pública que discutirá o projeto está prevista para o dia 31 de março, e deverá reunir representantes da empresa, técnicos responsáveis pelo estudo ambiental, autoridades e moradores da região.
A expectativa é de que o encontro seja marcado por forte participação popular, já que diversas organizações comunitárias, movimentos sociais e moradores têm convocado a população para acompanhar e se manifestar.
Nos bastidores, também começam a surgir articulações jurídicas. Moradores afirmam que advogados, entidades e associações já discutem estratégias para levar questionamentos ao Ministério Público e ao Judiciário, caso o processo de licenciamento avance sem o que consideram esclarecimentos suficientes.
Região já convive com histórico ambiental sensível
Outro ponto frequentemente citado pelos moradores é o histórico ambiental da área. O antigo Aterro Bandeirantes operou por décadas recebendo milhões de toneladas de resíduos da capital paulista.
Estudos ambientais indicam que a região já apresenta desafios ambientais acumulados ao longo do tempo, incluindo questões relacionadas à qualidade da água, ruído e impactos antrópicos decorrentes da atividade urbana e industrial.
Para moradores, a possibilidade de implantação de uma nova estrutura ligada ao tratamento de resíduos reacende temores antigos.
Debate promete se intensificar
Com a audiência pública se aproximando, o clima na região é de grande expectativa. Enquanto técnicos e representantes do empreendimento defendem o projeto como solução moderna para gestão de resíduos e geração de energia, moradores pedem cautela e mais transparência.
Nas redes sociais, a mobilização continua crescendo, e a tendência é de que o tema permaneça no centro do debate público nas próximas semanas.
A audiência pública do dia 31 de março deve se tornar um momento decisivo para que a população manifeste suas preocupações e para que autoridades ambientais avaliem os próximos passos do processo de licenciamento.
O debate sobre o futuro da área do antigo Aterro Bandeirantes — e sobre qual modelo de gestão de resíduos a cidade deve adotar — está apenas começando.
