Um panorama sobre comportamento, preferências olfativas e fatores culturais que influenciam o uso de fragrâncias no país
O hábito de usar perfumes faz parte do dia a dia da maioria dos brasileiros. Um levantamento de novembro de 2025, feito pela empresa Kantar, mostra que 65% dos lares no país já utilizam perfume, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, os dados da Kantar em relação a economia destacam que o setor vem crescendo de forma consistente. Somente em um ano, houve aumento de 17% no faturamento, alcançando R$ 18 bilhões.
Esse crescimento pode ser uma reação direta à volta de uma vida social sem restrições causadas pela pandemia, à rotina de trabalho e também a uma preocupação maior com o autocuidado.
Qual é o perfil dos brasileiros que usam perfumes?
Usar perfume no dia a dia já é um hábito que ultrapassa barreiras de regionalidade e renda no país. O Nordeste é o maior consumidor, representando 45% do total. Já a Grande São Paulo soma 12% de consumidores, e o interior paulista, 9%.
Outro ponto interessante é em relação às classes sociais. Antes, o perfume era visto como um artigo de luxo. Atualmente, os dados apontam que a utilização de fragrâncias já está se consolidando em outros recortes sociais.
As classes D e E são as que mais utilizam o produto, sendo 27% dos consumidores totais. Já dentro da classe C2, 26% utilizam perfumes, e nas faixas de renda das classes A e B, apenas 24% informam passar fragrâncias.
A escolha de um perfume também está relacionada, mesmo que indiretamente, à psicologia do olfato. Essa perspectiva aponta que os aromas acionam o subconsciente, já que o cérebro cria associações entre fragrâncias, memórias e emoções. Por isso, é tão comum que as preferências sejam individuais, resultando em uma “assinatura olfativa”.
Além disso, as escolhas também são influenciadas por fatores sociais e comportamentais já conhecidos, como:
- perfumes suaves para uso diário no trabalho e compromissos sociais;
- troca de fragrâncias conforme clima ou ocasião;
- busca por aromas que expressem identidade;
- perfumes intensos para eventos noturnos e clima frio.
Por que os brasileiros consomem tanto perfume?
No ranking global, o Brasil está entre os três primeiros colocados no uso de produtos de higiene pessoal e beleza, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Diversos fatores, tanto comportamentais quanto climáticos, influenciam nesse hábito.
Por ter um clima predominantemente quente durante boa parte do ano, é comum que no país as pessoas tomem mais de um banho por dia, o que favorece a reaplicação de perfumes.
Além disso, as fragrâncias ocupam um espaço cultural forte, associado à autoestima e à forma como as pessoas desejam ser percebidas, fazendo com que cada indivíduo busque um cheiro característico, capaz de traduzir sua identidade.
A popularização de conteúdos sobre beleza e cuidados pessoais na internet também ampliou o interesse por descobertas olfativas, fazendo com que novos cheiros fossem testados e permitindo o aumento do leque de opções.
Essa experimentação passa ainda por fragrâncias icônicas e marcantes, como o perfume Sauvage Dior, por exemplo, que acabam se tornando alternativas recorrentes quando usuários mencionam aromas intensos e memoráveis. Esse tipo de referência tende a aparecer principalmente em discussões sobre perfis olfativos que promovem experiências sensoriais impactantes.
Por fim, outro aspecto importante é a relação emocional com o cheiro. Perfumes podem remeter a fases da vida, pessoas queridas ou momentos marcantes, criando vínculos que vão além do uso estético.