Vender diretamente ao consumidor ou prestar serviços para outras empresas poderá produzir cenários diferentes para pequenos negócios com a implementação da Reforma Tributária. Perfil dos clientes, estrutura de despesas, possibilidade de aproveitamento de créditos e participação da folha estão entre as variáveis que precisam entrar nas projeções para 2027.
Uma das decisões previstas para setembro envolve empresas optantes pelo Simples Nacional. Elas podem manter IBS e CBS dentro do regime simplificado ou optar pela apuração regular dos dois tributos, fora do DAS. Para que a escolha produza efeitos no primeiro semestre de 2027, a manifestação deve ocorrer até quarta-feira (30).
A análise ganha importância principalmente nas relações B2B. Dependendo da estrutura do negócio e de sua posição na cadeia, a possibilidade de geração e utilização de créditos pode interferir na formação de preços e nas negociações entre fornecedores e clientes.
“A preparação começa com uma simulação do negócio real. A escolha tributária do concorrente pode ser inadequada para a sua academia”, afirma Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online.
O esporte ajuda a dimensionar a diversidade de relações empresariais alcançadas pela mudança. O PIB do Esporte Brasileiro, estudo realizado pela EY para o Instituto Sou do Esporte, calculou em R$ 183,4 bilhões a movimentação econômica da cadeia em 2023, correspondente a 1,69% do PIB nacional. O setor respondeu ainda por 3,3 milhões de empregos formais diretos.
Dentro dessa cadeia convivem empresas que vendem diretamente ao consumidor e operações predominantemente B2B. Academias, escolas esportivas, comércio, indústria, organizadores de eventos, produtoras e prestadores de serviços podem apresentar estruturas de receitas e custos diferentes mesmo atuando no mesmo mercado.
A folha também faz parte dessa equação. Em atividades de serviços, a contratação de profissionais representa custo, mas está diretamente relacionada à capacidade de atendimento e geração de receita.
Ao analisar especificamente academias e clubes, Gabriel Polisandro Sowmy, porta-voz da NPW, destaca a relação entre profissionais e resultado da operação.
“Quando falamos de academias e clubes esportivos, é muito fácil olhar para estrutura, equipamentos e serviços como os principais fatores de experiência. Mas existe algo antes disso: quem entrega essa experiência são as pessoas. Um colaborador que se sente valorizado, preparado e conectado à cultura da organização tende a atender melhor, criar vínculos e cuidar mais de quem está do outro lado. No fim, investir na experiência do colaborador não é apenas uma questão de gestão de pessoas. É uma decisão que impacta a experiência do cliente, a retenção e a performance do negócio”, afirma Gabriel Polisandro Sowmy.
Por isso, créditos tributários precisam ser analisados junto com a disponibilidade financeira da empresa.
“Crédito tributário pode reduzir imposto, mas não deve ser confundido com dinheiro imediatamente disponível para pagar a folha”, explica Anderson Diogenes Pavanello.
O calendário acrescenta outra decisão. Empresas atualmente fora do Simples Nacional que pretendem ingressar no regime em 2027 precisam realizar a solicitação até o fim de setembro. Quem já está enquadrado não precisa renovar a opção, salvo situações específicas.
Com diferentes estruturas de receita, custos e contratação, a Reforma Tributária tende a exigir análises individualizadas. O tamanho da economia esportiva mostra a dimensão que essas decisões podem alcançar em setores formados simultaneamente por consumidores, empresas, fornecedores e prestadores de serviços.