Osteoporose: fatores de risco e cuidados com a saúde dos ossos
Crédito: Warawan Tongsri istock

Doença afeta cerca de 10 milhões de brasileiros e pode evoluir sem sintomas

A saúde dos ossos depende de um processo contínuo de renovação que acompanha o organismo ao longo da vida. Quando esse equilíbrio é comprometido, a estrutura óssea pode perder resistência e ficar mais suscetível a fraturas. É o que acontece na osteoporose, condição que afeta cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO).

A doença está associada à redução da densidade mineral óssea e à deterioração da microarquitetura do tecido ósseo. Com isso, os ossos ficam mais frágeis e podem quebrar após quedas de pequena altura ou impactos que dificilmente provocariam uma fratura em uma pessoa sem essa condição.

Embora seja mais frequente após a menopausa e com o envelhecimento, a osteoporose também pode se desenvolver em outras fases da vida. Identificar os fatores que favorecem a perda óssea ajuda a orientar os cuidados preventivos e a reconhecer quem precisa de acompanhamento.

O que é a osteoporose e quais são os fatores de risco?

Os ossos passam por um processo chamado remodelação óssea, no qual células especializadas reabsorvem o tecido antigo, enquanto outras formam tecido novo. Na osteoporose, a reabsorção supera a formação óssea, reduzindo gradualmente a massa e a resistência do esqueleto. Além disso, a densidade óssea tende a diminuir com a idade, e essa perda se acelera nas mulheres após a menopausa devido à redução do estrogênio.

Entre os principais fatores de risco da osteoporose, estão:

— Idade e alterações hormonais: envelhecimento, menopausa precoce e redução dos hormônios sexuais favorecem a perda óssea.

— Histórico familiar: parentes próximos com osteoporose ou fraturas aumentam a probabilidade de desenvolver a doença.

— Deficiências nutricionais: a ingestão insuficiente de cálcio e vitamina D prejudica a manutenção dos ossos.

— Sedentarismo e baixo peso corporal: podem comprometer a densidade óssea.

— Outras condições: tabagismo, consumo excessivo de álcool, determinadas doenças e uso prolongado de corticoides também elevam o risco.

A osteoporose também pode evoluir por anos sem apresentar sintomas, e a primeira manifestação da doença pode ser uma fratura. Quando a perda óssea afeta as vértebras, podem surgir dor nas costas, redução da estatura e alterações na postura. Fraturas após quedas leves ou impactos de pouca intensidade também merecem investigação médica, pois podem indicar fragilidade óssea.

Hábitos essenciais para fortalecer e manter a saúde dos ossos

A alimentação tem papel importante na manutenção da densidade óssea, já que fornece os nutrientes necessários para a formação e a renovação do tecido. O cálcio é um dos principais minerais que compõem os ossos, enquanto a vitamina D favorece sua absorção no intestino e contribui para que o organismo mantenha níveis adequados desse nutriente. Leite e derivados, brócolis e couve são fontes de cálcio, enquanto peixes gordurosos e alimentos fortificados podem ajudar a suprir as necessidades de vitamina D.

A vitamina k2 também participa do metabolismo ósseo ao contribuir para a ativação da osteocalcina, proteína produzida pelos osteoblastos, células responsáveis pela formação do tecido ósseo. Quando ativada, essa proteína consegue se ligar ao cálcio e participa de sua incorporação à matriz óssea, processo importante para a mineralização e a manutenção da estrutura dos ossos.

Além da alimentação, a prática regular de exercícios contribui para a manutenção da estrutura óssea, pois atividades como caminhadas e exercícios de força estimulam os ossos e ajudam a preservar a musculatura. Exercícios de equilíbrio também merecem atenção, especialmente com o envelhecimento, já que ajudam a reduzir o risco de quedas.

A exposição solar também pode favorecer a produção de vitamina D, desde que respeite os cuidados de proteção da pele, enquanto evitar o tabagismo e limitar o consumo de álcool contribui para reduzir outros fatores associados à perda óssea.

Prevenção e acompanhamento médico contínuo

Como a perda óssea pode avançar sem sintomas, consultas periódicas ajudam a avaliar os fatores de risco e a necessidade de exames. A densitometria óssea, exame que utiliza raios X de baixa dose para medir a densidade mineral dos ossos, é o principal método para investigar a osteoporose antes de uma fratura.

A indicação depende da idade, do histórico clínico, da menopausa, de fraturas anteriores e do uso de determinados medicamentos. Exames laboratoriais também podem ser solicitados para investigar alterações nos níveis de cálcio, vitamina D e hormônios.

Um ponto importante: a prevenção de quedas merece atenção especial entre pessoas idosas. Retirar tapetes escorregadios, melhorar a iluminação dos ambientes e instalar barras de apoio são medidas que ajudam a tornar a rotina mais segura.

Assim, o acompanhamento permite identificar mudanças na saúde óssea e orientar os cuidados conforme as necessidades de cada pessoa. Com avaliação adequada e hábitos consistentes, é possível reduzir fatores de risco e preservar a mobilidade ao longo dos anos.

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