Volatilidade do combustível impacta formação do frete; cegonheiros mantêm operações e descartam paralisação enquanto governo articula medidas para conter preços

A instabilidade no preço do diesel passou a impactar diretamente a formação do frete no transporte de veículos zero quilômetro. Tradicionalmente mais previsível, o combustível deixou de oferecer uma referência estável para o cálculo de custos, o que pode exigir ajustes por parte dos cegonheiros.

Esse cenário tem afetado a estrutura operacional do setor, dificultando o planejamento financeiro e a sustentação, especialmente em contratos de longo prazo. Com margens pressionadas, cresce o desafio de manter o frete com ganho real em um ambiente cada vez mais volátil, uma realidade que já se intensifica há alguns anos.

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que representa mais de 5 mil profissionais em todo o país, a principal dificuldade está na perda de previsibilidade de um insumo essencial para a atividade.

“Apesar das dificuldades causadas pela oscilação do diesel e das preocupações em manter o valor do frete com ganho real, a categoria dos cegonheiros não cogita aderir a uma eventual paralisação dos caminhoneiros sobre a qual a imprensa tem falado. Temos responsabilidade com a operação e com toda a cadeia automotiva. O que precisamos neste momento é de estabilidade e previsibilidade para continuar trabalhando”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg.

Mesmo diante da maior volatilidade, a entidade afirma que a prioridade tem sido garantir a regularidade das operações, evitando impactos na cadeia automotiva.

No campo das medidas públicas, o governo federal apresentou aos estados uma proposta para zerar o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio. A iniciativa prevê compensação parcial das perdas de arrecadação, com aporte estimado em cerca de R$ 3 bilhões por parte da União, como forma de aliviar a pressão de curto prazo sobre os preços.

A movimentação ocorre em um contexto de maior exposição ao mercado internacional. Atualmente, cerca de 27% do diesel consumido no Brasil é importado, o que amplia a sensibilidade do preço interno a fatores externos, como custos de frete e seguro.

Para representantes do setor, a proposta sinaliza uma tentativa de recompor condições mínimas de previsibilidade no curto prazo.

“A medida ajuda a reduzir a pressão imediata e mostra que há um esforço para organizar o cenário. Para quem está na ponta, o mais importante é conseguir trabalhar com a maior previsibilidade possível, para manter a operação equilibrada”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.

A decisão sobre a proposta deve ser tomada até o fim de março. Até lá, embora o setor de transporte de cargas como um todo já sinalize possíveis ajustes, o segmento cegonheiro mantém os custos sob controle e segue operando sem interrupções, buscando adaptar sua estrutura a um ambiente mais instável.

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