Acordo prevê centro de referência em inovação e aposta em educação como motor de competitividade
Em um cenário global cada vez mais orientado por tecnologia e conhecimento, o Brasil tem diante de si um desafio e uma oportunidade concreta de reposicionamento: deixar de ser consumidor de inovação para assumir protagonismo como produtor de soluções. É nesse contexto que foi celebrada, em Belo Horizonte, a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre a Fundação Dom Cabral e o Órbi ICT, uma iniciativa que nasce com a ambição de posicionar Minas Gerais como referência em inovação estratégica no Sul Global.
“Com forte densidade acadêmica, tradição industrial e um ecossistema empreendedor em expansão, Minas Gerais se posiciona como terreno fértil para a construção de um modelo que integra educação, inovação e desenvolvimento territorial. A atuação do Órbi como ICT (Instituição Científica e Tecnológica) reforça esse papel ao ampliar sua capacidade de desenvolver projetos de pesquisa aplicada, fomento à inovação tecnológica, formação e transferência de conhecimento”, avaliou Maria Fernanda Maia, conselheira do Órbi ICT.
Mais do que um acordo institucional, trata-se da construção de um projeto estruturante: o desenvolvimento de um centro de referência dedicado a inteligência artificial, tecnologia, inovação e negócios. Um espaço concebido para conectar ecossistemas relevantes, fomentar pesquisas aplicadas e impulsionar soluções que dialoguem com os desafios reais de empresas e territórios.
“Para a Fundação Dom Cabral, como escola de negócios de destaque internacional, a configuração de um Centro de Referência com protagonismo mundial a partir do Sul Global é estratégico, e isso pressupõe combinar pessoas preparadas e empreendedoras, tecnologias emergentes e inovação que gere impacto real. Nesse contexto, ter o Órbi como parceiro e Minas Gerais como lócus de aceleração da iniciativa faz muito sentido”, avalia Gustavo Donato, Vice-Presidente de Conhecimento e Aprendizagem da FDC.
“A educação é base para qualquer transformação sustentável de um território, de um país. A tecnologia, como a IA generativa e tantas outras, não é mais um diferencial, é linguagem. Poder ampliar e co-construir uma metodologia, a partir das demandas sociais e do trabalho, tendo como ponto central a formação de pensadores críticos e analíticos, é colocar o humano consciente para decisões cada vez mais complexas, capazes de gerar valor e impacto real”, resume Sabrina Oliveira, diretora de Educação do Órbi ICT.
Educação como estratégia de inovação
A agenda conjunta entre Órbi ICT e Fundação Dom Cabral insere a educação como componente central da estratégia de inovação, com foco na formação de profissionais capazes de operar, interpretar e desenvolver tecnologias em escala. A iniciativa integra a atuação do Órbi como Instituição Científica e Tecnológica (ICT), ampliando sua capacidade de desenvolver projetos de pesquisa, educação e inovação aplicada.
“Essa parceria também evidencia uma convicção fundamental, ou seja, o poder das redes. Em um ambiente marcado por complexidade e velocidade, nenhuma organização avança sozinha. É na interseção entre academia, empresas, startups e sociedade que surgem as soluções mais robustas e sustentáveis”, afirma Hugo Ferreira Braga Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da FDC e conselheiro do Órbi ICT e membro de comitês de inovação tecnológica.
O diferencial dessa iniciativa está na combinação de ativos complementares. De um lado, a excelência acadêmica e a capacidade de formação de lideranças da Fundação Dom Cabral. De outro, a vocação do Órbi ICT como ambiente de inovação aberta, integrando startups, grandes empresas, investidores e pesquisadores. Essa convergência cria as condições ideais para acelerar a transformação de conhecimento em valor econômico e impacto social.
Dados recentes ajudam a dimensionar o desafio, avalia o CEO do Órbi ICT, Christiano Xavier. “O Brasil enfrenta um déficit superior a 500 mil profissionais de tecnologia, reflexo de uma formação anual ainda insuficiente frente à demanda do mercado. Ao mesmo tempo, pesquisas internacionais indicam que habilidades relacionadas a dados e inteligência artificial estão entre as que mais crescem globalmente, enquanto a alfabetização em dados já é considerada essencial por grande parte das lideranças empresariais. Estamos nos estruturando para resolver esse descompasso”.
A abordagem também dialoga com um desafio mais amplo: democratizar o acesso não apenas às ferramentas digitais, mas à compreensão sobre como elas funcionam e impactam a sociedade. Para os líderes envolvidos, o movimento vai além de uma iniciativa institucional. Trata-se da construção de uma agenda de longo prazo, que conecta formação de talentos, desenvolvimento tecnológico e impacto socioeconômico.
“Ao posicionar a educação como infraestrutura estratégica da inovação, a iniciativa aponta para um caminho em que competitividade não se constrói apenas com tecnologia, mas com a capacidade de formar pessoas preparadas para interpretá-la. E, a partir dela, transformar realidades”, conclui Xavier.