“Oratória não é dom, é técnica e treino”: professor analisa por que comunicação virou diferencial nas empresas

“Oratória não é dom, é técnica e treino”: professor analisa por que comunicação virou diferencial nas empresas

Railson Lima
4 min p/ ler 102 já leram
O jornalista e professor Mário Lima analisa o papel da comunicação na construção de autoridade profissional | Foto: DivulgaçãoO jornalista e professor Mário Lima analisa o papel da comunicação na construção de autoridade profissional | Foto: Divulgação

Em entrevista ao podcast Bastidores, o jornalista e professor Mário Lima analisa o papel da comunicação na construção de autoridade profissional

Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, dominar conhecimentos técnicos já não garante crescimento profissional. Empresas têm valorizado cada vez mais habilidades como comunicação, negociação e liderança, capazes de transformar conhecimento em influência dentro das organizações.

O tema foi discutido pelo jornalista, pesquisador e professor de comunicação Mário Lima, mestre e doutorando em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), durante participação no episódio 24 do podcast Bastidores, publicado em 24 de fevereiro. Assista ao episódio completo:

A entrevista foi conduzida pelos apresentadores Isaac Bertolini, advogado, e Lucas Rolim, advogado, jornalista e radialista. O podcast Bastidores reúne conversas com profissionais e empreendedores sobre os desafios, aprendizados e decisões que marcam suas trajetórias no mundo corporativo.

“Oratória não é dom. Oratória é técnica aplicada à comunicação de forma eficaz”, afirma.

Segundo ele, a ideia de que falar bem é um talento natural ainda impede muitos profissionais de desenvolver uma competência que pode ser aprendida e aprimorada ao longo da carreira.

Comunicação além da técnica

A importância da comunicação no ambiente corporativo tem sido destacada por diferentes estudos sobre mercado de trabalho. Levantamento do Evermonte Institute aponta que mais de 70% dos executivos consideram comunicação e escuta ativa entre as competências mais importantes no momento de contratar profissionais.

Para Lima, o desafio é que muitas pessoas ainda associam comunicação apenas à habilidade de falar. “A autoridade não é aquilo que eu digo sobre mim. Autoridade é aquilo que o outro percebe sobre o que estou dizendo”, explica.

Segundo ele, comunicar envolve organizar ideias, compreender o público e estruturar a mensagem de forma clara, especialmente em contextos profissionais que exigem negociação e construção de consenso.

O medo de falar em público

Apesar da relevância da habilidade, falar em público continua sendo uma dificuldade para grande parte das pessoas.

Estudos internacionais indicam que até 75% da população apresenta algum nível de ansiedade ao falar em público, condição conhecida como glossophobia. O dado aparece em levantamentos citados por instituições de psicologia e comunicação, como a National Social Anxiety Center, que analisa o impacto da ansiedade social em ambientes profissionais.

Pesquisa da Chapman University, nos Estados Unidos, também identificou que falar em público está entre os principais medos relatados pela população.

Para Lima, essa insegurança acaba limitando o potencial de muitos profissionais. Muitas pessoas evitam situações em que precisam expor ideias, apresentar projetos ou negociar posições, o que impacta diretamente o crescimento na carreira.

Comunicação também é escuta

Durante a entrevista, o professor destaca que a oratória não começa no momento da fala. “Antes de falar, precisamos ouvir.”

A ideia se aproxima de abordagens contemporâneas da comunicação que tratam o processo comunicativo como uma negociação de sentidos entre interlocutores, conceito discutido pelo sociólogo Dominique Wolton ao analisar os desafios da comunicação em sociedades altamente conectadas.

Segundo Lima, profissionais que desenvolvem escuta ativa conseguem calibrar melhor suas respostas e estabelecer relações mais produtivas em ambientes de trabalho.

Repertório e formação intelectual

Além da técnica, o professor enfatiza a importância do repertório cultural na formação de bons comunicadores. “A jornada do orador começa com repertório. Não existe boa oratória sem conteúdo.”

Leitura, contato com diferentes perspectivas e consumo de cultura ajudam a ampliar a capacidade de argumentação e interpretação, elementos essenciais para quem precisa explicar ideias complexas de forma acessível.

Para Lima, desenvolver repertório também significa dialogar com diferentes áreas do conhecimento e conviver com pessoas que pensam de forma diversa.

Comunicação e crescimento profissional

A relação entre comunicação e desenvolvimento profissional também aparece em pesquisas sobre liderança e gestão. Estudos indicam que equipes com comunicação clara apresentam níveis mais altos de colaboração e compreensão de objetivos estratégicos.

Na prática, segundo Lima, muitos profissionais só percebem a importância da habilidade quando enfrentam dificuldades para avançar na carreira.

“Recebo alunos com décadas de experiência que dizem: tenho conhecimento técnico, mas não consigo avançar.”

Para ele, desenvolver essa competência pode acelerar trajetórias profissionais. “Portas vão se abrir de qualquer forma. Mas quem investe em comunicação abre muito mais portas.”

Quem é Mário Lima

Jornalista de formação, Mário Lima é mestre e doutorando em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atua como professor de comunicação e oratória em Porto Alegre e desenvolve pesquisas sobre comunicação, discurso e relações sociais.

Sua trajetória conecta experiência acadêmica, atuação profissional e formação em comunicação para ambientes corporativos e institucionais.

Sobre o autor

Railson Lima é jornalista com mais de 15 anos de experiência e atua na interseção entre comunicação institucional, marketing e posicionamento estratégico de marcas e lideranças. É consultor, palestrante e pesquisador em relações públicas, cultura organizacional e estratégias digitais. Com sólida formação em comunicação, marketing e docência, cursa Biomedicina, ampliando sua atuação nas interfaces entre ciência, saúde e comunicação.

Gostou? Compartilhe com amigos!

O que você achou?

Amei 47
Kkkk 39
Triste 2
Raiva 6

Espere! Não perca isso...

Antes de ir, veja o que acabou de acontecer:

Não, obrigado. Prefiro ficar desinformado.