Piracicaba recebe “Olimpíadas da advocacia paulista” com recorde de participação feminina
Com quase mil mulheres entre os inscritos e a expectativa de reunir cerca de 4.000 pessoas, os Jogos da Advocacia Paulista (JAP) 2026 começam nesta quarta-feira (3), em Piracicaba (SP), reforçando o papel do esporte como espaço de integração, bem-estar e representatividade.
A competição, promovida pela Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP), órgão ligado à OAB São Paulo, reunirá 2.500 atletas do direito, incluindo estagiários, oriundos de mais de 170 municípios paulistas. As disputas seguem até domingo (7) e abrangem 20 modalidades.
O pontapé inicial será dado às 19h30, durante a cerimônia de abertura no Clube Cristóvão Colombo, localizado na Avenida Professor Alberto Vollet Sachs, 2300. Logo após o evento protocolar, o cantor Paulo Ricardo sobe ao palco para um show destinado aos convidados dos participantes.
Conhecido como as “Olimpíadas da advocacia paulista”, o JAP acompanha um movimento semelhante ao observado nos Jogos Olímpicos, onde a presença feminina cresceu de forma significativa ao longo das últimas décadas.
A presidente da CAASP, Diva Zitto, vê na competição um reflexo das mudanças sociais.
“O esporte sempre foi um espelho das transformações sociais. É emocionante ver o JAP refletir o que já assistimos nas Olimpíadas, com as mulheres ocupando o protagonismo nas quadras e pistas”, diz Diva Zitto. “As advogadas estão mostrando que o espaço do bem-estar, da competição saudável e do lazer também pertence a elas, por direito e por merecimento”.
A participação feminina nos Jogos Olímpicos começou em Paris 1900, quando apenas 22 mulheres integraram um universo de 997 atletas. Em 1932, Maria Lenk entrou para a história ao se tornar a primeira brasileira a competir em uma Olimpíada, sendo a única mulher entre os 82 representantes do país em Los Angeles.
Na edição mais recente dos Jogos, realizada em Paris em 2024, houve praticamente igualdade entre os sexos, com cerca de 5.500 homens e 5.500 mulheres. O Brasil contou com 153 atletas femininas entre os 277 integrantes da delegação, equivalente a 55% do total. Cem anos antes, em Paris 1924, a equipe brasileira era formada exclusivamente por 12 homens.
Essa transformação também é observada na advocacia. Hoje, as mulheres correspondem a 51% dos profissionais ativos da categoria.
“Desde 2021, o Conselho Federal da entidade estabeleceu critérios rigorosos de paridade, exigindo que as chapas candidatas tenham 50% de cada gênero e, no mínimo, 30% de participação de pessoas negras”, afirma Diva Zitto.
Para Fábio Mariz, diretor da CAASP responsável pela área esportiva, a essência do JAP está na dedicação dos participantes e na convivência proporcionada pelo evento.
“Nesse sentido, eu destacaria a vontade de homens e de mulheres advogados em superar os próprios limites no esporte. Foram meses de treinamento, conciliando trabalho e família, para mostrarem o melhor desempenho atlético possível em Piracicaba”, diz Fábio Mariz.