Um movimento que antes era acompanhado pelo medo hoje está entre os exercícios que Miguel Oliveira Pereira executa com maior destaque. Aos 11 anos, o aluno do Giro por Ginásticas, em Itaguaí (RJ), carrega no corpo a lembrança de uma recuperação difícil, mas também a marca de uma transformação construída passo a passo.
Aos oito anos, Miguel foi atropelado por uma motocicleta no portão de casa e sofreu uma fratura no fêmur. A gravidade do acidente levou a família a enfrentar perspectivas difíceis. Ariani Freitas, mãe do menino, relata que chegou a ser considerada a possibilidade de ele não recuperar a capacidade de andar normalmente.
Miguel precisou passar por duas cirurgias, relacionadas à colocação e à correção do fixador externo na perna. Depois, veio a fisioterapia, acompanhada de dor e medo. Foi nesse período que Ariani começou a procurar uma atividade que pudesse ajudar o filho além do tratamento convencional.
Seis meses depois do acidente, ela conheceu o Giro por Ginásticas, do Instituto Bons Ventos. O projeto apresentou a Miguel um novo desafio e, ao mesmo tempo, um ambiente para reconstruir a confiança. Sob a orientação de José Marcelo Gonçalves Ribeiro, coordenador do projeto no polo carioca, o menino passou a realizar exercícios dentro de seus limites.
A cada nova tentativa, Miguel avançava. A dificuldade para dobrar os joelhos e o receio de executar determinados movimentos foram sendo superados. O salto mortal duplo, que antes era motivo de insegurança, tornou-se um dos exercícios em que ele mais se destaca.
Hoje, a família observa que Miguel está entre os alunos que mais se destacam na execução dos movimentos da turma.
“Quando lembro de tudo o que o Miguel passou e vejo o que ele faz hoje, parece outra realidade. No começo, ele chorava de medo e de dor. Eu só queria encontrar alguma atividade que ajudasse na recuperação dele. O professor Marcelo teve muita paciência, respeitou o tempo do Miguel e fez com que ele acreditasse novamente no próprio corpo. Hoje, vejo meu filho fazendo movimentos que eu jamais imaginaria que ele conseguiria fazer. Às vezes, olhando para ele, nem lembro de tudo o que enfrentamos”, conta Ariani.
De menino tímido a futuro professor
A mudança também apareceu na personalidade de Miguel. Antes retraído e tímido, ele passou a participar mais, conversar com o professor e demonstrar preocupação com os colegas. Durante as aulas, procura ajudar sempre que pode.
Ariane também percebeu reflexos na escola, onde, segundo ela, Miguel ganhou desenvoltura e melhorou seu desempenho.
O contato com a ginástica fez surgir uma ambição para o futuro. Miguel pretende cursar Educação Física e seguir carreira como professor de ginástica, inspirado em José Marcelo. A ideia é, também, apresentar a modalidade a outros meninos e incentivá-los a praticar o esporte.
Na turma, ele é um dos únicos dois meninos. Para Miguel, essa característica se tornou mais uma razão para pensar em permanecer ligado à ginástica e contribuir para aproximar outros garotos da modalidade.
A irmã Kamile, de 12 anos, também encontrou seu espaço no projeto. Ela entrou no Giro por Ginásticas junto com Miguel, motivada pelo interesse que desenvolveu ao acompanhar competições de ginástica pela televisão. Para Ariane, participar das atividades também ajudou no processo de amadurecimento da filha.
Quando o projeto muda a vida de todos
O impacto do Giro por Ginásticas alcançou também a rotina de Ariani. Na época do acidente do filho, ela estava desempregada e morava em uma comunidade de Itaguaí. A aproximação com o projeto abriu uma nova possibilidade: ela passou a trabalhar como auxiliar de limpeza no núcleo.
A dinâmica da família ganhou um novo formato. Pela manhã, Ariani trabalha no mesmo local em que Miguel e Kamile participam das atividades. À tarde, os dois vão para a escola e ela pode estar em casa.
“Não foi só a vida do Miguel que mudou. O projeto acabou transformando a nossa família. Eu consegui um trabalho e, ao mesmo tempo, posso acompanhar meus filhos de perto. Isso me trouxe uma tranquilidade que eu não tinha. Ver os dois aqui, aprendendo, crescendo e felizes, enquanto eu também consigo trabalhar, significa muito para mim”, afirma Ariani.
A trajetória de Miguel exemplifica a proposta do Giro por Ginásticas de trabalhar o esporte para além da aprendizagem técnica. O projeto busca desenvolver autonomia, confiança, convivência, disciplina e cooperação entre crianças e adolescentes.
Nos núcleos de Itaguaí (RJ) e Papagaios (MG), mais de 300 crianças e adolescentes participam gratuitamente das atividades de iniciação às ginásticas. A iniciativa é realizada pelo Instituto Bons Ventos e conta com patrocínio da Vale e da Fábrica Carioca de Catalisadores, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.
Sobre o Giro por Ginásticas
Criado pelo Instituto Bons Ventos, o Giro por Ginásticas é voltado à iniciação esportiva e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes por meio da ginástica. O projeto reúne mais de 300 crianças e adolescentes nos núcleos de Itaguaí (RJ) e Papagaios (MG), onde são oferecidas atividades gratuitas de iniciação às ginásticas. A iniciativa conta com patrocínio da Vale e da Fábrica Carioca de Catalisadores no Rio de Janeiro, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.
Sobre o Instituto Bons Ventos
O Instituto Bons Ventos trabalha com desenvolvimento esportivo por meio da gestão especializada de projetos, organização de competições e apoio à carreira de atletas. A organização foi fundada por atletas olímpicos, medalhistas pan-americanos, campeões mundiais, gestores esportivos e empresários do setor, tendo como propósito transformar o esporte em uma ferramenta de desenvolvimento social.
A entidade possui experiência na estruturação e viabilização de projetos esportivos por mecanismos de incentivo fiscal, com domínio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte (Lei 11.438/2006) e de legislações correlatas nas esferas estaduais e municipais.
Com proficiência nas diferentes fases dos projetos, incluindo captação de recursos junto ao mercado, execução e prestação de contas, o Instituto Bons Ventos busca gerar oportunidades para atletas, ampliar o acesso ao esporte e participar da formação de novas gerações dentro e fora das competições.