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O abandono psicológico, dentro da
visão psicanalítica, não se refere apenas à ausência física dos pais, mas à falha
na função materna e/ou paterna enquanto sustentação emocional,
reconhecimento simbólico e validação afetiva.
O bebê não nasce com um “eu”
estruturado. O eu se constitui a partir do olhar, da palavra e da presença
psíquica do outro primordial.
Quando há
abandono psicológico, ocorre falha na função de holding (Winnicott), fragilidade
na constituição do self, lacunas na simbolização das emoções e dificuldade na
internalização de um objeto bom estável. Não é apenas “falta de carinho”. É
falha na construção da base narcísica.
Efeitos do abandono
psicológico
A criança
depende do investimento libidinal dos pais para sentir-se existente.
Sem esse investimento surge um narcisismo frágil, instala-se um sentimento
crônico de não ser digno de amor e a partir forma-se um superego severo e
persecutório.
A criança conclui
inconscientemente: “Se não sou visto, é porque não tenho valor.”
Sob outra ótica, quando os pais
são emocionalmente indisponíveis, isso traz instabilidade para a criança, um
medo intenso de abandono, um apego ansioso ou evitativo, podendo na vida adulta
surgir uma organização borderline. A ausência não elaborada transforma-se
em angústia de aniquilamento.
A formação do ego dessa
criança
O ego se
estrutura a partir da mediação do desejo do outro. Sem essa mediação, a criança
demonstra alguns sinais, como: dificuldades de regulação emocional, impulsividade,
sensação de vazio crônico e dependência afetiva excessiva. Muitos quadros
depressivos e borderline têm como base essa falha primária.
Principais sintomas na
infância
Na clínica infantil, o abandono
psicológico pode se manifestar como:
|
Sintomas emocionais |
Sintomas comportamentais |
Sintomas psicossomáticos |
|
· Tristeza |
· Agressividade |
· Enurese |
|
· Ansiedade |
· Isolamento
|
· Dores |
|
· Medo |
· Busca |
· Distúrbios
|
|
· Baixa |
· Comportamentos |
|
Reflexos na vida adulta
Quando não elaborado, o abandono
psicológico pode gerar:
- Relações amorosas marcadas por dependência ou
evitação; - Medo crônico de rejeição;
- Ciúme patológico;
- Sensação de vazio;
- Padrões repetitivos de escolher parceiros
indisponíveis; - Estruturas depressivas ou borderline.
A compulsão à repetição
frequentemente aparece como tentativa inconsciente de reparar o abandono
original.
Como evitar o abandono
psicológico
Não se
trata de pais perfeitos, mas de pais suficientemente bons. Mais importante que
a presença física é a escuta, a validação emocional e o reconhecimento do
sofrimento infantil.
A criança precisa que seus afetos
sejam nomeados: “Você está triste.”, “Eu entendo que isso machuca.”, isso
organiza o mundo interno da criança.
Impondo limites estruturantes
A função
paterna simbólica oferece contenção, lei e principalmente segurança. A ausência
de limite também é forma de abandono.
Transferindo para gerações
Pais que não elaboraram seus
próprios traumas tendem a repetir abandono emocional.
Intervenção terapêutica dos pais é fator preventivo fundamental.
Abandono psicológico e o trauma
O abandono
é um trauma relacional. Diferente do trauma pontual, ele é silencioso, crônico,
invisível e relativamente naturalizado. Por isso é tão devastador. Na clínica,
frequentemente encontramos pacientes que dizem: “Meus pais nunca me bateram.” Mas,
emocionalmente nunca foram vistos.
O que a prática clínica
mostra?
Considerando minha produção
voltada à compreensão profunda do sofrimento psíquico, especialmente em quadros
de instabilidade emocional e trauma, o abandono psicológico pode ser
compreendido como um dos núcleos estruturantes do sofrimento contemporâneo.
A sociedade atual favorece:
- Pais fisicamente presentes, mas psiquicamente
ausentes; - Terceirização do cuidado emocional;
- Substituição de vínculo por tecnologia;
- Narcisismo parental projetado nos filhos;
Do ponto de vista clínico, o
abandono psicológico aparece como:
- Base estrutural de quadros borderline;
- Núcleo depressivo profundo;
- Origem de dependência afetiva;
- Fonte de angústia de desamparo primário.
A abordagem, que integra
psicanálise e técnicas de acesso ao inconsciente (como a hipnoterapia), pode
favorecer:
- Reacesso às memórias emocionais primárias;
- Ressignificação de experiências de abandono;
- Reconstrução do objeto interno;
- Fortalecimento do ego fragilizado.
O abandono psicológico não é
apenas uma falha parental — é uma falha na sustentação do sujeito em sua
constituição. E, como sabemos na clínica, o que não foi simbolizado retorna
como sintoma.
Se identificou? Busque ajuda
profissional e tenha uma vida plena.
