Rede de transporte compartilhada permite que pequenos e médios provedores
alcancem pontos de troca de tráfego e estruturas de distribuição de conteúdo
sem a necessidade de construir individualmente rotas de longa distância.
A Click Internet ampliou sua atuação no mercado de telecomunicações por meio de um
modelo de backbone compartilhado voltado também ao atendimento de pequenos e médios
provedores. A estrutura permite que empresas regionais utilizem capacidade de transporte
de longa distância para alcançar pontos de troca de tráfego e redes de distribuição de
conteúdo sem a necessidade de construir, individualmente, toda a infraestrutura necessária
até os principais centros de interconexão do país.
A operadora mantém sua rede conectada aos pontos de troca de tráfego IX.br de São Paulo
e Fortaleza e hospeda infraestrutura de distribuição de conteúdo em sua rede. A partir
dessa estrutura, provedores parceiros podem transportar seu tráfego até centros nacionais
de interconexão e acessar conteúdos hospedados mais próximos dos usuários finais.
Para operadores de menor porte, estabelecer uma rota própria até São Paulo ou Fortaleza
envolve investimentos em fibra óptica de longa distância, equipamentos, energia,
manutenção, presença em data centers e contratação de capacidade de transporte. Como
alternativa, essas empresas normalmente precisam contratar serviços de grandes
operadoras ou de outros fornecedores do próprio setor.
O modelo adotado pela Click utiliza uma estrutura cooperativa. Nas cidades percorridas
pelas rotas ópticas, provedores parceiros podem contribuir com suporte operacional local,
fornecimento de energia, acomodação de equipamentos e atendimento inicial em situações
que demandem intervenção na infraestrutura. Em contrapartida, utilizam a capacidade
disponível no backbone para alcançar estruturas de interconexão que seriam mais caras de
acessar individualmente.
Segundo o mapa técnico de interconexão da empresa, a infraestrutura de transporte
atualmente alcança sete unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal,
conectando diferentes regiões do país. A rede combina diferentes segmentos de
infraestrutura óptica: aproximadamente 700 quilômetros utilizando cabos de 512 fibras
ópticas, 1.300 quilômetros com cabos de 256 fibras e outros 2.600 quilômetros utilizando
cabos de 128 fibras.
A capacidade instalada permite que a mesma infraestrutura seja utilizada simultaneamente
pela própria operação da Click e por provedores independentes, reduzindo a necessidade
de duplicação de rotas e permitindo o compartilhamento dos custos associados ao
transporte de longa distância.
Os efeitos econômicos desse modelo podem ser observados entre empresas que utilizam a
infraestrutura compartilhada. Sidney Pires, da SidNet, relata que o acesso ao backbone da
Click modificou os custos de transporte e interconexão de sua operação.
“Para um provedor do nosso porte, construir toda a infraestrutura necessária
para chegar a São Paulo exigiria um investimento muito elevado. Antes de
utilizar o backbone da Click, dependíamos de transporte contratado de grandes
operadoras, chegando a pagar picos de até R$ 70 por megabit no link dedicado
e mais de R$ 20 por mega apenas no componente de transporte. Com a
infraestrutura compartilhada, nosso custo com o link dedicado caiu para abaixo
de R$ 15 por mega e o custo de transporte foi reduzido para abaixo de R$ 2 por
mega”, afirma Pires.
Segundo o empresário, a redução desses custos permitiu que a SidNet direcionasse maior
parcela de seus recursos para a ampliação da própria rede e para o aumento da
capacidade oferecida aos clientes.
“A redução do custo de conectividade permitiu aumentar nossa capacidade
contratada e investir mais na expansão da infraestrutura local. Para um
provedor regional, essa diferença tem impacto direto na possibilidade de
ampliar a operação e oferecer planos com maior capacidade”, acrescenta Pires.
Além do efeito financeiro, a distribuição dos parceiros ao longo das rotas ópticas cria uma
estrutura descentralizada de apoio à manutenção. Em situações como rompimento de fibra,
falha de energia ou necessidade de intervenção em equipamentos, provedores localizados
próximos ao ponto afetado podem auxiliar no atendimento inicial, reduzindo deslocamentos
e contribuindo para diminuir o tempo de resposta operacional.
Segundo o CEO Jorge Ferreira, o planejamento de capacidade da Click considera um
horizonte de longo prazo, diante do crescimento do tráfego associado à computação em
nuvem, inteligência artificial, vídeo de alta resolução e outras aplicações que demandam
redes de maior capacidade, disponibilidade e menor latência.
Nesse contexto, o backbone compartilhado permite que parte dos investimentos realizados
em infraestrutura de longa distância tenha utilização além da própria base de clientes da
operadora. Provedores independentes passam a utilizar a mesma rede para alcançar
pontos de troca de tráfego, estruturas de distribuição de conteúdo e capacidade de
transporte nacional.
O modelo oferece uma alternativa de infraestrutura para empresas que não possuem escala
econômica para construir individualmente redes de longa distância semelhantes. Ao
compartilhar capacidade já instalada, provedores participantes podem reduzir despesas de
transporte, ampliar capacidade e direcionar maior parcela de seus investimentos para suas
próprias redes de acesso.
Na prática, o backbone compartilhado passou a integrar operações de diferentes
provedores independentes, conectando redes regionais a estruturas nacionais de
interconexão e criando uma alternativa ao investimento individual em rotas de longa
distância.